Os candidatos à presidência da Colômbia, Abelardo De La Espriella e Ivan Cepeda, têm planos diferentes para lidar com a violência e os grupos armados. Um deles quer usar mais força militar, enquanto o outro aposta em negociações de paz. A população está preocupada com a segurança, que piorou nos últimos anos.
O próximo presidente da Colômbia terá o grande desafio de recuperar o controle das áreas tomadas por grupos armados ilegais. Esses grupos cresceram muito nos últimos anos. Além disso, o novo líder precisará trabalhar para diminuir a violência e resolver outros problemas de segurança, segundo analistas.
A eleição presidencial deste domingo (21) coloca frente a frente duas formas bem diferentes de pensar o futuro do país, que viveu seis décadas de conflito interno e teve mais de 450 mil mortos.
- O candidato de direita, Abelardo De La Espriella, quer usar o Exército com mais força contra os grupos armados, o narcotráfico e o crime organizado.
- O candidato de esquerda, Ivan Cepeda, prefere continuar tentando acordos de paz com esses grupos.
- O número de pessoas em grupos armados quase dobrou entre 2022 e 2026, passando de 13 mil para 25 mil.
- Um quarto das cidades colombianas tem presença ou ação de grupos armados, como o Clã do Golfo e o ELN.
- A extorsão e os pequenos crimes aumentaram nas grandes cidades, deixando a população com mais medo.
O candidato de direita Abelardo De La Espriella, de 47 anos, promete uma ofensiva militar forte contra grupos armados, narcotráfico e crime organizado. Ele é advogado e novato na política. As pesquisas mostram que ele pode ir para o segundo turno.
Ele também promete acabar com as negociações de paz que não deram resultados nos quatro anos de governo do atual presidente, Gustavo Petro, que é de esquerda.
Já o senador Ivan Cepeda, de 63 anos, quer dar continuidade às negociações de paz. Ele quer aprovar uma lei que permita que gangues recebam benefícios legais em troca de se desfazerem de suas organizações.
A segurança foi o assunto principal desta campanha. Foi isso que fez De La Espriella vencer no primeiro turno, disse o analista político Eduardo Pizarro. Ele afirmou que a sensação de insegurança aumentou nas cidades, com preocupações sobre extorsão e pequenos delitos. Ao mesmo tempo, a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais a população.
Não importa quem vença, os ataques de grupos armados podem aumentar, já que eles vão querer mostrar sua força e conseguir vantagens em possíveis negociações, disse um oficial aposentado que fazia parte do alto comando militar. O próximo governo precisa entender que o país não precisa só de mais segurança ou só de negociação. Precisa das duas coisas juntas, afirmou.
O próximo governo deve reconstruir as forças armadas, melhorar a inteligência e reduzir os lucros dos grupos criminosos, disse Pizarro.
Segundo dados oficiais, os homicídios e roubos diminuíram na maioria das grandes cidades. Já a extorsão aumentou em pelo menos uma área urbana. Um relatório de segurança mostrou que os grupos armados quase dobraram de tamanho entre 2022 e o primeiro semestre de 2026. Eles passaram de 13 mil para 25 mil integrantes.
Entre esses grupos estão o Clã do Golfo, facções que saíram das antigas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o ELN (Exército de Libertação Nacional). Eles cresceram principalmente em áreas rurais, que são importantes para o tráfico de drogas e a mineração ilegal.
Um quarto dos municípios do país tem presença ou atividade desses grupos armados, segundo a ouvidoria. Fontes de segurança disseram que o presidente Petro afastou do serviço mais de 70 generais do exército e da polícia, incluindo especialistas em inteligência. Isso reduziu a capacidade de ação das forças de segurança.
Guerra, negociação ou as duas coisas
Um ex-general afirmou que combater os grupos armados também vai exigir que as Forças Armadas tenham mais capacidade de se movimentar. Grande parte dos helicópteros Black Hawk (fabricados nos EUA) e Mi-17 (fabricados na Rússia) está parada por falta de peças de reposição.
O general disse ainda que o governo deve criar um programa para ajudar os agricultores a trocarem o cultivo da coca (planta usada para fazer cocaína) por outras culturas. Não será fácil, há muito trabalho a fazer, mas é possível, afirmou.
O Ministro da Defesa, Pedro Sánchez, defendeu o trabalho do governo. Ele disse que, sob a gestão de Petro, quase 16 mil integrantes de grupos armados foram retirados do conflito, principalmente por meio de capturas e rendições.
Sánchez também citou que a destruição de máquinas usadas na mineração ilegal aumentou 60%. E que foram apreendidas 3.300 toneladas de cocaína, quase o mesmo total de confiscos dos três governos anteriores.
Alguns procuram promover o medo para depois vender esperança. Eles criam um problema, ou aumentam ele, ou exageram, e depois tentam vender uma solução. Na Colômbia, fazem isso com a questão da segurança, disse Sánchez.
O chefe da polícia afirmou que não se pode combater o crime só com armas, porque ele está ligado a autoridades corruptas e redes criminosas internacionais. Ele disse que os programas de substituição de culturas, a legalização da mineração informal e o investimento em saúde, educação e estradas fazem parte de uma estratégia maior.
Além de melhorar o controle do território e a inteligência das forças armadas, é preciso avançar no acordo de paz de 2016 com as antigas Farc. Esse acordo incluía reformas sociais em áreas rurais que ainda não foram feitas, disse a Fundação Ideias para a Paz (FIP). Não podemos cair na visão simplista de escolher entre paz e segurança, afirmou a fundação.

Soldados do Exército da Colômbia. Reprodução/@ejercitonacionalcolombia




