A Advocacia-Geral da União argumentou que as leis que legalizaram as apostas online foram mal elaboradas e causaram prejuízos graves à população, incluindo vício, dívidas e aumento de casos no SUS. Com a proibição das plataformas em vigor, o órgão solicita ao Supremo Tribunal Federal a declaração de inconstitucionalidade da legislação para garantir a proteção aos direitos fundamentais dos cidadãos.
A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu nesta sexta-feira (2) a inconstitucionalidade de dispositivos das leis que legalizaram a exploração das apostas de quota fixa, as chamadas bets. Na manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o órgão pediu que a Corte declare incompatíveis com a Constituição as leis 13.756 de 2018 e 14.790 de 2023.
- A AGU acusa que as leis das bets falharam em proteger os apostadores de danos à saúde e à vida financeira.
- O vício em jogos virtuais causou um aumento de 140% nos atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).
- As plataformas têm até o dia 5 de outubro para devolver o saldo restante aos apostadores.
- A partir de 6 de outubro, todos os sites e aplicativos de bets serão bloqueados no Brasil.
- O caso é analisado pelo ministro Luiz Fux, que solicitou a manifestação da AGU no processo.
Defesa destaca malefícios das apostas
A solicitação foi protocolada na ação na qual a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou, em 2024, que as leis não protegem os apostadores. O relator da ação é o ministro Luiz Fux, que solicitou manifestação da AGU. A norma de 2018 instituiu a modalidade de apostas on-line. A lei de 2023, chamada de Lei das Bets, regulamentou as apostas virtuais.
A AGU citou diversos malefícios provocados pelas bets, como o endividamento das famílias, desproteção de crianças e adolescentes, impactos na economia formal e aumento de 140% nos atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) a pessoas com transtornos provocados pelo vício em jogos.
Regulamentação considerada falha
As razões acima expostas evidenciam que o regime normativo das Leis nº 13.756/2018 e nº 14.790/2023 era extensamente falho, contemplando uma liberalidade exploratória que não pôde ser compatibilizada com a proteção adequada de direitos fundamentais de primeira importância, como a dignidade humana, a saúde pública e o mínimo existencial, defendeu o órgão.
Impasse na Justiça sobre o fim das bets
Além da ação promovida pela PGR, também tramita no STF um processo em que a plataforma de bets defende a retomada das apostas. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pediram a derrubada da medida provisória que, na semana passada, proibiu a exploração e publicidade dos jogos on-line.
De acordo com as regras estabelecidas pela norma, as plataformas têm até o dia 5 de outubro para pagar o saldo remanescente aos apostadores. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos de bets serão totalmente bloqueados.

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil


