21 de maio de 2026

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Bandidos queimam carro de empresa de internet em Itaboraí

Polícia Crime 20/05/2026 08:43 Marcos Nunes extra.globo.com

Criminosos incendiaram um veículo da Leste Telecom enquanto um técnico fazia manutenção na rede de fibra óptica. O ataque aconteceu no bairro Joaquim de Oliveira, perto do local da festa de aniversário da cidade. Ninguém se feriu, mas o carro e os equipamentos foram destruídos.

BRA 1

O crime organizado que lucra com a venda ilegal de sinal de internet atacou de novo na Região Metropolitana do Rio. Nesta terça-feira, bandidos incendiaram um carro da empresa Leste Telecom em Itaboraí. O veículo estava com um funcionário, que foi abordado por dois homens em uma moto. Eles obrigaram o técnico a sair do carro e, em seguida, colocaram fogo no automóvel. Ninguém ficou ferido.

  • O crime foi perto do local da festa de aniversário da cidade.
  • Este é o quinto ataque contra empresas de internet este ano no RJ.
  • Facções criminosas e milícias cobram taxas para deixar empresas trabalharem.
  • Quem não paga sofre retaliações, como ter carros e escritórios queimados.
  • O negócio ilegal de internet é muito lucrativo e cresce em várias cidades.

O ataque aconteceu quando um técnico da empresa fazia manutenção na rede de fibra óptica no bairro Joaquim de Oliveira. O crime foi a cerca de 200 metros do palco onde serão realizados os shows em comemoração aos 193 anos de emancipação do município.

Empresa se pronuncia

Em nota, a assessoria de imprensa da Leste Telecom informou que o funcionário está bem e recebendo apoio da empresa. A companhia disse ainda que ainda não sabe o tamanho total dos prejuízos causados pelo crime, que envolvem um veículo novo da frota, além de equipamentos e materiais usados em reparos na rede. A empresa informou também que está colaborando com as investigações da 71ª DP (Itaboraí).

Série de ataques

Este é o quinto ataque, desde o início do ano, contra operadoras e provedores que trabalham legalmente no Rio de Janeiro. No dia 12 de maio, O GLOBO publicou uma matéria mostrando que facções criminosas e milícias exploram a venda ilegal de sinais de internet e tentam obrigar o pagamento de taxas para quem opera legalmente em pelo menos 37 dos 92 municípios do estado. Quem se recusa a pagar sofre retaliações. Além de Itaboraí, carros de empresas, equipamentos e até instalações foram incendiados por criminosos em Cachoeiras de Macacu, Japeri, Paracambi e Maricá, na Região Metropolitana. O levantamento se baseou em investigações policiais e dados recebidos pelo serviço Disque Denúncia (21 2253-1177), além de informações passadas por moradores, operadoras e provedores.

Negócio lucrativo

A venda criminosa de sinal de internet começou em áreas controladas pela milícia, mas não demorou a ser copiada pelo tráfico e, em maior escala, pelo Comando Vermelho (CV). Lucrativo, o negócio ilegal avançou pelo asfalto e pelo interior do estado. Em áreas dominadas por bandidos, empresas oficiais são proibidas de fazer manutenções ou novas instalações. A partir daí, os grupos ilegais passam a explorar o serviço. Em 2026, o primeiro ataque registrado contra uma empresa de internet aconteceu no dia 6 de janeiro, em Cachoeiras de Macacu, onde um carro foi incendiado no bairro de Papucaia. Houve mais episódios violentos nos dias 22 e 23 de março, em Japeri e Paracambi. Na primeira cidade, um escritório e um automóvel foram incendiados. Na segunda, um veículo usado na manutenção de redes de fibra óptica também foi queimado. Um bandido chegou a enviar mensagem pelas redes sociais ameaçando quem não pagasse as taxas de extorsão. O caso mais recente é de 28 de abril: o veículo usado por um técnico foi atacado em Maricá e acabou sendo incendiado. As investigações mostram que traficantes e milicianos agem de duas maneiras. Em alguns casos, os bandidos usam empresas de internet, sob administração própria ou de prepostos, que têm exclusividade nos territórios dominados. Em outros, passam a cobrar taxas de operadoras e provedores locais. O valor da "permissão de trabalho" pode chegar à metade do que os clientes pagam.