Eleitores de vários estados americanos participam de primárias que podem definir o tom das eleições de meio de mandato. Minnesota, Wisconsin e Carolina do Sul são os destaques.
Hoje (11), nos Estados Unidos, é um dos dias mais importantes do calendário eleitoral antes da votação geral de novembro. Eleitores de vários estados vão escolher candidatos para disputas que podem ajudar a definir o tom das eleições de meio de mandato de 2026.
Mais do que simplesmente escolher nomes para a cédula de novembro, as primárias desta terça-feira colocam em teste as disputas internas dos dois grandes partidos e mostram quais grupos têm mais força dentro das legendas.
- Minnesota testa a briga entre democratas moderados e progressistas.
- Wisconsin avalia se uma candidatura mais à esquerda consegue vencer em um estado-pêndulo.
- Carolina do Sul mede a influência de Donald Trump no Partido Republicano.
- As primárias podem definir estratégias para as eleições de novembro.
- Resultados serão um retrato antecipado das disputas políticas americanas.
Entre dezenas de eleições, três disputas se destacam: Minnesota, Wisconsin e Carolina do Sul. Cada uma apresenta uma questão diferente para o eleitorado americano.
Em Minnesota
Os democratas escolhem o candidato que vai disputar uma vaga aberta no Senado. A cadeira está sendo deixada pela senadora Tina Smith, que não busca a reeleição.
A disputa coloca frente a frente a deputada federal Angie Craig, considerada uma democrata mais moderada, e a vice-governadora Peggy Flanagan, que representa uma posição mais progressista dentro do partido. A eleição está sendo descrita por especialistas como mais um exemplo da disputa entre a ala progressista e o centro do Partido Democrata.
O resultado interessa nacionalmente porque os democratas vêm discutindo qual estratégia adotar para as eleições de meio de mandato.
De um lado, existe a defesa de candidatos capazes de conquistar eleitores independentes e moderados, especialmente em distritos e estados competitivos. Do outro, há pressão para que o partido adote posições mais próximas de sua base progressista e consiga aumentar a participação de eleitores jovens e liberais.
A disputa em Minnesota, portanto, não trata apenas de quem vai ocupar uma cadeira no Senado. Ela também pode indicar qual corrente do Partido Democrata está ganhando força para as eleições de novembro.
Em Wisconsin
Os eleitores escolhem os candidatos que vão disputar o governo estadual. O governador democrata Tony Evers não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo.
A principal atenção está na primária democrata, onde a deputada estadual Francesca Hong, identificada com a ala socialista-democrata, enfrenta candidatos mais ligados ao establishment do partido, entre eles o executivo do condado de Milwaukee, David Crowley.
Hong ganhou espaço na campanha com uma agenda mais à esquerda. Entre suas propostas está a eliminação do Immigration and Customs Enforcement, o ICE, além de mudanças tributárias e aumento de investimentos sociais.
A questão para os democratas é se uma candidatura mais progressista consegue vencer a primária e depois disputar competitivamente um estado que costuma ter papel decisivo nas eleições nacionais.
Wisconsin é um dos principais estados-pêndulo do país. Por isso, uma eventual vitória de Hong seria observada não apenas como uma decisão estadual, mas como mais um sinal da força da esquerda dentro do Partido Democrata. O resultado também será comparado ao que acontecer em Minnesota.
Carolina do Sul
A Reuters destaca justamente esse cenário: as primárias do Meio-Oeste estão sendo acompanhadas como um teste da energia da esquerda democrata e, no lado republicano, da influência que Donald Trump ainda exerce sobre o partido.
A disputa está relacionada à vaga deixada após a morte do senador Lindsey Graham, republicano que ocupava a cadeira desde 2003. Entre os nomes que disputam a indicação republicana está Darline Graham, irmã do senador, que recebeu o apoio do presidente Donald Trump. Ela enfrenta, entre outros, os deputados federais Russell Fry e Ralph Norman e o ex-governador Mark Sanford.
Aqui, a pergunta é diferente da feita aos democratas no Meio-Oeste. O foco está em até onde vai a influência de Trump sobre o Partido Republicano. O apoio do presidente é uma força importante nas primárias republicanas, mas a disputa mostra que ainda existe competição dentro da legenda e candidatos com trajetórias e perfis diferentes.
Se nenhum candidato obtiver a maioria necessária, a disputa poderá avançar para um segundo turno. Por isso, o resultado será acompanhado como uma medida da força política de Trump dentro do Partido Republicano, especialmente em uma eleição para o Senado, onde cada cadeira pode ser importante para o controle da Casa.
Futuro incerto
Em Minnesota, os democratas testam a disputa entre moderados e progressistas. Em Wisconsin, a questão é saber até onde uma candidatura mais à esquerda consegue avançar em um dos estados mais competitivos do país. E na Carolina do Sul, o teste é para os republicanos e, especialmente, para a capacidade de Donald Trump de influenciar a escolha do partido.
Os resultados não vão determinar hoje quem controlará o Congresso depois de novembro. Mas vão ajudar a definir quais candidatos, quais estratégias e quais correntes políticas chegarão mais fortes à reta final das eleições de meio de mandato.
A eleição geral está marcada para 3 de novembro. O calendário oficial federal confirma que a votação desta terça-feira é uma das últimas grandes rodadas de primárias antes da eleição geral. E é justamente por isso que a votação de hoje funciona como um retrato antecipado das disputas que podem dominar a política americana nos próximos meses.

Primárias Imagem gerada por IA


