07 de outubro de 2026

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Gaza: 3 anos depois, bombas continuam e plano de paz não funciona

Mundo Gaza 07/10/2026 14:07 Agência Brasil via Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

Três anos após o ataque do Hamas, o plano de paz liderado pelos EUA não avança em Gaza. Bombardeios diários e crise humanitária continuam, com quase 2 milhões de pessoas sofrendo com a falta de ajuda e a destruição.

Nesta quarta-feira (7), faz três anos desde o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. O plano de paz liderado pelos Estados Unidos ainda não avançou na Faixa de Gaza, e Israel continua ocupando 60% do território palestino.

Um relatório da ONU, divulgado na segunda-feira (5), aponta que Israel bombardeia diariamente áreas muito povoadas de Gaza.

  • 1.431 palestinos mortos desde o cessar-fogo de outubro de 2025 (cerca de 4 por dia)
  • Israel mantém controle de 60% do território de Gaza
  • 67% da população enfrenta insegurança alimentar grave
  • Apenas 40% dos US$ 4 bilhões prometidos para ajuda foram entregues
  • Hamas só aceita se desarmar depois que Israel sair, mas Israel quer o contrário

Entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos foram mortos e 147 ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local. Isso eleva para 1.431 o total de mortos desde o anúncio do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025.

A professora de Relações Internacionais da Fecap, Isabela Agostinelli, avalia que a situação dos quase 2 milhões de palestinos não melhorou em nenhum sentido com o suposto cessar-fogo. A situação humanitária ainda é catastrófica. Pouca ajuda humanitária entra, porque Israel controla as fronteiras. O Conselho de Paz presidido por Trump não trouxe paz nem perspectiva de reconstrução, afirmou.

O Ocha, da ONU, destaca que a produção diária de refeições quentes em Gaza vai cair significativamente a partir deste mês por falta de financiamento. Foram transferidos apenas 40% dos US$ 4 bilhões pedidos para ajuda humanitária.

Espera-se que 1,4 milhão de pessoas (67% da população) enfrentem níveis agudos de insegurança alimentar entre julho e dezembro, calcula o Ocha.

Desarmamento do Hamas

O professor de Relações Internacionais da PUC-SP, Bruno Huberman, explica que um dos impasses é o Hamas só aceitar se desarmar depois que Israel sair de Gaza, o que não ocorre. Para Israel desocupar, o Hamas teria que se desarmar. Estamos nesse impasse, e os EUA não estão ajudando a destravar, comentou.

Huberman acrescenta que Israel impede o retorno do comitê tecnocrático de palestinos, sem ligação partidária, que monitoraria a reconstrução. Esses palestinos estão exilados no Egito desde novembro do ano passado, quando Trump anunciou o plano de paz, porque Israel proíbe sua entrada em Gaza.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, diz que só aceitaria transferir o governo civil do Hamas para o Comitê Nacional com total desmilitarização dos grupos palestinos.

Milícias anti-Hamas

A professora Isabela Agostinelli lembra que, enquanto o impasse continua, Israel financia milícias em Gaza para disputar território com o Hamas. O cessar-fogo foi uma falácia. As bombas caíram menos, mas os palestinos continuam sendo mortos, direta ou indiretamente, pelas políticas israelenses, concluiu.

Em junho de 2025, o premiê israelense Benjamin Netanyahu admitiu apoiar grupos armados contra o Hamas para poupar soldados israelenses, segundo o The Times of Israel.

Desesperança palestina

Os três anos da atual fase do conflito testam a resistência do povo palestino. Huberman observa uma apatia inédita nos dez anos em que mantém contato com palestinos. Eles sempre foram famosos pela resiliência, mas hoje vejo uma desesperança que nunca tinha visto, disse.

Por outro lado, ele avalia que o 7 de outubro fortaleceu o plano do partido Likud, de Netanyahu, para os territórios palestinos, e enterrou a posição interna que defendia coexistência pacífica. O campo da paz em Israel deixou de existir, afirmou.

Para ele, o 7 de outubro foi um erro estratégico do Hamas, que não previu a reação de Israel e dos EUA. Debilitou a imagem de Israel, trouxe solidariedade à Palestina, mas a um custo humano gigantesco, e não vemos um Estado palestino sendo criado, disse.

Ao mesmo tempo, o Hamas tem aceitado depor armas em troca da reconstrução, que não começa. O Hamas não se desmilitariza completamente. Enquanto isso, Israel desgasta o Hamas, mata líderes toda semana e arma milícias para substituí-lo, acrescentou.

Cisjordânia

Os especialistas também alertam que a colonização na Cisjordânia se acelerou desde o 7 de outubro. A violência dos colonos contra palestinos tem a anuência do Estado israelense, pondera Agostinelli.

Israel justifica suas ações como combate ao terrorismo e não reconhece o direito dos palestinos às terras. Huberman destaca que os ataques de colonos isolam o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e podem levar a uma aliança entre Fatah, Jihad Islâmica e Hamas para as próximas eleições.

Quase 20 anos depois da última eleição legislativa, a Autoridade Palestina marcou para 28 de novembro a votação para definir o Parlamento que pode substituir Abbas na chefia da organização.