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Diretores da PF apoiam Andrei Rodrigues e oferecem demissão em apoio coletivo

Justiça Política 09/09/2026 09:24 Agência Brasil meiahora.com.br

Onze diretores da Polícia Federal assinaram carta pública manifestando total apoio ao diretor-geral Andrei Rodrigues, afastado preventivamente pelo STF. Eles colocaram seus cargos à disposição do substituto para defenderem a instituição contra as acusações de monitoramento ilegal do ministro André Mendonça.

Onze diretores da Polícia Federal (PF) divulgaram nesta terça-feira (8) uma carta pública em que demonstram total apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. O gestor foi afastado preventivamente do cargo nesta mesma data por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão surpreendeu a estrutura interna da polícia.

Os signatários da carta também expressaram solidariedade ao diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, que sofreu o mesmo destino. Em gesto de unidade, o grupo formalizou o pedido para que seus cargos fossem liberados e colocados à disposição do diretor interino William Marcel Murad, atualmente no comando em caráter provisório. A medida busca garantir a continuidade administrativa do órgão.

  • Onze diretores da PF assinaram carta de apoio a Andrei Rodrigues após seu afastamento.
  • O diretor-geral foi suspenso por suposto envolvimento em monitoramento ilegal do ministro André Mendonça.
  • Além de Andrei, o diretor de inteligência Leandro Almada também foi afastado preventivamente.
  • Os diretores colocaram seus próprios cargos à disposição do interino William Marcel Murad.
  • A decisão individual do STF foi adiaada em julgamento por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

O texto da nota oficial destaca a trajetória profissional de Andrei Rodrigues, descrevendo-o como um profissional técnico, isento e responsável. A carta afirma que ele dedicou sua carreira à defesa da PF e conta com o respeito da instituição por sua conduta exemplar no decorrer dos anos.

Segundo a decisão judicial, o afastamento de Andrei foi justificado pela sua suposta participação no monitoramento ilegal do ministro André Mendonça durante o mês de agosto. A medida visa proteger a integridade do processo enquanto o caso é apurado, afastando o investigado de suas funções de comando para evitar qualquer influência sobre as investigações.

Defesa da institucionalidade e repúdio a ataques

Nas linhas subsequentes, os diretores argumentam que narrativas motivadas por interesses político-eleitorais não possuem o poder de apagar a história ou a reputação construída por servidores públicos. Eles citam o caso específico de acusações feitas à PF, classificando tais ataques como ilegítimos na democracia.

A nota pública fala em ataques direcionados à PF e menciona uma suposta usurpação de funções contra a corporação. O documento conclui que é do interesse público que os diretores mantenham a defesa de uma instituição preparada para assegurar o Estado Democrático de Direito, protegendo a população e a ordem legal.

Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável, diz o texto.

Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles [Andrei e Leandro] ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto, conclui o texto.

Trâmite processual e composição da Segunda Turma

A decisão monocrática que afastou Andrei chegou a ser pautada para julgamento na Segunda Turma do STF. Havia a expectativa de que o colegiado confirmasse a medida individual do relator. O colegiado formou uma maioria de três votos entre cinco possíveis para aprovar o afastamento, o que sinalizava um risco próximo para a gestão de Andrei.

O desfecho final, porém, foi adiado. O pedido de vista feito pelo ministro Gilmar Mendes, que solicitou mais tempo para analisar os autos, interrompeu a contagem dos votos restantes. Este mecanismo é comum no STF e serve para garantir um debate mais amplo sobre questões de grande repercussão.

Além dos ministros Mendes (que pediu vista) e Mendonça (relator), compõem a Segunda Turma os ministros Luiz Fux e Nunes Marques, ambos já votaram a favor do afastamento. Restava apenas a posição do ministro Dias Toffoli, que ainda não havia se manifestado publicamente quando da publicação da carta dos diretores. A incerteza sobre o voto final mantém a tensão política e jurídica no ambiente da PF.