Keiko Fujimori, a nova presidente do Peru, pediu que os partidos políticos se unam para acabar com a crise no país. Ela toma posse no dia 28 de julho e precisa de apoio no Congresso para governar e combater o crime que cresce muito.
A conservadora Keiko Fujimori pediu uma reconciliação entre as forças políticas do Peru para encerrar uma década de instabilidade no país. O apelo foi feito nesta quarta-feira, durante a cerimônia em que recebeu oficialmente as credenciais de presidente eleita.
- Keiko Fujimori, de 51 anos, venceu a eleição por uma diferença pequena de votos contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez.
- Ela vai ser a nona pessoa a governar o Peru desde 2016, mostrando como o país teve muitos presidentes em pouco tempo.
- O país enfrenta uma crise de violência: em 2025, foram registradas 26,5 mil denúncias de extorsão, um número nove vezes maior que cinco anos antes.
- O principal desafio de Keiko será governar sem ter a maioria dos deputados no Congresso, o que pode dificultar a aprovação de leis.
- A vitória de Keiko marca o retorno da família Fujimori ao poder, mais de 20 anos depois do governo de seu pai, Alberto Fujimori.
Aos 51 anos, Fujimori venceu o segundo turno por uma margem apertada contra o candidato de esquerda Roberto Sánchez. Ela assumirá a Presidência em 28 de julho, no lugar do atual chefe de Estado interino, José Maria Balcázar, e terá mandato até 2031.
A líder do partido Fuerza Popular será a nona pessoa a ocupar o cargo desde 2016. Nos últimos anos, o Peru enfrentou sucessivas crises políticas, com presidentes destituídos pelo Congresso ou obrigados a renunciar diante da ameaça de impeachment.
"Pensar de forma diferente não nos transforma em inimigos. A reconciliação nacional não significa esquecer as diferenças, mas aprender a construir a partir do que nos une", afirmou Fujimori no Teatro Nacional de Lima.
A presidente eleita também declarou que nenhum governo conseguirá fazer o país avançar enquanto a divisão política continuar sendo alimentada. Ela convocou partidos, instituições públicas, entidades profissionais e universidades a colaborar com a nova gestão.
A vitória representa o retorno do fujimorismo ao poder mais de duas décadas depois da queda de Alberto Fujimori, pai da presidente eleita, que governou o Peru entre 1990 e 2000. A trajetória do ex-presidente permanece como uma das principais divisões da sociedade peruana.
Derrotado na eleição, Roberto Sánchez descartou qualquer possibilidade de reconciliação. O político acusou o grupo parlamentar ligado a Fujimori e outras forças do Congresso de protegerem a ex-presidente Dina Boluarte das acusações relacionadas à morte de dezenas de manifestantes durante o governo dela, entre 2022 e 2025.
"Como poderíamos ir beijar sua mão A primeira coisa que a senhora Fujimori deveria fazer é se ajoelhar e pedir perdão", afirmou Sánchez diante de apoiadores reunidos na sede de seu partido, em Lima.
Na avaliação do cientista político Eduardo Dargent, Fujimori terá dois desafios imediatos: construir condições de governabilidade sem maioria no Congresso e cumprir a promessa de enfrentar o avanço da criminalidade.
A insegurança e a atuação de organizações criminosas estiveram entre as maiores preocupações dos eleitores. Em 2025, o Peru registrou cerca de 26,5 mil denúncias de extorsão, número nove vezes maior do que o contabilizado cinco anos antes.

Keiko Fujimori, presidente eleita do Peru. Crédito: Lusa


