28 de junho de 2026

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Número de mortos por terremoto na Venezuela sobe para 1.450

Mundo Terremoto 28/06/2026 17:09 AFP - Jovem Pan jovempan.com.br

O governo da Venezuela atualizou o número de mortos após os fortes terremotos que atingiram o país. O último balanço oficial, divulgado no sábado, era de 1.430 mortos. Agora, o total de vítimas fatais subiu para 1.450, com milhares de feridos e desaparecidos.

Milhares de socorristas, familiares e voluntários cavam dia e noite entre montanhas de concreto para encontrar sobreviventes dos terremotos ocorridos há mais de três dias na Venezuela. Até este domingo (28), os tremores deixaram quase 1.500 mortos e dezenas de milhares de desaparecidos.

O tempo passa e a esperança de encontrar pessoas com vida diminui depois de mais de 90 horas do duplo terremoto que, na quarta-feira (24), atingiu este país que já enfrenta uma grave crise política e econômica. Com magnitudes de 7,2 e 7,5, e ocorrendo com poucos segundos de diferença, foram os mais fortes e devastadores já registrados na América Latina.

  • O terremoto duplo, de magnitudes 7,2 e 7,5, foi o mais forte já registrado na América Latina.
  • Mais de 1.450 pessoas morreram e 3.150 ficaram feridas até o momento.
  • A ONU calcula que mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
  • A cidade litorânea de La Guaira, perto de Caracas, foi a mais atingida e parece uma zona de guerra.
  • Os Estados Unidos enviaram ajuda de 150 milhões de dólares, além de navios e helicópteros para ajudar no resgate.

A cidade litorânea de La Guaira, a 40 km de Caracas, parece uma zona de guerra. Dezenas de edifícios desabaram como castelos de cartas e se transformaram em montanhas de areia e escombros.

Com apoio de brigadas internacionais, os trabalhos de resgate avançam, embora a população não esconda sua revolta pela lentidão e pouca ajuda do governo. Socorristas com cães se movem entre as ruínas, enquanto helicópteros e aeronaves americanas Osprey V-22 sobrevoam a área.

"Sabemos que estão mortos"

"Não temos apoio para retirar nossos familiares, nós mesmos não conseguimos", disse Héctor Aguilera, de 60 anos, à AFP. Quatro de seus parentes ficaram soterrados sob um prédio que desabou. Dois corpos foram recuperados sem vida.

"Sabemos que estão mortos, mas aqui estamos, esperando a resposta das autoridades", acrescentou. "Não temos esperanças, o que me restam são as lembranças".

O último balanço oficial é de 1.450 mortos, 20 a mais que no sábado (27), e 3.150 feridos. O governo evita falar em desaparecidos, número que as Nações Unidas calcula em mais de 50 mil.

Um painel digital mostra cartazes gigantes de pessoas desaparecidas em uma avenida da capital, onde bairros inteiros ficaram com imóveis reduzidos a pó.

"Não acredito que haja chances de vida. Lamentável, mas essa é a realidade", disse José Miguel Escobar, de 63 anos, que ajuda na remoção dos escombros em um bairro da capital. "Após 96 horas, imagino que vão deixar apenas a busca por cadáveres".

A presidente Delcy Rodríguez disse que 33 pessoas foram encontradas com vida no sábado e publicou nas redes sociais o resgate de um menino de 11 anos. Rodríguez governa a Venezuela de forma interina após a captura, em janeiro, de Nicolás Maduro durante uma ação dos Estados Unidos.

"Nos vimos cercados pelos mortos"

La Guaira já havia sido devastada em 1999 por chuvas e deslizamentos que deixaram mais de 10 mil mortos. Imagens aéreas feitas pela AFP mostram o novo nível de destruição. Prédios transformados em uma espécie de mil-folhas, e os que permaneceram de pé estão sem paredes, rachados, inabitáveis.

O chefe da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, um dos porta-vozes na crise, disse, ao apresentar o último balanço, que 189 edifícios sofreram colapso total e que o total de imóveis afetados é de 774.

A ONU estima que os terremotos podem deixar quase sete milhões de afetados e danos materiais de 6,7 bilhões de dólares (cerca de 34,6 bilhões de reais), o que representa 6% do PIB do país petrolífero.

"Isso é algo de outro mundo, ver prédios desabando é algo que só tínhamos visto em filmes", disse José Contreras, segurança em um ambulatório com um pequeno necrotério para quatro corpos. O odor de decomposição impregna tudo.

"Nos vimos cercados pelos mortos", relatou. "Muitas pessoas que conheço já não estão mais aqui".

O governo militarizou La Guaira e impôs a exigência de uma permissão para que socorristas, médicos e voluntários possam acessar a região do desastre. "Uma permissão para salvar vidas, imagina só", reclamou Carlos Itriago, socorrista de 27 anos.

Também tenta controlar a cobertura da imprensa internacional. Os jornalistas são levados de ônibus a determinadas áreas de La Guaira, segundo o governo, para evitar epidemias.

O papa Leão XIV expressou sua solidariedade com os venezuelanos e sua "gratidão e incentivo a todos os que trabalham com generosidade nas tarefas de busca e assistência" durante uma mensagem em espanhol após a oração do Angelus.

A solidariedade é abundante, assim como as denúncias de roubos e saques. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um homem que expulsa de sua casa um militar e outro funcionário que encontra revirando tudo. Há áreas com edifícios desabados às quais a ajuda ainda não chegou. Resta somente o silêncio.

Um grupo de familiares de desaparecidos bloqueou uma rodovia em La Guaira para exigir assistência. Mas os veículos de socorro seguiram seu caminho.

"Muito caótico"

O aeroporto internacional que atende Caracas reabriu parcialmente no sábado e recebe, desde então, voos de carga com ajuda dos Estados Unidos, informou à imprensa uma autoridade americana de alto escalão, sob condição de anonimato.

A autoridade também destacou que um navio militar anfíbio encontra-se agora na costa da Venezuela para coordenar voos de resgate em La Guaira. Os Estados Unidos ofereceram 150 milhões de dólares (775 milhões de reais) e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela.

A presidente informou que 24 países enviaram mais de 2.700 socorristas e 521 toneladas de ajuda humanitária, e afirmou que há 86 unidades estrangeiras com cães treinados para localizar sobreviventes sob os escombros.

A crise econômica na Venezuela afetou gravemente os hospitais e os serviços públicos. Milhões de venezuelanos se exilaram nos últimos anos.