Com 90% dos votos apurados, o bloco liderado por Magdalena Andersson tem vantagem de apenas um assento no Parlamento sobre a coalizão de direita de Ulf Kristersson. A extrema direita recua, mas resultados oficiais podem levar dias.
As eleições gerais da Suécia terminaram sem um vencedor definitivo nesta noite de domingo (13). O resultado final foi apertado, fazendo com que tanto o primeiro-ministro conservador em fim de mandato quanto a oposição de esquerda se declarassem prontos para assumir o governo do país.
A extrema direita, porém, parecia perder terreno eleitoral. Com 90% dos votos apurados, os quatro partidos de oposição liderados pela social-democrata Magdalena Andersson apareciam com uma vantagem mínima de apenas um assento no Parlamento. Eles somavam 175 cadeiras, enquanto a aliança de direita do primeiro-ministro Ulf Kristersson tinha 174.
- A vantagem da esquerda é de apenas 1 assento parlamentar, o que cria incerteza jurídica.
- A extrema direita (partido SD) caiu de 20,5% para 17,6% dos votos.
- Magdalena Andersson será terceira mulher a liderar o país, após breve mandato em 2021.
- Há risco de a direita formar governo caso a esquerda não se una rápido.
- A participação eleitoral na Suécia é tradicionalmente alta, acima de 80%.
Impasse político na Suécia
Por enquanto, estamos na frente. E, se isso for confirmado, a Suécia terá um novo governo, declarou Andersson, de 59 anos, em reunião com apoiadores. Ela foi a primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro do país entre 2021 e 2022. Agora, ela afirmou que sua coalizão está pronta para assumir o comando imediato.
No entanto, o partido de Andersson, que governou o país por boa parte do século XX, teve um desempenho histórico fraco. A legenda obteve cerca de 28% dos votos, marcando o pior resultado em mais de 100 anos de história do partido social-democrata sueco.
Reação da oposição conservadora
O Partido Moderado, liderado por Kristersson, alcançou 19,9% dos votos. O primeiro-ministro afirmou que respeitaria a intenção de Andersson de tentar formar um governo com os outros três partidos da esquerda. Contudo, ele ressaltou que as divergências internas do bloco oposicionista podem dificultar a criação de uma coalizão estável.
A questão de quem governará a Suécia nos próximos anos continua em aberto, afirmou Kristersson. A declaração mantém viva a possibilidade de que a direita permaneça no poder por mais quatro anos, caso a esquerda não consiga se unir em tempo hábil.
Queda da extrema direita
A principal surpresa da eleição foi a retração do Democratas da Suécia (SD), partido de extrema direita. A agremiação 17,6% dos votos, abaixo dos 20,5% registrados em 2022. O recuo indica uma mudança de humor na eleitorado sueco.
Ainda não temos os resultados finais, mas é evidente que perdemos alguns pontos percentuais em comparação com quatro anos atrás, admitiu Jimmie Akesson, líder do SD. Mesmo assim, Akesson destacou que os simpatizantes do partido deixaram de ser vistos como pária política, um avanço de reconhecimento social, mesmo que os números tenham caído.
Demora no apuramento
Devido à diferença minúscula entre os blocos, o resultado oficial pode demorar vários dias para ser confirmado. Por meses, pesquisas indicaram uma vantagem confortável para a esquerda. No entanto, nos dias finais da campanha, a distância diminuiu até se tornar um empate técnico nas últimas horas.
Kristersson, de 62 anos, começou a acreditar na possibilidade de conquistar um novo mandato. Seu objetivo é governar por mais quatro anos para tornar a Suécia grande novamente, uma declaração que reflete o slogan do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Debates sociais e climáticos
Os social-democratas, ainda a principal força política do país, prometeram fortalecer o Estado de bem-estar social. A prioridade declarada foi ajudar as famílias suecas a enfrentar o aumento do custo de vida, tema central que preocupava a população antes do voto.
Na esfera internacional, a ativista climática sueca Greta Thunberg publicou uma mensagem no Instagram. Ela pediu aos candidatos que impedissem qualquer aliança de governo entre a direita e a extrema direita. Nenhum fascista em nosso governo. Justiça climática já!, escreveu a jovem ativista, ligando a política interna à crise ambiental.
Cerca de oito milhões de pessoas estavam aptas a votar nesta eleição em um país de 10,6 milhões de habitantes. A participação eleitoral na Suécia é tradicionalmente superior a 80%, o que confere grande legitimidade ao resultado, mesmo que a apuração completa leve alguns dias.

O partido de centro-esquerda liderado por Magdalena Andersson aparece com vantagem de uma cadeira no Parlamento; Foto de STEFAN JERREVANG


