Christa Pike, condenada à morte, sobreviveu a uma tentativa de execução e agora apresenta melhoras, mas os médicos temem danos cerebrais. Seus advogados divulgaram atualizações sobre sua saúde nesta sexta-feira (9).
Christa Pike, condenada à morte nos Estados Unidos, voltou a andar após sobreviver a uma tentativa de injeção letal no Tennessee. Mas seus advogados temem que ela tenha sofrido danos cerebrais permanentes. Segundo a revista People, nesta sexta-feira (9), a detenta de 50 anos tem dificuldades de memória e concentração. Os médicos dizem que pode levar meses para saber a extensão das possíveis sequelas cognitivas.
Em comunicado divulgado na quinta-feira (8), a equipe jurídica informou que Pike já consegue andar com ajuda pelo quarto do hospital, voltou a se alimentar normalmente e apresenta os pulmões livres de complicações. Apesar da melhora física, seu estado neurológico ainda preocupa.
- Christa Pike é a primeira mulher a passar por uma tentativa de execução no Tennessee em mais de 200 anos.
- A injeção letal falhou e ela ficou inconsciente por vários dias.
- Ela acordou no dia 6 de outubro e perguntou: Onde estou e quem é você.
- A mãe da vítima afirma que Pike nunca mostrou remorso.
- O governador suspendeu as execuções no estado e abriu uma investigação.
Risco de danos cerebrais
Ainda não sabemos exatamente quais serão os efeitos a longo prazo, mas ela claramente ainda não voltou ao normal do ponto de vista cognitivo e pode ter um longo caminho pela frente, afirmou o advogado Stephen Ferrell à ABC News.
O defensor explicou que Christa tem dificuldade para manter o raciocínio durante conversas, chegando a esquecer o que pretendia dizer. É como começar uma frase e perder o fio da meada. Não é que ela não esteja consciente, mas ela não consegue manter o pensamento com muita facilidade, detalhou Ferrell.
Dores e queimaduras
Além das dificuldades cognitivas, Pike continua sentindo dores intensas devido aos ferimentos nos braços. Segundo o advogado, as queimaduras e os danos aos tecidos próximos aos locais das injeções prejudicam até mesmo atividades simples. São queimaduras bastante graves, a ponto de ela ter dificuldade para segurar uma caneta e assinar o próprio nome quando tentou assinar alguns documentos, relatou. Ainda não há previsão de quanto tempo os ferimentos levarão para cicatrizar.
A defesa também destacou as consequências emocionais da experiência. Ela está muito traumatizada por ter passado por esse processo. E, claro, estamos falando de uma pessoa que sofreu traumas ao longo de toda a vida, afirmou Ferrell. De acordo com os representantes, Pike também tem demonstrado preocupação com a família de Colleen Slemmer, jovem de 19 anos pelo qual foi condenada à morte após o assassinato ocorrido em 1995.
Reação da família da vítima
A mãe da vítima, May Martinez, no entanto, contestou a alegação. Em entrevista anterior à People, ela afirmou que nunca recebeu um pedido de desculpas de Pike e reiterou seu desejo de que a sentença seja cumprida. Ela não tem remorso. Nunca demonstrou remorso em 31 anos, declarou.
A falha na execução
A tentativa de execução ocorreu em 30 de setembro, na Penitenciária de Segurança Máxima de Riverbend, em Nashville. Pike recebeu duas doses de pentobarbital, mas sobreviveu ao procedimento. Ela permaneceu inconsciente e ligada a um ventilador mecânico por vários dias, até despertar inesperadamente em 6 de outubro. Segundo o advogado Randy Spivey, suas primeiras palavras teriam sido: Onde estou e quem é você.
Após o procedimento malsucedido, o governador do Tennessee, Bill Lee, suspendeu as execuções programadas no estado e determinou uma investigação independente. Um juiz também ordenou a preservação das provas relacionadas ao procedimento.
Enquanto isso, a defesa de Pike segue pedindo que sua pena de morte seja convertida em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. A detenta foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, ocorrido em janeiro de 1995, quando tinha 18 anos.

Christa Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. (Foto: Divulgação/ Departamento Penitenciário do Tennessee)


