O grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, disse não ao acordo de cessar-fogo que dependia de condições específicas propostas por Israel e pelos Estados Unidos. O grupo quer um cessar-fogo completo e a saída total das tropas de Israel do território libanês, afirmando que qualquer outra coisa seria uma rendição.
O grupo pró-Irã Hezbollah rejeitou a trégua condicional anunciada pelas autoridades libanesas e israelenses nesta quinta-feira (4), exigindo, em vez disso, um cessar-fogo abrangente e a retirada de Israel do Líbano.
O cessar-fogo deve ser global () e sem a permissão para matar em nome do inimigo no Líbano, disse o líder do Hezbollah, Naim Qasem, em uma mensagem transmitida pelo canal Al Manar, pertencente ao seu movimento.
- O Hezbollah é um grupo político e militar do Líbano que não quer parar a guerra se Israel continuar no país.
- O acordo proposto pedia que o Hezbollah se afastasse da fronteira com Israel, mas o grupo se recusou.
- Israel disse que seus ataques vão continuar e que tem liberdade para agir, com apoio dos EUA.
- Mais de 3.500 pessoas morreram no Líbano desde o começo dos combates, em março.
- O Irã, que apoia o Hezbollah, exige a saída de Israel do Líbano como condição para um acordo maior com os EUA.
Enviados israelenses e libaneses realizaram a quarta rodada de negociações em Washington na quarta-feira. Eles concordaram com um cessar-fogo condicionado à suspensão dos ataques do Hezbollah e à retirada de todos os membros do grupo da área ao sul do rio Litani, que fica aproximadamente 30 quilômetros ao norte da fronteira entre Líbano e Israel.
Rendição e derrota
Para Qasem, uma retirada do Hezbollah equivaleria a rendição e derrota. Um alto funcionário do Hezbollah, falando sob condição de anonimato, confirmou à AFP que o grupo rejeita o cessar-fogo. A decisão foi comunicada ao presidente do Parlamento, Nabih Berri, um aliado da organização xiita, afirmou ele.
O presidente libanês, Joseph Aoun, aguardava a resposta do grupo ao acordo do dia anterior, que ele descreveu como uma última chance para alcançar um cessar-fogo abrangente.
Qasem instou o governo a interromper a farsa e a humilhação chamadas negociações diretas com Israel. Enquanto nosso povo não estiver seguro () os assentamentos (no norte de Israel) não estarão seguros, acrescentou.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, anunciou que o exército começará a se mobilizar em zonas-piloto no sul do país, o que considera como um primeiro passo tangível, mas a população permanece cética.
Esta não é a primeira vez que um cessar-fogo é anunciado e Israel o viola, disse à AFP Mohamad Chamsedin, de 56 anos, que abandonou sua casa nos arredores de Beirute.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, alertou que o exército continuará seus ataques e operações terrestres por enquanto. As forças israelenses mantêm liberdade de ação, com o apoio americano, para atacar Beirute em resposta ao bombardeio de comunidades e território israelenses, acrescentou.
O exército israelense ordenou novamente a evacuação de toda a área ao sul do rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira, enquanto as tropas continuam atacando a infraestrutura do Hezbollah naquele setor.
A agência de notícias estatal libanesa NNA relatou ataques de drones israelenses em várias cidades no sul e leste do país. Além disso, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) anunciou que um soldado da paz sérvio morreu e outros dois ficaram feridos após um bombardeio atingir sua base na noite de quarta-feira, no sul do Líbano.
Duro revés
A situação na frente libanesa afeta as negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que exige a cessação das hostilidades no Líbano como condição para um acordo que ponha fim à guerra regional que eclodiu em fevereiro.
Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, pareça otimista, os ataques continuam esporadicamente no Golfo e as negociações estão estagnadas.
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica do Irã, exigiu a retirada do exército israelense do Líbano. Apoiar a resistência no Líbano é dever de cada um de nós, escreveu o general Esmail Qaani, chefe da Força Quds, o braço de operações estrangeiras da Guarda.
Israel e Líbano já haviam concordado com um cessar-fogo em 17 de abril, mas ele nunca se traduziu em uma calma genuína no terreno. O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional que começou com a ofensiva de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.
Os bombardeios israelenses mataram mais de 3.500 pessoas e deslocaram mais de um milhão no Líbano desde 2 de março, o início das hostilidades entre esses dois países, segundo as autoridades libanesas. Do lado israelense, 26 soldados e um terceirizado civil morreram em território libanês.
Trump quer separar a frente libanesa da frente iraniana para pôr fim a uma guerra impopular entre os americanos. Na quarta-feira (3), a Câmara dos Representantes dos EUA pediu o fim da guerra em uma votação sobre uma resolução simbólica que Trump classificou como antipatriótica.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou em um comunicado que os Estados Unidos e Israel estão tentando dividir seu país após ter sofrido um duro revés na guerra.

Membros de Hezbollah, grupo xiita libanês


