Ministro do STF acaba com sigilo de processo sobre pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, abrindo caminho para julgamento de mensagens trocadas com Alexandre de Moraes.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A decisão foi tomada após uma solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
- O sigilo foi quebrado a pedido do ministro Alexandre de Moraes, que busca transparência antes do julgamento da semana que vem.
- A medida afeta 54 linhas de investigação ligadas à Operação Compliance Zero, que cuida de fraudes financeiras.
- O caso envolve 52 mensagens supostamente trocadas entre Vorcaro e Moraes, recuperadas de um celular apreendido.
- Um dos assuntos das mensagens é um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e a esposa do ministro.
- Fachin já marcou para 23 de setembro o julgamento sobre a abertura de investigação contra o próprio Mendonça.
Crise institucional no Supremo Tribunal Federal
Fachin, por sua vez, havia sido acionado pelo ministro Alexandre de Moraes. Em um documento oficial, Moraes explicou que é essencial quebrar o sigilo da petição sobre os pagamentos de Vorcaro antes do julgamento marcado para terça-feira (15). No dia seguinte, o plenário do STF decidirá sobre a abertura de uma investigação formal sobre o próprio Moraes.
Com a nova retirada de sigilo, o STF derrubou o segredo judicial de 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero. Essa operação apura supostas corrupções de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias que seriam praticadas por Vorcaro.
O que diz o relatório da Polícia Federal
No julgamento de terça-feira, os ministros deverão analisar um relatório da Polícia Federal (PF). O documento traz 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes, com quem o ex-banqueiro parece ter uma relação próxima.
O material foi recuperado do celular apreendido de Vorcaro. As mensagens foram trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.
Nas conversas, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro tenta obter informações sobre a operação da PF que levou a sua prisão. Os investigadores informaram que as respostas de Moraes não puderam ser resgatadas.
O relatório veio à tona no início de setembro, quando o sigilo sobre o material foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. Esse ato desencadeou uma crise sem precedentes na Corte, com forte embate entre os juízes.
PGR pede anulação e Moraes reage
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo a anulação do relatório, devido a supostas irregularidades em sua produção. Segundo o órgão, o relator não poderia ter autorizado o avanço das investigações sobre um colega de Corte sem ter informado o plenário previamente.
Em resposta, Moraes divulgou o que chamou de relatório de inteligência da PF. Nele, aponta-se um suposto direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça, com o objetivo de atingir desafetos políticos.
No entanto, esse documento não é assinado nem traz o timbre oficial da Polícia Federal, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e sem valor probatório.
Moraes pediu ao presidente Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.

Justiça (IA)


