O julgamento dos suspeitos pela morte de Henry Borel, um menino de 4 anos, continua no sexto dia. A juíza leu o resumo do processo para os jurados. O julgamento pode continuar no domingo. O pai de Henry falou sobre o último fim de semana com o filho e disse que sua opinião sobre a mãe do menino mudou depois de ver conversas e informações de parentes.
O julgamento da morte de Henry Borel entrou no sexto dia neste sábado (30), no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. A sessão começou com a juíza responsável pelo caso realizando a leitura do relatório do processo aos jurados.
O júri analisa as acusações contra o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros pela morte do menino de 4 anos, ocorrida em março de 2021.
- Henry Borel morreu em março de 2021 com 23 lesões pelo corpo
- Jairinho, ex-vereador, é acusado de ser o autor das agressões que mataram o menino
- Monique, mãe de Henry, é acusada de saber das agressões e não fazer nada para impedir
- O pai de Henry disse que a opinião sobre a mãe mudou após ver conversas e informações de parentes
- Se forem condenados a mais de 15 anos de prisão, eles podem ser presos na hora
A sessão também deve seguir no domingo (31). Na sexta-feira (29), durante o quinto dia do julgamento, Jairinho deixou o plenário pouco antes do início do depoimento de Leniel, pai de Henry.
Durante as perguntas, Leniel falou sobre seu último final de semana com o filho e o momento em que entregou Henry à mãe. "Foi maravilhoso, se não fosse tão trágico", afirmou.
Ele detalhou que a separação entre ele e Monique havia ocorrido cerca de seis meses antes da morte de Henry. A mulher morava com Jairinho por cerca de um mês e meio, quando a criança morreu.
Ao final dos dias, ele foi entregar Henry de volta à mãe. No momento da entrega, o menino resistiu e agarrou-se no colo do pai. Neste momento, Leniel tentou tranquilizá-lo, dizendo que "a mamãe é uma mamãe boa". Segundo o depoimento, Henry respondeu que não era.
A juíza destacou que, em seu primeiro depoimento, Leniel havia descrito Monique como uma mãe zelosa. Em resposta, ele afirmou que sua percepção mudou após ter acesso a conversas e informações mais aprofundadas envolvendo familiares e outras pessoas próximas, incluindo a avó de Henry, a prima e outros envolvidos no caso.
Testemunhas de defesa e próximos passos
O cronograma de depoentes pendentes inclui nomes estratégicos indicados pelas bancas jurídicas de ambos os acusados. Pela defesa de Jairinho, são esperados os relatos de:
- Jairo Souza Santos (pai do ex-vereador)
- Fernanda Abidu Figueiredo
- Leonardo Tauil
- Roberto Souza
- Hewdy Ribeiro
- Miriam Costa
- Cristiane Izidoro
A lista da defesa de Monique Medeiros conta com sete convocados, priorizando o núcleo familiar e profissionais que conviviam com a criança. Devem ser ouvidos:
- Rosangela Medeiros (mãe de Monique)
- Bryan Medeiros (irmão)
- Thayna Ferreira (ex-babá de Henry)
- Glauciane Dantas
- Ana Paula Pacheco
- Ari Mamede
- Marcia Eduarda Andrade Vieira
Interrogatório dos réus e debates finais
Após a conclusão das oitivas de todas as testemunhas, o rito processual prevê o interrogatório de Jairinho e Monique Medeiros. Este será o momento em que os réus poderão apresentar suas versões sobre os fatos ocorridos em março de 2021.
Jairinho é acusado de ser o autor das agressões que resultaram em 23 lesões e na morte do menino, enquanto Monique responde por homicídio por omissão, sob a tese de que tinha conhecimento das agressões e não agiu para evitá-las.
Encerrados os interrogatórios, o julgamento entra na fase de debates orais entre o Ministério Público e os advogados de defesa. A decisão final caberá ao Conselho de Sentença, composto por sete jurados, que votará pela condenação ou absolvição dos réus.
Em caso de condenação com pena superior a 15 anos, a Justiça pode determinar a prisão imediata dos acusados ainda no plenário.

Julvamento do caso Henry Borel


