Monique Medeiros, a mãe do menino Henry Borel, foi solta da prisão. O tribunal decidiu que ela não matou o filho de propósito, mas foi negligente. Por isso, a justiça a perdoou e ela já saiu do Complexo de Gericinó.
Mãe do menino Henry Borel, a professora Monique Medeiros deixou, às 14h50 desta quinta-feira, o Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Ela estava presa desde 21 de abril, após se entregar à polícia. Monique havia sido solta por determinação da juíza Elizabeth Machado Louro, do II Tribunal do Júri, após o adiamento de um julgamento marcado para março passado. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no então, restabeleceu a prisão preventiva da professora.
- Não foi crime com intenção: Os jurados entenderam que Monique não queria matar o filho, mas foi descuidada e negligente.
- Pena de prisão foi substituída por perdão: A juíza a perdoou pelo homicídio sem intenção, mas ela não foi inocentada de tudo.
- Ela foi condenada por omissão: Monique foi considerada culpada por não proteger Henry das agressões e tortura que ele sofria.
- Pena já foi cumprida: A juíza considerou o tempo que Monique já ficou presa enquanto aguardava o julgamento.
- Pai de Henry vai recorrer: Leniel Borel, pai do menino, ficou revoltado com a soltura e pretende ir à Justiça para tentar mudar a decisão.
A juíza Elizabeth Louro determinou a saída de Monique logo após a leitura da sentença do julgamento pela morte de Henry, concluído na madrugada desta quinta-feira. A decisão foi anunciada após o Conselho de Sentença afastar a acusação de homicídio doloso, quando há intenção de matar, contra a mãe de Henry. Os jurados entenderam que Monique agiu com negligência, desclassificando o crime para homicídio culposo, sem intenção.
Em seguida, a magistrada concedeu perdão judicial em relação a essa condenação. Embora tenha sido beneficiada pela medida, Monique não foi absolvida integralmente. Os jurados reconheceram que ela foi omissa diante das agressões e da tortura praticadas contra Henry. Pela condenação, a magistrada fixou pena de um ano e quatro meses de detenção.
Ao analisar a execução da pena, a juíza considerou o período em que Monique permaneceu presa preventivamente ao longo da tramitação do processo. Com isso, determinou a expedição do alvará de soltura logo após a leitura da sentença.
A decisão provocou reações imediatas entre os envolvidos no caso. O pai de Henry, Leniel Borel, criticou duramente o resultado e afirmou que pretende recorrer da decisão em relação à ex-mulher. O assistente de acusação Cristiano Medina também informou que buscará a anulação do julgamento no que se refere à situação de Monique.
Jairinho condenado
Já o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. A pena total foi fixada em 43 anos, nove meses e 20 dias de reclusão, e ele permanecerá preso. Segundo a defesa, a expectativa é que ele continue custodiado no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, onde já estava detido durante a tramitação do processo.

Monique Medeiros recebe perdão judicial Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo


