15 de maio de 2026

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Enteada conta que PMs algemaram servidor morto em Cuiabá

Polícia 15/05/2026 15:30 Alexandra Lopes folhamax.com

Uma jovem contou à polícia que o padrasto, um servidor público, foi morto por policiais militares quando abria a porta de casa para libertá-la. Ela disse que os PMs algemaram o homem depois que ele já estava morto. O caso aconteceu no bairro Goiabeiras, em Cuiabá.

O delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), contou que a enteada do servidor Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, disse em depoimento que ele foi morto pela Polícia Militar no momento em que abria a porta de casa para libertá-la, no bairro Goiabeiras, em Cuiabá. Segundo ela, os policiais algemaram Valdivino depois que ele já estava morto.

A declaração foi dada durante entrevista ao programa Cadeia Neles, da TV Vila Real, nesta sexta-feira (15). O delegado disse que a jovem contou que Valdivino estava separado da mãe dela há três meses e a chamou até a residência. Ela foi ao local para levar um bolo. Lá, ele estaria armado, transtornado emocionalmente e ameaçando se matar.

  • Valdivino estava separado da mãe da enteada há três meses e a chamou para levar um bolo
  • Ele estava armado e ameaçava se matar, pedindo que a jovem filmasse tudo
  • A enteada conversou com ele por duas horas e o convenceu a libertá-la
  • Quando abriu a porta, Valdivino foi surpreendido pelos PMs e levou vários tiros
  • A jovem disse que os policiais algemaram o corpo depois que ele já estava morto

Segundo Bruno, a enteada contou que Valdivino pediu para que ela filmasse tudo. "A alegação é que o suspeito estava separado da mãe da enteada e, de forma premeditada, chamou ela para dentro da residência, e ela foi lá levar um bolo para ele. Chegando no local, ela percebeu algumas coisas estranhas, atípicas, e foi quando ela entendeu que a porta estava trancada. Ele estava com uma arma de fogo, querendo se matar, e queria que a jovem filmasse para que a mãe visse a desgraça que ele ia cometer", informou o delegado.

Bruno Abreu afirmou que a enteada conseguiu convencer Valdivino a soltá-la após cerca de duas horas de conversa. "Ela consegue pedir para que ele liberasse ela, e é o que ele estava fazendo. Ele estava liberando ela, abriu a porta, quando ele abre a porta, ele se depara com os policiais, já ali de frente com ele, foi quando ele tentou fechar a porta para que os policiais não entrassem, e segundo a mãe e a enteada, aí os policiais efetuaram o disparo nele, que já caiu morto", disse.

Ainda conforme as informações, a enteada afirma que Valdivino já teria guardado a arma. "Então, ele já tinha guardado a arma e é o que a gente vai apurar. Porque ele estava com o telefone na mão", emenda.

O delegado afirmou ainda que a jovem contou que os tiros foram disparados imediatamente após a porta ser aberta. "Ela falou que imediatamente foram efetuados disparos, em torno de 5, 6 disparos, 8, enfim. Inclusive, ela falou que, por pouco, o tiro não pegou nela", relatou.

Segundo Bruno Abreu, a enteada afirmou que Valdivino não chegou a apontar arma para os policiais porque não sabia que os militares estavam na porta da casa. "Ele não sabia que tinha policiais ali. Por isso que ele abriu a porta", afirmou.

O delegado também revelou que a jovem disse ter encontrado a cena alterada quando voltou ao local após os disparos. "Os policiais teriam algemado ele já morto, né Ela não entendeu o porquê. Perguntei para ela se ele apontou a arma para ela em algum momento. Ela falou que não apontou a arma para ela, muito menos para os policiais, porque ele nem sabia que tinha policial lá. E quando ele abriu a porta, ele estava com o telefone na mão, falando com a mãe por chamada de vídeo ao vivo e por isso que a mãe viu tudo. E na outra mão, ele estava abrindo a porta. Então ele se deparou e tentou fechar a porta, e ocorreu os disparos", declarou.

A Polícia Civil apura se houve alteração na cena da morte do servidor. Conforme a investigação, há indícios de que o corpo tenha sido mudado de posição após os tiros.

O laudo de necropsia apontou que Valdivino foi atingido por seis disparos: três no peito, um na coxa, um nas costas e outro de raspão na parte de trás da cabeça.