Relatório aponta que imigrantes contribuem com 9,7% da riqueza nacional, aumentaram em 21,3% o empreendedorismo e são essenciais para combater o envelhecimento populacional no país.
A contribuição dos trabalhadores estrangeiros para a economia italiana alcançou 195,98 bilhões de euros em 2025, representando 9,7% do valor agregado nacional. Os dados fazem parte do Relatório 2026 sobre a Economia da Imigração, apresentado nesta terça-feira, 13 de outubro, pela Fundação Leone Moressa, no Conselho Nacional de Economia e Trabalho (CNEL), em Roma. O levantamento também revela o crescimento do empreendedorismo entre pessoas nascidas no exterior e a necessidade de renovação da força de trabalho em um país que enfrenta o envelhecimento da população.
Segundo o estudo, aproximadamente 2,6 milhões de estrangeiros estão empregados na Itália, representando 10,7% dos trabalhadores. Além da participação em setores essenciais, a presença internacional também se destaca na criação de empresas e na arrecadação tributária.
- Impacto Econômico: Imigrantes geram 195,98 bilhões de euros, equivalente a 9,7% da riqueza nacional.
- Empreendedorismo: Crescimento de 21,3% nos negócios liderados por estrangeiros em uma década.
- Demografia: A Itália precisará de 3,7 milhões de novos trabalhadores até 2029 para repor aposentados.
- Fiscal: Estrangeiros pagam 12,6 bilhões em imposto de renda, gerando saldo positivo nas contas públicas.
- Desafios: Quase 30% dos imigrantes atuam em funções não qualificadas, subutilizando seu potencial.
Empreendedorismo e Demografia: Os Pilares da Mudança
Um dos destaques do relatório é o avanço do empreendedorismo. Em 2025, a Itália registrou aproximadamente 796 mil empreendedores nascidos no exterior, o equivalente a 10,8% do total do país. Entre 2015 e 2025, esse grupo cresceu 21,3%, enquanto o número de empreendedores nascidos na Itália apresentou redução de 5,2%. Os números indicam uma transformação na participação econômica dos estrangeiros, que não se limita à ocupação de postos de trabalho, mas também envolve a criação e a administração de negócios.
Para a Dra. Ana Carolina Campara Brittes, advogada especialista em Direito Migratório e CEO da Campara Cidadania, os números reforçam a importância de compreender a imigração também como um instrumento de desenvolvimento econômico. A Itália precisa de profissionais, empreendedores e pessoas capazes de contribuir para o crescimento de sua economia. Os dados mostram que a imigração não representa apenas uma resposta à necessidade de mão de obra, mas também uma oportunidade de atrair conhecimentos, experiências e investimentos. Para brasileiros que desejam construir uma trajetória internacional, esse cenário merece atenção, analisa.
Outro aspecto relevante do levantamento está relacionado às mudanças demográficas. A Itália enfrenta um processo prolongado de envelhecimento populacional, acompanhado pela redução dos nascimentos e pela necessidade de substituir profissionais que deixam o mercado de trabalho. De acordo com projeções do sistema Unioncamere-Excelsior, citadas no relatório, o país terá necessidade de aproximadamente 3,7 milhões de trabalhadores no período de 2025 a 2029, principalmente para reposição de profissionais que se aposentarão.
Distribuição Setorial e Oportunidades de Carreira
O estudo mostra que a contribuição dos trabalhadores internacionais está distribuída por diferentes atividades produtivas. Entre os indicadores apresentados pela Fundação Leone Moressa estão: na agricultura, os estrangeiros respondem por 21,3% do valor agregado do setor; na construção civil, a participação é de 18,4%; em hotelaria e restaurantes, a contribuição é de 14,4%; na indústria de transformação, há aproximadamente 472 mil trabalhadores estrangeiros e 40,6 bilhões em valor agregado; e nos serviços, mais de um milhão de trabalhadores estrangeiros e cerca de 94 bilhões em valor agregado.
A presença estrangeira abrange desde atividades operacionais até funções técnicas, administrativas e empresariais, demonstrando sua importância para diferentes segmentos da economia italiana. A necessidade de renovação da força de trabalho também chama a atenção para profissionais com formação superior e experiência especializada. Saúde, engenharia, tecnologia e outras áreas técnicas representam possibilidades para brasileiros interessados em desenvolver uma carreira internacional.
Na área da saúde, o envelhecimento da população e a aposentadoria de profissionais ampliam a necessidade de reposição de trabalhadores. Um estudo do Banco da Itália aponta que, até 2032, aproximadamente 25% dos médicos e 9% dos enfermeiros que atuavam no sistema público de saúde no fim de 2022 deverão se aposentar. Outro indicador vem da Federação Nacional das Ordens das Profissões de Enfermagem (FNOPI): em setembro de 2025, a Itália contava com mais de 45 mil enfermeiros nascidos no exterior registrados no país.
A saúde é um exemplo importante de como a participação de profissionais estrangeiros pode contribuir para atender às necessidades da população italiana. Médicos, enfermeiros e outros especialistas brasileiros possuem formação e experiência que podem encontrar espaço nesse cenário. O mesmo vale para profissionais de engenharia, tecnologia e outras atividades que demandam conhecimentos especializados, destaca a Dra. Ana.
Para exercer profissões regulamentadas, como medicina, enfermagem e determinadas especialidades da engenharia, é necessário observar os procedimentos de reconhecimento de diplomas e qualificações profissionais. As exigências variam conforme a atividade e podem incluir inscrição em órgãos profissionais e comprovação de conhecimentos específicos.
Desafios de Integração e Contribuição Fiscal
Apesar da contribuição econômica, o relatório também revela uma diferença importante na ocupação dos postos de trabalho. Segundo o levantamento, 29,9% dos trabalhadores estrangeiros exercem funções classificadas como não qualificadas, percentual significativamente superior aos 8% registrados entre os trabalhadores italianos. O indicador evidencia uma questão que vai além da necessidade de mão de obra: o aproveitamento do potencial profissional de pessoas que chegam ao país com diferentes níveis de escolaridade, experiência e especialização.
Quando um profissional com formação e experiência trabalha em uma atividade muito abaixo de sua capacidade, não é apenas ele que deixa de aproveitar seu potencial. A própria economia perde a oportunidade de incorporar conhecimentos e competências que poderiam contribuir para seu desenvolvimento. Valorizar esses talentos é tão importante quanto ampliar a participação dos estrangeiros no mercado de trabalho, observa a Dra. Ana.
A participação econômica dos imigrantes também aparece nos indicadores fiscais apresentados pela Fundação Leone Moressa. De acordo com o relatório, os aproximadamente 5,2 milhões de contribuintes nascidos no exterior declararam 87,9 bilhões em rendimentos referentes a 2024 e recolheram 12,6 bilhões em imposto de renda das pessoas físicas, conhecido na Itália como IRPEF.
O estudo também estima um saldo positivo de 1 bilhão nas contas públicas relacionadas à população estrangeira residente, considerando receitas tributárias e previdenciárias e despesas atribuídas a serviços públicos. Os principais números são: 45 bilhões em receitas fiscais e contribuições; 44 bilhões em despesas públicas estimadas; 1 bilhão de saldo positivo; e 12,6 bilhões recolhidos em imposto de renda por contribuintes nascidos no exterior.
Os resultados do relatório apontam para uma economia em transformação, na qual a presença estrangeira participa da geração de riqueza, da criação de empresas e da renovação da força de trabalho. Para brasileiros interessados em viver na Itália, esse cenário reúne perspectivas de desenvolvimento profissional e empresarial, especialmente para aqueles que desejam aproveitar sua formação, experiência ou capacidade empreendedora no mercado europeu. Os números mostram uma Itália que precisa renovar sua força de trabalho e que já conta com uma contribuição expressiva de pessoas nascidas no exterior. Para os brasileiros, existem diferentes caminhos, seja por meio de uma carreira profissional, do empreendedorismo ou da cidadania italiana. O importante é compreender as possibilidades e avaliar qual delas corresponde melhor aos objetivos de cada pessoa, conclui a Dra. Ana Carolina Campara Brittes.

Relatório sobre a Economia da Imigração na Itália




