24 de outubro de 2026

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STF liga ex-secretário de Bolsonaro e PCC a desvio de verba para filme

Justiça Escândalo 14/09/2026 08:16 Marcelo Brandão / Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br Brasília DF

Ministro Flávio Dino aponta indícios de que Mário Frias liderou esquema criminosa que desviou emendas parlamentares para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, com laços suspeitos com o PCC.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, afirmou haver sinais claros de que o deputado federal Mário Frias atuou como líder em um suposto esquema de desvio de verbas públicas. Segundo o magistrado, o objetivo seria financiar o filme Dark Horse, uma produção que dramatiza a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dino é o relator de uma investigação que examina possíveis irregularidades na aplicação de emendas parlamentares. Ele recebeu informações relevantes da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores, do Foro Central Criminal da Barra Funda, em São Paulo.

  • O STF aponta Mário Frias como possível líder do esquema de desvio de emendas.
  • A verba desviada teria sido usada para financiar o filme Dark Horse.
  • A Operação Make Up resultou em 49 mandados de busca e apreensão.
  • Há indícios de ligação entre o desvio de recursos e a facção PCC.
  • A prefeitura de São Paulo nega irregularidades no contrato com o Instituto Conhecer Brasil.

Operação Make Up investiga desvio de verbas

Na última quinta-feira (10), Dino autorizou a deflagração da Operação Make Up. A Polícia Federal (PF) cumpriu 49 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.

Alvos da operação foram o próprio deputado federal Mário Frias, que já foi secretário da Cultura no governo Jair Bolsonaro e participou da escrita do roteiro de Dark Horse, além da empresária Karina Gama.

Irregularidades apontadas pela CGU

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram problemas na destinação de R$ 2 milhões em emendas de Frias. Os recursos teriam ido para duas entidades registradas em nome de Karina Gama: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).

Questionada sobre o caso, a prefeitura de São Paulo declarou que não há irregularidade nos serviços prestados pelo Instituto Conhecer Brasil. O município afirmou que o Programa WiFi Livre está funcionando normalmente, com 3,2 mil pontos instalados e mais de 760 milhões de acessos registrados.

Conexão suspeita com o PCC revelada

No despacho, Dino também apontou uma conexão entre o desvio de dinheiro de emendas parlamentares e organizações ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com o ministro, além do uso da verba pública para o filme, o material recebido da Justiça paulista indica a existência de um esquema de corrupção com relações com a facção criminosa.

No curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e para a prefeitura de São Paulo. Essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), consoante linha investigativa mencionada nos autos, declarou Dino no documento publicado neste domingo.

A assessoria do deputado Mario Frias foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização desta notícia.