03 de julho de 2026

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Quem é Keiko Fujimori, a nova presidente do Peru?

Mundo Eleição 03/07/2026 15:20 Da CNN Brasil cnnbrasil.com.br

Keiko Fujimori venceu a eleição presidencial do Peru pela primeira vez, após quatro disputas no segundo turno. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori e fez campanha prometendo mais ordem e segurança no país.

Keiko Fujimori foi confirmada como a vencedora da eleição presidencial do Peru nesta sexta-feira (3). Ela derrotou o deputado de esquerda Roberto Sánchez em uma disputa muito acirrada.

Esta foi a quarta vez que Keiko chegou ao segundo turno da votação para a Presidência e a primeira vez que ela venceu.

  • Keiko Fujimori, de 51 anos, é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que morreu em 2024.
  • Ela venceu a eleição com uma diferença muito pequena de votos, mostrando como o país está dividido.
  • A campanha dela foi baseada na promessa de trazer mais ordem e segurança para o Peru.
  • Esta foi a quarta vez que ela disputou o segundo turno de uma eleição presidencial.
  • Keiko já foi presa em 2018 sob suspeita de receber dinheiro ilegal de uma construtora, mas o caso foi anulado.

Neste ano, ela fez campanha com uma plataforma de linha dura contra o crime, lembrando o legado de seu falecido pai, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori.

Keiko nunca pensou em ser política

Keiko Fujimori tem 51 anos. Ela nasceu em Lima em 25 de maio de 1975 e é a mais velha dos quatro filhos de Alberto Fujimori, que faleceu em 2024, e Susana Higuchi, que faleceu em 2021.

Em um vídeo publicado em seu canal no YouTube, ela contou que, quando era jovem, não pensava em entrar para a política, mas sim em ser empresária. Por isso, estudou Administração de Empresas e fez mestrado nos Estados Unidos.

Nunca esteve nos meus planos ser política. Mas, uma vez que decidi, tinha que fazer direito, explicou.

Ela contou que sua vida mudou em 2005, quando o pai ligou para dizer que estava sendo investigado e que poderia ser preso. Ele também a convidou para se candidatar ao Congresso nas eleições do ano seguinte.

Keiko aceitou, concorreu pela Aliança para o Futuro e conquistou uma cadeira no Congresso, um passo que marcou sua entrada definitiva na vida pública peruana.

Em 2007, quando era congressista, o pai foi extraditado do Chile para o Peru, onde, em 2009, foi condenado a 25 anos de prisão por homicídio qualificado e lesão corporal grave em dois casos conhecidos como Barrios Altos e La Cantuta.

Tanto o ex-presidente quanto sua família rejeitaram as acusações e lutaram por sua liberdade. Em dezembro de 2023, o Tribunal Constitucional do Peru validou o indulto humanitário concedido a ele em 2017 pelo então presidente Pedro Pablo Kuczynski.

Foco em ordem e referências a Alberto Fujimori

Antes do primeiro turno das eleições deste ano, Fernando Tuesta, cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Peru, destacou que uma das marcas das campanhas de Keiko Fujimori foi sua postura em relação à presidência do pai, Alberto.

Em 2011, segundo o especialista, ela se apresentou como a herdeira do ex-presidente, enquanto em 2016 se distanciou um pouco e, em 2021, voltou a abraçar esse legado.

Agora, 25 anos após o fim do governo do pai dela, ela está baseando sua campanha na memória do governo do pai, e seu ponto central de campanha é o que ela chama de 'ordem', disse o analista.

Yadira Gálvez, professora da Universidade Nacional Autônoma do México, concordou que essa promessa de ordem foi uma das ideias principais na campanha de Keiko, com políticas de direita que atendem à demanda dos cidadãos por mais segurança.

De acordo com o especialista, a candidata teve a vantagem de ser uma das figuras públicas mais conhecidas do Peru, mas foi prejudicada tanto pelo legado controverso do pai quanto pelas acusações de corrupção que pesam contra ela.

Propostas de Keiko Fujimori

Em seu Plano de Governo, na área de segurança, Fujimori propõe a criação de centros de comando e vigilância interligados em todo o país, com mapas de criminalidade em tempo real, que usem inteligência artificial para fazer análises e ajudar na coordenação de emergências.

Para combater a corrupção, a candidata propõe fortalecer os processos de controle do orçamento e aumentar os poderes da Controladoria-Geral da República. Na área econômica, ela inclui um plano para reduzir a burocracia que as pequenas e médias empresas precisam enfrentar, para evitar o que ela chama de custos desnecessários.

Keiko Fujimori foi presa em 2018

Em 2017, foi anunciado que Keiko estava sendo investigada por supostamente ter recebido dinheiro da construtora Odebrecht para financiar suas campanhas presidenciais, algo que ela negou repetidamente.

Ela foi detida por este caso em 2018 e permaneceu na prisão durante 13 meses, até que, em 2019, o Tribunal Constitucional do Peru aceitou um recurso apresentado por sua família para que ela pudesse enfrentar o julgamento em liberdade.

Posteriormente, o tribunal anulou o caso e declarou sem efeito o julgamento contra ela por lavagem de dinheiro.

Quando apresentou sua quarta candidatura presidencial, em outubro do ano passado, Keiko afirmou que foi perseguida.

Três campanhas, três segundos turnos e três derrotas

Em 2009, Keiko Fujimori se mobilizou para fundar a Fuerza Popular, um partido político que se define como defensor do legado do falecido ex-presidente Alberto Fujimori.

Fernando Tuesta, o cientista político da Pontifícia Universidade Católica do Peru, disse à CNN que o Fuerza Popular ajudou sua fundadora a manter uma presença constante na vida política do país, com uma média de votos em torno de 15% e uma plataforma que lhe permitiu se candidatar à presidência em 2011, 2016, 2021 e 2026.

Ela construiu o partido que seu pai nunca quis construir. O que Alberto Fujimori fez durante seus 10 anos no governo foi construir um movimento chamado Fujimorismo, e Keiko transformou isso em uma organização. É uma organização que lhe permitiu ter uma base permanente de intenções de voto, explicou o especialista.

Como candidata à Presidência, Fujimori chegou ao segundo turno em 2011, quando o partido Fuerza Popular concorreu como Fuerza 2011 e obteve cerca de 48% dos votos, ficando atrás de Ollanta Humala, com 51%.

Em 2016, perdeu no segundo turno para Pedro Pablo Kuczynski, com 49,880% contra 50,120%.

Em 2021, os números foram novamente apertados: ela conquistou 49,874% dos votos, contra 50,126% de Pedro Castillo.