A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, anunciou que o bloco pedirá aos Estados Unidos que alinhem novas punições econômicas à Rússia, com o objetivo de aumentar a pressão para o fim da guerra na Ucrânia e proteger a infraestrutura do país.
Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança, declarou nesta segunda-feira (12) que o bloco europeu buscará o alinhamento dos Estados Unidos nas sanções impostas à Rússia. A medida tem como objetivo central aumentar a pressão sobre Moscou para garantir o fim da guerra na Ucrânia.
Em reunião em Luxemburgo, Kallas explicou que a estratégia visa forçar a Rússia a recuar diante das consequências econômicas e diplomáticas, consolidando um esforço conjunto entre os aliados ocidentais.
Resumo da situação
- A União Europeia prepara 1.600 novas inclusões na lista de sanções contra a Rússia.
- As novas punições focam no complexo militar-industrial russo e em eleições simuladas em territórios ocupados.
- O bloco europeu considera crucial a proteção da infraestrutura energética ucraniana com a chegada do inverno.
- Há incerteza sobre se a Rússia cumprirá a trégua temporária no setor de energia.
- Kallas destacou que a colaboração com os EUA é vital para sustentar a pressão sobre a Rússia.
Novas punições e pressão militar
De acordo com a diplomata, a União Europeia está em fase de preparação para adicionar 1.600 novos nomes e entidades à lista oficial de sanções. Essas medidas atingem diretamente o setor de defesa e a indústria bélica russa, buscando limitar a capacidade da Rússia de continuar financiando e rearmando suas tropas.
Além da indústria militar, as sanções visam atores políticos envolvidos em processos eleitorais considerados ilegítimos em territórios da Ucrânia que estão sob ocupação russa. O objetivo é isolar diplomaticamente essas estruturas e deslegitimá-las perante a comunidade internacional.
Trégua energética e preparação para o inverno
Kallas avaliou a situação energética da Ucrânia com cautela. Ela afirmou que a União Europeia recebe de forma positiva a trégua temporária no setor de energia, mas alertou que a manutenção desse acordo depende exclusivamente da vontade russa.
A diplomata ressaltou a gravidade da situação com a aproximação do inverno. Para Kallas, a proteção da infraestrutura elétrica e de aquecimento é uma questão de sobrevivência para a população ucraniana, que já sofre com cortes de energia decorrentes dos ataques.
Outros temas na pauta europeia
Além da guerra na Ucrânia, a chefe da diplomacia europeia comentou sobre outras regiões de conflito. Kallas mencionou discussões sobre o Oriente Médio, especificamente a possibilidade de reforçar a Operação Aspides, uma missão naval da UE focada na proteção da navegação comercial no Mar Vermelho.
Outro ponto da agenda envolvia o Líbano. A representante informou que a União Europeia deve decidir em breve sobre o lançamento de uma nova missão no país, que terá componentes tanto civis quanto militares para auxiliar na estabilidade regional.

O primeiro-ministro ucraniano, Denis Chmihal, discursa ao lado de Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, durante encontro em Lviv, na Ucrânia. Crédito: Sergio Volski/AFP


