O governo dos Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, prendeu mais de 3.800 imigrantes em apenas três dias. A maioria é acusada de crimes graves, como assassinato e estupro. A ação faz parte de uma nova estratégia para acelerar as deportações em todo o país.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos informou que agentes federais prenderam mais de 3.800 imigrantes em situação irregular em apenas três dias. Essa é mais uma etapa da ofensiva migratória do governo do presidente Donald Trump.
- Mais de 3.800 imigrantes foram presos em apenas três dias nos EUA
- Entre os presos há pessoas acusadas de crimes como assassinato e estupro
- A operação foi feita pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE)
- O governo não divulgou quantos detidos não tinham condenações criminais
- A capacidade dos centros de detenção subiu para cerca de 39 mil pessoas
Segundo o governo americano, a operação foi conduzida pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e faz parte da estratégia de ampliar as prisões e acelerar os processos de deportação em todo o país. O DHS não informou em quais estados ocorreram todas as detenções nem divulgou um balanço detalhando quantos presos pertencem a cada categoria criminal.
Em nota, o Departamento de Segurança Interna afirmou que, entre os presos, estão pessoas acusadas ou condenadas por crimes graves, incluindo homicídio, estupro, abuso sexual contra crianças, tráfico de drogas, participação em organizações criminosas e outros delitos violentos. Entretanto, o governo não publicou a quantidade de presos em cada uma dessas categorias, limitando-se a divulgar alguns casos individuais considerados de maior repercussão.
A nova ofensiva acontece poucos dias depois de outra operação de grande porte. Dados obtidos pela Associated Press mostram que o ICE realizou cerca de 10 mil prisões em um período de cinco dias, no fim de junho, o equivalente a uma média próxima de 2 mil detenções por dia. Segundo a reportagem, trata-se de uma das maiores acelerações das operações migratórias desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
De acordo com autoridades americanas, a estratégia mudou nas últimas semanas. Em vez de concentrar grandes operações em cidades específicas, o ICE passou a realizar ações simultâneas em diversas regiões do país, reduzindo a divulgação prévia das operações, mas mantendo um ritmo elevado de detenções.
O DHS afirma que a prioridade continua sendo localizar e deportar imigrantes em situação irregular que representem ameaça à segurança pública. Em nota, o órgão declarou que suas equipes estão cumprindo a promessa do presidente Trump de prender e deportar criminosos ilegais, incluindo assassinos, estupradores, pedófilos, integrantes de gangues e terroristas.
Especialistas, porém, observam que as operações não atingem apenas pessoas com antecedentes criminais. Nas últimas semanas, advogados de imigração relataram detenções de imigrantes durante comparecimentos obrigatórios ao ICE, em audiências de imigração, em abordagens nas ruas e durante fiscalizações de trânsito. Embora o governo sustente que a prioridade são criminosos, não divulgou quantos dos mais de 3.800 detidos não possuíam condenações criminais.
O aumento das prisões também pressiona a estrutura do sistema migratório americano. Informações obtidas pela Associated Press mostram que o número de pessoas mantidas em centros de detenção do ICE subiu para aproximadamente 39 mil, depois de permanecer por vários meses em torno de 30 mil detidos.
Enquanto isso, a atuação do ICE também enfrenta questionamentos. Nesta semana, a agência suspendeu temporariamente a maior parte das abordagens de trânsito após duas mortes ocorridas durante operações no Texas e no estado do Maine. Os casos estão sendo investigados e aumentaram as críticas de organizações de direitos humanos sobre o uso da força e a transparência das operações migratórias.
Mesmo diante das críticas, o governo Trump afirma que continuará intensificando as ações de fiscalização. O DHS reforçou que qualquer pessoa que permaneça ilegalmente nos Estados Unidos pode ser localizada, presa e colocada em processo de deportação, reafirmando que a política migratória seguirá como uma das principais prioridades da administração federal.

Agentes federais de imigração durante operação na Califórnia - ALLISON DINNER/EFE/EPA


