25 de maio de 2026

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Guerra na Ucrânia: como o conflito está remodelando alianças geopolíticas globais

Mundo 24/05/2026 22:35

Mais de três anos de guerra na Ucrânia redefinem alianças globais, fortalecem a OTAN e isolam a Rússia diplomaticamente. Análise do novo tabuleiro geopolítico.

O conflito que mudou o mundo

A guerra na Ucrânia, que completa mais de três anos em fevereiro de 2026, não é apenas um conflito regional — é um evento geopolítico que está remodelando as alianças e o equilíbrio de poder em escala global. O que começou como uma invasão russa em fevereiro de 2022 se transformou em uma guerra de desgaste que redefiniu a arquitetura de segurança internacional.

A OTAN mais forte do que nunca

Paradoxalmente, a invasão russa fortaleceu a OTAN, que o Kremlin dizia querer enfraquecer. Finlândia e Suécia, dois países historicamente neutros, aderiram à aliança militar. O orçamento de defesa dos países-membros saltou para uma média de 2,5% do PIB, acima da meta de 2% que a aliança perseguia há décadas. A Alemanha, maior economia europeia, criou um fundo de € 100 bilhões para modernizar suas forças armadas.

Isolamento russo e novas parcerias

A Rússia, por outro lado, enfrenta o maior isolamento diplomático desde a Guerra Fria. Mais de 140 países votaram a favor de resoluções da ONU condenando a invasão. No entanto, Moscou tem reforçado laços com China, Irã, Coreia do Norte e Índia, formando um bloco alternativo que desafia a ordem liberal ocidental. O comércio entre Rússia e China atingiu recorde de US$ 240 bilhões em 2025.

Impacto no Sul Global

Países do Sul Global, incluindo Brasil, Índia e África do Sul, adotaram uma posição ambígua. O Brasil, sob o governo Lula, tem defendido uma solução negociada e oferecido mediação, mas sem aderir integralmente às sanções ocidentais contra Moscou. Essa postura reflete um equilíbrio delicado entre princípios diplomáticos e interesses comerciais.

Economia global sob pressão

As sanções ocidentais contra a Rússia, que incluem congelamento de reservas do banco central, embargo ao petróleo e restrições tecnológicas, tiveram efeitos mistos. A economia russa mostrou resiliência, com crescimento de 2,5% em 2025, impulsionada pelo comércio com a Ásia. Já a Europa sofreu com altos preços de energia, embora tenha conseguido diversificar suas fontes com sucesso.

Cenário para 2026

Para 2026, as perspectivas são de continuidade do conflito em baixa intensidade, com negociações intermitentes. A fatiga de guerra em ambos os lados cresce, mas nenhum dos dois está disposto a ceder. A eleição presidencial americana de 2024, que levou um candidato com posição menos favorável à OTAN, adiciona outra camada de incerteza ao futuro do conflito.