Mark Fuhrman, o ex-detetive que encontrou a luva ensanguentada que ligava O.J. Simpson ao assassinato de sua ex-mulher, morreu após lutar contra um câncer. Mas sua credibilidade foi destruída em 1995 quando uma gravação mostrou ele usando uma palavra racista, fazendo com que o júri duvidasse dele. No fim, ele foi o único condenado, por ter mentido no tribunal.
Mark Fuhrman, ex-detetive da polícia de Los Angeles (Califórnia, EUA), que era considerado peça-chave para condenar o ex-jogador de futebol americano O.J. Simpson pelos brutais assassinatos de sua ex-esposa, Nicole Brown Simpson, e de Ron Goldman, amigo dela, morreu em 12 de maio após lutar contra um câncer agressivo.
- Fuhrman encontrou a luva de couro que ligava Simpson ao crime, mas a defesa mostrou que ela não servia na mão do jogador.
- Uma gravação secreta mostrou Fuhrman usando uma palavra racista, destruindo sua credibilidade no tribunal.
- O julgamento terminou com a absolvição de Simpson, mas Fuhrman foi o único condenado, por ter mentido sob juramento.
- Após sair da polícia, ele virou comentarista de TV e escreveu livros sobre o caso.
- Simpson morreu em 2024, também vítima de câncer, sem nunca ter sido punido pelos assassinatos.
Fuhrman encontrou uma luva ensanguentada que supostamente ligava Simpson ao duplo homicídio, ocorrido em 1994.
Porém, no tribunal, Simpson pareceu ter dificuldades para colocar a luva de couro preta sobre uma luva de látex. A cena se tornou um dos momentos mais importantes do julgamento e ela foi explorada pelo advogado de defesa, Johnnie Cochran, para semear no júri dúvidas sobre a culpa do cliente.
O então policial, que ficou conhecido como "o homem que poderia ter condenado O.J. Simpson", ficou em maus lençóis após a defesa de O.J. Simpson apresentar uma gravação na qual Fuhrman usava um termo racista, após ter declarado sob juramento que jamais o fizera.
Com a credibilidade de Fuhrman abalada no tribunal, a equipe de defesa de Simpson sugeriu que Fuhrman havia plantado provas no caso, o que ele negou no tribunal e posteriormente em uma entrevista à ABC em 1996.
"Nunca houve um pingo, nunca uma pista, nunca uma possibilidade, nem mesmo remota, nem em um milhão, nem em um bilhão de chances de que eu pudesse ter plantado algo. Nem teria motivo para isso", defendeu-se Fuhrman.
Apesar da negação, o julgamento, em 1995, acabou sendo fundamental para que Fuhrman deixasse a polícia. Ele se aposentou dois meses antes da chocante e polêmica absolvição de Simpson em outubro de 1995.
No ano seguinte, foi a vez de Fuhrman encarar a Justiça, sendo acusado de perjúrio por ter mentido durante seu depoimento. Sua condenação fez dele a única pessoa condenada por um crime como resultado do julgamento.
Após sua carreira no Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD), Fuhrman passou a trabalhar como comentarista de TV e rádio e escreveu vários livros, incluindo "Murder in Brentwood" sobre o julgamento de Simpson.
Em 2023, ele foi proibido de retornar à polícia devido a uma nova medida policial da Califórnia que cassou a certificação de policiais que demonstraram conduta tendenciosa ou criminosa. A reforma foi implementada após o assassinato de George Floyd em 2020, cometido por policiais.
Simpson morreu em 2024, aos 76 anos, vítima de câncer.

No julgamento de O.J. Simpson, em 1995, Mark Fuhrman exibe pá que teria sido usada para matar Ron Goldman e Nicole Brown



