13 de julho de 2026

?? ºC São Paulo - SP
?? ºC Salvador - BA
?? ºC Cuiabá - MT

Mudanças no green card: entenda as novas regras para imigrantes nos EUA

Mundo Imigração 13/07/2026 15:52 Dra. Ingrid Domingues-McConville

Um novo memorando do governo dos Estados Unidos está deixando muitos brasileiros preocupados. Mas será que a lei realmente mudou? A verdade é que a lei principal, que permite pedir o green card dentro do país, continua a mesma. O que mudou foi uma orientação interna para os oficiais de imigração serem mais rigorosos na análise dos pedidos. Isso significa que estudantes, trabalhadores e pessoas com vistos de turista podem ter que passar por uma análise mais detalhada, mas não precisam entrar em pânico. O caminho para conseguir o green card ainda está aberto, e ter um advogado de imigração é essencial para entender cada caso.

BRA 1

Nas últimas semanas, a imprensa noticiou que os Estados Unidos teriam mudado as regras do green card, afetando estudantes e trabalhadores brasileiros. Isso gerou preocupação, mas um ponto importante passou despercebido: a lei não mudou. O que existe é um memorando interno da USCIS, de 21 de maio de 2026, que orienta os oficiais de imigração a serem mais criteriosos. Na prática, eles sempre tiveram esse poder de análise, mas agora vão pedir mais documentos e fazer perguntas mais detalhadas. O caminho para pedir o green card dentro dos EUA continua aberto e garantido por lei.

  • A lei principal do green card (Seção 245 do INA) não foi alterada e só pode ser mudada pelo Congresso dos EUA.
  • O memorando da USCIS é apenas uma orientação interna para os oficiais, não uma nova lei.
  • Os oficiais agora podem pedir mais documentos (RFEs) e fazer análises mais profundas do histórico de cada pessoa.
  • Vistos de turista (B-1/B-2) e de estudante (F-1) podem ter uma análise mais cuidadosa, enquanto vistos de trabalho (H-1B, L-1) são menos afetados.
  • Casos de casamento também podem ser investigados com mais atenção, mas o processo de ajuste de status continua sendo um direito garantido.

Justamente por misturar insegurança real e desinformação, o assunto pede uma leitura técnica e serena. A Dra. Ingrid Domingues-McConville, advogada de imigração nos EUA há mais de 31 anos, separa o que de fato mudou do que virou boato, explica quem deve redobrar a atenção e por que, com a Copa do Mundo ainda sob os holofotes, a recomendação mais madura é acompanhar sem entrar em pânico.

O que realmente mudou

O ponto mais importante é que a lei não mudou. O ajuste de status é um direito previsto na Seção 245 do INA (Immigration and Nationality Act), aprovada pelo Congresso. Só o próprio Congresso pode revogá-la. Nenhum memorando administrativo, de qualquer presidente, tem esse poder.

O que existe é um memorando, de 21 de maio de 2026, que é uma orientação interna da USCIS aos seus oficiais. A discricionariedade dos oficiais já existia. Sempre existiu. Todo pedido de I-485 sempre dependeu da aprovação discricionária do oficial responsável, não basta atender aos requisitos técnicos, é preciso que o oficial entenda que o caso merece o benefício.

O que o memorando faz é enfatizar e redirecionar o uso dessa discricionariedade, pedindo aos oficiais que sejam um pouco mais criteriosos, especialmente em casos onde a conduta do solicitante pareça inconsistente com o propósito do visto original. Não é uma regra nova. É uma mudança de ênfase administrativa dentro de uma autoridade que sempre esteve lá.

O press release da USCIS e o porta-voz, ao dizerem que "estrangeiros devem voltar ao país de origem", deram à imprensa uma leitura mais dramática do que o memorando em si autoriza. O texto do memorando não diz isso. Diz que ajuste de status é, juridicamente, um benefício discricionário, algo que a jurisprudência e a Suprema Corte já vinham dizendo há décadas.

Como brasileiros nos EUA podem ser afetados

O memorando já está em vigor e se aplica também a pedidos pendentes. Mas isso não significa que pedidos serão automaticamente negados ou que pessoas precisem sair do país.

O que muda na prática: oficiais podem fazer perguntas adicionais (RFEs) com mais frequência; a análise pode olhar mais a fundo para o histórico migratório; casos com fatores negativos (overstay, mudança de propósito do visto) recebem escrutínio maior; vistos de intenção única (F-1, B-1/B-2) tendem a receber análise mais cuidadosa do que vistos de dupla intenção (H-1B, L-1); casos de casamento também podem ser investigados com mais cuidado.

Mas o caminho do ajuste de status dentro dos EUA continua aberto, juridicamente garantido por lei, e milhares de pedidos continuarão sendo aprovados. Mas temos que lembrar que não é por si um "direito", mas um privilégio concedido pelos EUA.

Não há motivo para caos, nem para decisões precipitadas. Quem tem um pedido de ajuste pendente, ou está planejando entrar com um, deve simplesmente conversar com seu advogado de imigração para revisar o caso individualmente. Cada situação tem seus próprios fatores, e o advogado é quem vai dizer se vale a pena reforçar a documentação, antecipar questionamentos, ou seguir o curso normal.

O que esperar nos próximos meses

Algumas tendências razoáveis de se observar, sem especular demais: desafios judiciais vão acontecer, e historicamente várias dessas políticas administrativas têm sido suspensas ou ajustadas por cortes federais. Vale acompanhar. A USCIS deve continuar com maior rigor administrativo em diferentes tipos de pedido, não só I-485. Há sinais de que pressão política e judicial têm moderado algumas medidas (asilo, por exemplo, já passou por algum recuo). A Copa do Mundo em junho-julho de 2026 cria um incentivo político para o governo evitar imagens muito agressivas contra estrangeiros nesse período.

Tudo isso reforça uma postura simples e madura: acompanhar, não entrar em pânico, e ter um advogado de confiança revisando cada caso individualmente. Memorandos vêm e vão; a lei permanece.