O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que quer dar ao Irã todas as chances antes de uma possível 'decapitação'. Ele afirma que as negociações estão em andamento, mas o Irã nega. Entenda o que está acontecendo e o que pode acontecer.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (3) que deseja dar ao Irã todas as últimas chances antes de uma possível 'decapitação', após dizer que o regime do país dá sinais contraditórios e que deve escolher entre um acordo ou a 'rendição total'.
A liderança iraniana é inacreditavelmente ambígua. Eles pedem uma reunião - alguns diriam que 'imploram' - as conversas começam, com outras já marcadas para o futuro imediato, e então dizem de forma aberta e orgulhosa que não estão tendo nenhuma conversa (com os EUA), afirmou o republicano em uma publicação na rede social Truth Social.
- Trump quer um acordo com o Irã, mas ameaça atacar se não houver acordo.
- O Irã nega que esteja negociando com os EUA, mas conversa com Omã sobre o estreito de Ormuz.
- O estreito de Ormuz é uma rota importante para o petróleo, e o Irã a fechou, aumentando os preços.
- Trump já ameaçou atacar o Irã várias vezes, mas sempre recuou.
- O Irã quer controlar o estreito e cobrar pedágios, algo que os EUA rejeitam.
Trump ainda disse que o bloqueio ao estreito de Ormuz se mantém e que continuará até que haja um acordo ou a 'rendição total' da República Islâmica. Horas depois, o americano afirmou que as negociações 'estão ocorrendo' e defendeu que 'esta é a última chance de eles assinarem um bom documento' de acordo.
Tomara que o Irã caia em si, disse Trump. As declarações ocorrem após Teerã afirmar mais cedo nesta segunda que não há negociações em andamento com Washington, contradizendo falas de Trump feitas um dia antes.
No domingo (2), o presidente americano afirmou que uma nova rodada de negociações com Teerã começaria nesta segunda e que, por isso, ele havia suspendido novos ataques contra o país persa.
Durante o fim de semana, o republicano repetiu um padrão que vem se consolidando nos últimos meses de conflito. Trump anuncia planos para lançar uma ofensiva contra o Irã, apenas para recuar no último momento.
Não estou procurando matar pessoas, disse Trump a bordo do avião presidencial Air Force One no domingo. 'Neste momento, o que estamos fazendo é conversar com eles, na forma de uma negociação. Isso começa amanhã à tarde', afirmou, sem dar mais detalhes das supostas conversas.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, negou a afirmação nesta segunda. Segundo ele, Teerã não tem planos de receber delegações estrangeiras nem de enviar negociadores ao exterior nos próximos dias.
Baghaei acrescentou que todos os negociadores iranianos estão atualmente no país, com exceção do ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que está em uma peregrinação religiosa no Iraque. As únicas conversas em andamento, segundo ele, são com Omã sobre a gestão do estreito de Ormuz.
Em diversas ocasiões, Trump ameaçou recorrer à ação militar apenas para, posteriormente, citar contatos diplomáticos como motivo para recuar. Desta vez, não foi diferente. O presidente ameaçou atacar o Irã 'com muita força', mas voltou atrás ao afirmar que a estrutura de um acordo já estava sobre a mesa.
No momento, não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo estreito de Ormuz, disse Baghaei a jornalistas, ao negar as declarações de Trump.
Ormuz tornou-se um dos principais obstáculos nos esforços para encerrar o conflito. O Irã fechou essa rota, disparando contra navios comerciais que tentassem furar o bloqueio. Antes da guerra, a passagem pelo estreito era livre, mas agora Teerã insiste em manter o controle e cobrar pedágios, algo que Washington rejeita.
Baghaei declarou à televisão estatal que um acordo com Omã estava prestes a ser concluído. O Irã vem rejeitando publicamente qualquer negociação com Washington desde que um memorando de entendimento firmado em junho, destinado a encerrar o conflito, fracassou no mês passado.
Trump ainda não alcançou os objetivos que estabeleceu no início da guerra: desmantelar o programa nuclear iraniano, reduzir sua capacidade de atacar rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seu governo clerical.
As sucessivas escaladas promovidas pelos EUA foram respondidas por ações cada vez mais intensas do Irã contra forças americanas na região, aliados árabes de Washington no Golfo e embarcações comerciais, terminando, em cada ocasião, com um recuo de Trump.
A disputa por Ormuz continua sendo um dos principais pontos de conflito. Até agora, Washington não conseguiu obrigar o Irã a abrir mão de seu controle sobre essa rota, o que elevou os preços globais do petróleo e pressionou os preços da gasolina nos EUA, um tema sensível para a política interna americana.
O incidente mais recente na região foi registrado durante a madrugada desta segunda-feira, quando o órgão britânico de segurança marítima UKMTO informou que o comandante de uma embarcação relatou uma explosão na água nas proximidades do navio. Não houve feridos.



