Relatório da Polícia Federal aponta que Cláudio Castro recebeu vantagens como caviar de luxo e uso de imóvel em troca de benefícios à Refit; ex-governador nega tudo em nota
A Polícia Federal (PF) apresentou um relatório indicando que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, teria recebido benefícios irregulares em troca de favorecimentos à refinaria Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. As acusações foram tornadas públicas após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, quebrar o sigilo do inquérito. Castro, porém, nega as alegações.
Os detalhes constam na segunda fase da Operação Sem Refino, com investigações aprofundadas sobre fraudes em licenças ambientais. O caso envolve a figura de Ricardo Magro, empresário suspeito de liderar a organização criminosa.
Os principais pontos do caso são:
- Adega de luxo avaliada em R$ 245 mil e uso de mansão em Petrópolis;
- Aluguel da residência de Castro na Barra da Tijuca pago por terceiros;
- Compra de R$ 10,5 mil em caviar em hotel de luxo, custeada por outra empresa;
- Suspeita de lavagem de dinheiro e uso de "laranjas" para ocultar patrimônio;
- Defesa alega que Castro não teve envolvimento e que as situações são separadas da atividade do Estado.
Luxo e vantagens indevidas apontadas pela PF
Segundo a corporação, a troca de benefícios incluía R$ 10,5 mil em caviar, o pagamento do aluguel de um apartamento na Barra da Tijuca (onde Castro reside) e o uso de uma mansão em Petrópolis. O local teria uma adega construída sob encomenda pelo ex-governador.
O relatório justificou a expedição de 16 mandados de busca e apreensão por Moraes. As investigações focam em como os grupos criminosos interagiam com agentes públicos para agilizar licenças e prejudicar concorrentes de Ricardo Magro.
Ainda de acordo com a PF, há indícios de que Castro atuasse como dono de fato de um imóvel em Petrópolis, registrado em nome de uma construtora, controlando a rotina dos funcionários e determinando melhorias.
O papel do caviar e outros pagamentos
Um dos episódios citados é uma degustação de caviar no Hotel Emiliano, em São Paulo. Embora o valor fosse alto, Castro não pagou diretamente. A despesa foi assumida pela AC Santos Participações, ligada ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, apelidado de "Pipo".
"Pipo" é considerado pelos investigadores o principal articulador na ocultação de bens do grupo. O pagamento desses luxos seria uma forma de compensação a Castro pelo favorecimento dado à Refit e a empresas parceiras, como a Enge Prat Engenharia.
Além do caviar, a PF aponta que Castro pagava um aluguel simbólico de R$ 10 mil por um imóvel que valia cerca de R$ 25 mil por mês na região, sendo o apartamento o único bem de uma empresa criada recentemente.
Defesa nega irregularidades e busca esclarecimentos
Em resposta, a defesa de Castro negou participação em qualquer crime de lavagem de dinheiro ou recebimento de vantagens indevidas. A nota afirma que os imóveis têm contratos de locação regulares e que o imóvel em Petrópolis já não é mais utilizado.
Sobre o caviar, a defesa explicou que a encomenda foi feita por um amigo e que Castro apenas retirou o produto em São Paulo para entrega, sem ligação com a Refit. "Os contatos com a empresa foram institucionais", disse a nota.
A defesa solicitou ao próprio ministro Alexandre de Moraes que Castro seja ouvido pela PF para prestar esclarecimentos, o que ainda aguarda decisão. Ricardo Magro, o líder suspeito, está foragido e na lista de procurados da Interpol.

Operação Sem Refino (IA)


