01 de junho de 2026

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Colômbia: eleição com candidatos de esquerda e extrema direita assusta população

Mundo Colômbia 01/06/2026 10:11 AFP jovempan.com.br

Os colombianos ficaram surpresos e com medo com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que colocou um candidato de esquerda e outro de extrema direita na disputa final. O país terá que escolher entre dois lados opostos no dia 21 de junho.

Os colombianos estão divididos entre a alegria e o medo depois do resultado do primeiro turno das eleições. A disputa pelo cargo de presidente vai ter um segundo turno entre um advogado milionário que se diz 'de fora da política' e um senador de esquerda que promete continuar os programas sociais do atual governo.

No domingo (31), o país foi às urnas e o resultado foi apertado. Agora, no dia 21 de junho, os eleitores vão escolher entre dois candidatos com ideias muito diferentes: Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda.

  • Abelardo de la Espriella, um advogado rico que admira Donald Trump e quer um Estado menor, como o presidente da Argentina, Javier Milei.
  • Iván Cepeda, um senador de esquerda de 63 anos, que promete ajudar os pobres, os jovens e os indígenas.
  • A violência no país está no nível mais alto dos últimos dez anos, o que deixa a população com mais medo.
  • Pela primeira vez, uma mulher indígena pode se tornar vice-presidente da Colômbia, se a esquerda vencer.
  • O candidato de direita, De la Espriella, teve 43,7% dos votos, mais do que as pesquisas previam. Cepeda, da esquerda, ficou com 40,9%.

Vitória surpreendente da direita

Para o professor de Ciências Políticas Felipe Botero, o resultado do primeiro turno foi uma surpresa. 'As pesquisas mostravam que Cepeda ganharia, mas De la Espriella teve mais votos', disse ele.

No hotel Tequendama, em Bogotá, a esquerda comemorava a ida ao segundo turno, mas com um gosto amargo. O candidato Cepeda não conseguiu a vitória no primeiro turno como muitos esperavam, e ficou em segundo lugar.

Centenas de pessoas foram apoiar Cepeda e gritavam 'Não passarão' e 'Sim, é possível'.

'Sangue novo' na política

Muitos eleitores de direita estão animados com a possibilidade de um candidato 'de fora'. 'Um outsider é o que a Colômbia precisa', disse Victor Castellanos, empresário de 32 anos, que votou em De la Espriella. Para ele, o país está em uma fase crítica, onde o comunismo pode tomar conta. 'Mão dura é o que é necessário. Já vimos que a paz total foi um fracasso total', afirmou.

De la Espriella, de 47 anos, é visto como a esperança de quem está cansado da política de 'paz total' do atual presidente Gustavo Petro, que tentou negociar com grupos armados sem sucesso. Cepeda é criticado por ser o criador dessa política falha.

Para Felix Ramírez, eleitor de De la Espriella, o fato do candidato ser empresário e não ter carreira política é uma vantagem. 'Precisamos de sangue fresco, sangue novo', disse o funcionário de 59 anos.

Esquerda com medo da extrema direita

Do outro lado, a esquerda prometeu continuar ajudando os mais pobres. Cepeda quer estar ao lado dos pobres, jovens, afrodescendentes e indígenas. 'Tenho medo do que pode acontecer, de que (De la Espriella) vença', disse Maria Fonseca, estudante de 22 anos.

No primeiro turno, a esquerda conseguiu mais de 9,6 milhões de votos, mais do que em 2022, quando o atual presidente foi eleito. Para Carolina Ponzo, curadora de arte de 70 anos, a ascensão da extrema direita é 'tenebrosa' e 'inesperada'. 'Há uma globalização da extrema direita a nível mundial que é aterrorizante', disse ela.

Atraídos pela promessa de apoio social, eleitores viajaram centenas de quilômetros para apoiar Cepeda, como representantes do povo indígena Kamsá, que vieram da região amazônica.

'No segundo turno, competem a democracia ou o fascismo', afirmou a senadora e liderança indígena Sandra Chindoy.