A Bolívia está vivendo uma crise séria com protestos, falta de alimentos e combustível contaminado. O novo presidente, Rodrigo Paz, enfrenta a fúria do povo e acusações contra o ex-presidente Evo Morales, que estaria incentivando as manifestações. A inflação está alta e a população está cansada da situação econômica.
Seis meses depois de assumir o poder, Rodrigo Paz, presidente de centro-direita da Bolívia, enfrenta uma crise social muito complicada. Tem uma mistura de reclamações, interesses e erros que dificultam uma saída para a crise, de acordo com analistas. As pessoas estão cansadas da economia, que está no pior momento em quarenta anos. Uma onda de protestos ficou mais forte esta semana, com o centro em La Paz, que está cercada desde o começo de maio por bloqueios de estradas. Isso fez faltar alimentos, remédios e combustível.
- O governo acabou com o subsídio do combustível, fazendo o preço dobrar.
- Os postos de gasolina estão vendendo combustível contaminado, chamado de 'gasolina lixo'.
- A inflação em 2025 foi de 20%, deixando tudo mais caro.
- Ex-presidente Evo Morales é acusado de estar por trás dos protestos.
- A crise já dura meses e a população está exigindo a renúncia do presidente.
Paz disse na quarta-feira que não vai negociar com "vândalos", mas, para tentar acalmar a situação, anunciou que vai escolher ministros "com capacidade de ouvir". O governo do novo presidente, que acabou com 20 anos de governos socialistas, acusa o ex-presidente Evo Morales (2006-2019) de estar por trás dos protestos para tentar voltar ao poder. Uma marcha de seguidores de Morales chegou na segunda-feira em La Paz. Evo Morales está foragido por causa de um caso de exploração de uma menor e, desde 2024, está refugiado na região do Chapare, no centro do país. Ele denuncia um suposto plano de Washington para prendê-lo ou até matá-lo, com o apoio do governo de Paz.
O que está por trás da crise social na Bolívia
A Bolívia acabou com suas reservas de dólares para manter a política de subsídios aos combustíveis. Pouco depois de chegar ao poder em novembro, Paz acabou com esses subsídios. O preço dobrou e, além disso, os postos começaram a vender combustível contaminado que estragou milhares de veículos, o que deixou a população com raiva, principalmente os transportadores. Eles chamaram isso de "gasolina lixo".
Um segundo motivo foi o anúncio oficial de uma lei que transformava pequenas propriedades rurais em médias para facilitar o acesso dos donos ao crédito. Mas os camponeses indígenas não aceitaram, com medo de que as terras fossem parar nas mãos de bancos e, depois, de grandes proprietários.
Durante a campanha, Paz prometeu estabilidade econômica e "um capitalismo para todos", no qual o motor fosse a população, e não o Estado.
O que os manifestantes pedem
O movimento de protestos aumentou em maio com professores, operários e mineiros. Por causa da inflação, que em 2025 foi de 20%, a poderosa Central Operária Boliviana (COB) pediu aumento salarial do mesmo valor, e os professores, uma aposentadoria com salário integral. Com a crise se prolongando, passaram a exigir a renúncia do presidente. O governo denunciou na quarta-feira que grupos de manifestantes querem mudar a "ordem democrática".

Um manifestante segura um sinalizador enquanto mineiros marcham em frente à polícia de choque durante um protesto organizado pelo Centro Operário Boliviano (COB), que pede a renúncia do presidente Rodrigo Paz, em La Paz


