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Trabalhadores mortos pela polícia: objetos comuns confundidos com armas

Polícia Erro 28/05/2026 08:19 EXTRA extra.globo.com

Dois pedreiros foram mortos a tiros por policiais militares em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, porque os PMs confundiram as ferramentas de trabalho deles com fuzis. Este não é um caso isolado: já aconteceu com pessoas que carregavam furadeira, guarda-chuva, saco de pipoca e até um cabo de vassoura. A população está revoltada com a situação e a comissão de direitos humanos está investigando o caso.

Na manhã de quarta-feira, as "armas" levadas pelos pedreiros Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis eram ferramentas que seriam utilizadas numa obra em São Gonçalo e que teriam sido confundidas com fuzil. Mas os enganos durante ações policiais já envolveram os mais diversos objetos: de uma furadeira a um cabo de vassoura, passando por guarda-chuva e até saco de pipoca.

  • Furadeira confundida com fuzil: Em 2010, um policial do Bope matou Hélio Ribeiro, que usava uma furadeira no terraço de casa. Em 2019, João Vitor Braga, de 22 anos, também foi morto enquanto levava uma furadeira para trabalhar.
  • Guarda-chuva foi confundido com arma: Em 2018, Rodrigo Serrano foi morto por PMs que disseram que ele carregava um fuzil, mas era só um guarda-chuva. Ele ia buscar a esposa e o filho.
  • Saco de pipoca virou 'droga': Em 2016, o adolescente Jhonata Dalber, de 16 anos, levou um tiro na cabeça no Morro do Borel porque os policiais acharam que ele estava com drogas. O que ele tinha era um saco de pipoca.
  • Macaco hidráulico na moto: Em 2015, dois jovens, Jorge Lucas e Thiago Dingo, foram mortos no Morro da Pedreira. Eles levavam um macaco hidráulico na moto, e o PM disse que pensou que era um fuzil.
  • Cabo de vassoura e pé de mesa quebrado: Em 2022, o vigia Fábio Tavares foi morto segurando uma vassoura. Em 2023, o catador Dierson Gomes foi morto carregando um pedaço de mesa quebrada. Ambos foram confundidos com fuzis.

O caso mais recente: ferramentas de obra confundidas com fuzis

Os pedreiros Marcelo da Cruz Silva e Edivan Felipe de Assis, que estavam indo trabalhar, foram mortos pela polícia no Jardim Catarina, em São Gonçalo. As ferramentas que eles carregavam foram confundidas com fuzis pelos policiais. A prima de Marcelo disse que ele "morreu de maneira covarde" e que ele não era bandido, só estava saindo para trabalhar. Os amigos também estão revoltados e chamaram a ação de "covardia".

Casos históricos de enganos fatais

Um dos primeiros casos famosos aconteceu em 2010, quando o policial do Bope Leonardo Albarello atirou e matou Hélio Ribeiro, que estava no terraço de casa usando uma furadeira. O PM foi julgado, mas acabou sendo absolvido. Em 2019, a mesma ferramenta voltou a ser fatal: João Vitor Dias Braga, de 22 anos, levava uma furadeira para fazer um serviço e foi morto numa operação policial na Taquara.

Guarda-chuva e canguru: o engano que chocou o Rio

Em 2018, Rodrigo Alexandre da Silva Serrano, de 26 anos, foi morto por policiais da UPP do Morro Chapéu Mangueira, no Leme. Os PMs disseram que ele descia o morro com um fuzil e um colete à prova de balas. Na verdade, ele estava com um guarda-chuva e um "canguru", que é um suporte para carregar bebês. Ele ia buscar a mulher e o filho.

Jovens mortos na moto com macaco hidráulico

Em 2015, no Morro da Pedreira, em Costa Barros, dois jovens, Jorge Lucas Martins Paes, de 17 anos, e Thiago Guimarães Dingo, de 24, foram mortos enquanto andavam de moto. Eles estavam com um macaco hidráulico, uma ferramenta usada para levantar carros. O sargento da PM que atirou disse que pensou que fosse um fuzil. Em 2020, ele foi afastado da corporação.

Saco de pipoca e tiro na cabeça

Jhonata Dalber Matos Alves, de 16 anos, foi morto com um tiro na cabeça em 2016, no Morro do Borel, na Tijuca. A polícia disse que pensou que ele estava com drogas, mas o que ele tinha nas mãos era apenas um saco de pipoca.

Pedaço de mesa e cabo de vassoura: os enganos mais recentes

Em 2023, na Cidade de Deus, o catador de recicláveis Dierson Gomes da Silva, de 50 anos, foi morto porque um pedaço de mesa quebrada que ele carregava foi confundido com um fuzil. Moradores disseram que ele usava o pedaço de madeira como cabo de enxada. Em 2022, o vigia Fábio Tavares da Silva foi morto a tiros enquanto segurava uma vassoura na porta de um posto de saúde em Belford Roxo. A vassoura foi confundida com um fuzil pelos PMs.

Revolta e investigação

Uma prima do pedreiro Marcelo da Cruz Silva ficou revoltada e disse: "Meu primo saindo para trabalhar... deram uma rajada de tiro para cima dele. Não foi pouco, não, foi muito tiro. Ele não era bandido, morreu na covardia." A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) disse que acompanha o caso "com extrema indignação" e classificou a situação como "inadmissível". Eles querem que as imagens das câmeras corporais dos policiais sejam divulgadas e que haja uma investigação rigorosa. A deputada Dani Monteiro (PSOL) se solidarizou com as famílias das vítimas.