A ex-deputada federal Carla Zambelli foi solta na Itália depois que a Corte de Cassação de Roma, a mais alta instância da Justiça italiana, anulou a decisão que permitia que ela fosse enviada de volta ao Brasil. Ela estava presa desde julho de 2025 e comemorou a liberdade em um vídeo. Agora, o ministro da Justiça italiano tem 45 dias para decidir se entregará ou não Zambelli ao Brasil, onde ela foi condenada a mais de 15 anos de prisão por crimes como invasão de sistemas e porte ilegal de arma.
A ex-deputada federal Carla Zambelli foi solta nesta sexta-feira (22/5). Ela deixou o presídio feminino de Rebibbia, na Itália, depois que a Corte de Cassação de Roma, que é a última instância da Justiça italiana, anulou a decisão que permitia sua extradição para o Brasil.
- Zambelli ficou presa por quase 10 meses na Itália, desde julho de 2025
- A defesa conseguiu reverter a ordem de extradição na última hora
- Ela postou um vídeo comemorando a liberdade e chamou a vitória de "de Deus"
- O ministro da Justiça italiano tem 45 dias para dar a palavra final
- No Brasil, Zambelli foi condenada a 10 anos por invadir o sistema do CNJ e a mais 5 anos por porte ilegal de arma
Zambelli estava detida na Itália desde julho de 2025. Ela deixou o Brasil após sofrer condenações no Supremo Tribunal Federal (STF), e sua extradição para o Brasil foi solicitada. Nesta sexta-feira (22/5), a defesa da ex-deputada federal conseguiu reverter a decisão que autorizava o retorno dela para o Brasil.
Como foi a soltura
Logo em seguida, ela foi solta. Zambelli postou vídeo ao lado do advogado Pieremilio Sammarco, que a defende na Itália. "Consagro a minha liberdade como uma vitória de Deus", disse a ex-parlamentar. Veja vídeo de Zambelli fora da prisão:
Anulação da extradição
A Corte analisou recursos em dois processos da Corte de Apelação de Roma (2ª instância) que foram favoráveis à extradição de Zambelli: um pela condenação de Zambelli pela invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e outro por porte ilegal de arma de fogo.
O próximo passo da decisão ainda depende do aval final do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Nordio tem prazo de 45 dias para decidir sobre a extradição da ex-deputada. Depois disso, o italiano deve comunicar ao governo brasileiro os procedimentos a serem adotados.
O papel de Alexandre de Moraes
Antes mesmo da decisão da última instância, com o julgamento nesta sexta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes já havia pedido que o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Relações Exteriores adotassem as providências necessárias para efetivar a extradição.
Se extraditada ao Brasil, Zambelli deve ficar custodiada na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
As condenações de Zambelli no Brasil
Zambelli foi condenada em dois processos distintos no Brasil, ambos com trânsito em julgado (quando não há mais possibilidade de recursos): a 10 anos e 8 meses de prisão, pela invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ); e a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no caso em que perseguiu um homem na rua apontando-lhe uma arma, nas vésperas das eleições de 2022.
Em 29 de julho de 2025, Zambelli foi presa em um apartamento na Itália, em Roma. A ex-parlamentar estava na lista vermelha da Interpol e foi detida por "grave risco de fuga", segundo decisão da Justiça que autorizou a prisão.

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