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Dino nega liberdade a Deolane e mantém prisão preventiva

Mundo Mãe 24/05/2026 15:46 G1 folhamax.com

O ministro Flávio Dino, do STF, não viu ilegalidade na prisão da influenciadora Deolane Bezerra e negou o pedido de liberdade. A defesa dela recorreu, mas Dino disse que o caso deve ser analisado primeiro em instâncias inferiores. Deolane foi presa por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou não ver "manifesta ilegalidade" na prisão da influenciadora Deolane Bezerra e não concedeu liberdade à empresária "de ofício", ou seja, por iniciativa do magistrado.

O ministro do STF fez as considerações em decisão assinada no sábado (23) e publicada neste domingo (24). Ele analisou uma reclamação, apresentada por uma advogada da influenciadora, contra decisão da primeira instância que determinou a prisão preventiva de Deolane.

  • Deolane foi presa por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC, uma facção criminosa.
  • Ela nega as acusações e diz que foi presa por ter trabalhado como advogada para um cliente.
  • A defesa pediu liberdade ou prisão domiciliar, mas Dino negou.
  • O ministro disse que o caso deve ser analisado primeiro em tribunais inferiores.
  • Se condenada, Deolane pode pegar até 10 anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Dino decidiu não dar andamento ao pedido da defesa da empresária, que queria a revogação da prisão, o regime domiciliar ou aplicação de medidas cautelares.

A influenciadora foi presa na última quinta-feira (21) em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Deolane nega as acusações e afirma que foi presa por ter exercido a profissão de advogada em um serviço pelo qual recebeu R$ 24 mil de cliente. Ela também disse que a "justiça vai ser feita".

Na decisão em que diz não ver ilegalidade na prisão preventiva, Flávio Dino afirma que a reclamação apresentada pela defesa não admite o aprofundamento da análise sobre os fatos e provas em investigação.

Uma reclamação como a apresentada pela advogada de Deolane não funciona como um recurso comum para reverter uma decisão com a qual a defesa não concorda. Em geral, em uma reclamação, o que se analisa é o cumprimento do que já foi decidido por um tribunal superior ou questões relativas à competência.

"De qualquer maneira, ainda que superado referido óbice, não detecto manifesta ilegalidade ou teratologia hábil à concessão da ordem de habeas corpus de ofício", diz Dino no despacho.

Além disso, o magistrado afirma que a concessão de um habeas corpus por iniciativa do STF não seria cabível neste momento. Caso contrário etapas processuais seriam puladas.

Flávio Dino entende que é possível a apresentação de recursos nas instâncias inferiores. Ou seja, para o ministro, não cabe uma intervenção do STF no processo neste momento.

Deolane está presa preventivamente por supostamente ter praticado o crime de lavagem de dinheiro e integrar uma organização criminosa.

Acusações contra Deolane

O g1 reuniu o que se sabe até agora sobre as acusações contra a influenciadora.

A apuração começou em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes manuscritos escondidos em celas e na caixa de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista.

O material continha ordens internas do PCC, contatos de integrantes da facção e referências a ações violentas contra servidores públicos.

Segundo a investigação, os documentos apreendidos levaram à abertura de três inquéritos que permitiram mapear a estrutura financeira da organização criminosa.

Os investigadores afirmam que, a partir da análise dos manuscritos, chegaram a uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, próxima ao complexo penitenciário da cidade, que seria usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro da facção.