A crise migratória na cidade espanhola de Ceuta se agravou. O número de mortos durante a travessia em massa subiu para 100, e milhares de migrantes ainda estão abrigados em centros de acolhimento superlotados, em meio a uma emergência humanitária.
Pelo menos 100 pessoas morreram durante a travessia em massa para a fronteira do território espanhol de Ceuta, afirmou nesta quinta-feira (6) o líder da cidade, Juan Jesús Vivas, durante uma reunião do Parlamento Europeu.
- Cem mortes confirmadas na travessia para Ceuta.
- Entre 3.000 e 5.000 migrantes ainda estão no enclave.
- Centros de acolhimento estão em estado de colapso.
- Comissário da UE diz que crise 'abalou a política de todo um continente'.
- Marrocos é acusado de permitir a travessia em massa.
Dos cerca de 72.000 migrantes que entraram em Ceuta na semana passada, entre 3.000 e 5.000 ainda permaneciam no enclave espanhol, disse Vivas. Ele acrescentou que os centros de acolhimento para migrantes adultos e menores estavam sobrecarregados e haviam chegado a um estado de colapso, provocando uma emergência humanitária de enormes proporções.
O comissário da União Europeia para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brenner, disse aos legisladores europeus que o ocorrido em Ceuta abalou a política de todo um continente.
Ele acrescentou que os controles nas fronteiras internas da Europa devem ser medidas de último recurso, a serem aplicadas apenas quando necessário e de forma proporcional.
Entenda a crise em Ceuta
Ceuta e o outro enclave espanhol no norte da África, Melilla, ficam na costa mediterrânea junto ao Marrocos e enfrentam periodicamente tentativas de travessia por parte de imigrantes que buscam chegar à Europa.
A crise alimentou a retórica anti-imigração em toda a Europa e desencadeou tensões diplomáticas na UE em torno da política de fronteiras, com a Espanha acusando alguns parceiros de uma resposta prejudicial e polarizadora.
Segundo relatos do jornal El País e da rádio Cadena SER, citando autoridades a par do assunto, os serviços de inteligência espanhóis concluíram que o Marrocos não planejou a travessia em massa, mas permitiu que ela ocorresse.
Os controles de fronteira do Marrocos foram gradualmente flexibilizados durante o mês de julho e teriam sido removidos à medida que multidões avançavam em direção à passagem de Tarajal durante o feriado do Dia do Trono marroquino, segundo os relatos.
O Ministério do Interior do país não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Primeiro-ministro espanhol criticou resposta da União Europeia à migração em Ceuta - Antonio Sempere/AP via CNN Newsource


