06 de novembro de 2026

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O que realmente acontece com os formados depois do diploma?

Geral Empregabilidade 06/11/2026 17:29 Janguiê Diniz - Portal Brasil 1

Novo indicador revela que quase 9 em cada 10 brasileiros com diploma de graduação estão trabalhando após 15 meses, mas apenas 2 em cada 3 atuam na área estudada. Artigo analisa a necessidade de acompanhar as carreiras pós-formatura para alinhar a educação superior às reais necessidades do mercado de trabalho.

Concluir um curso superior é o sonho de milhões de brasileiros. Muitos buscam a graduação para exercer uma profissão ou para melhorar sua qualidade de vida. No entanto, há uma questão que recebe pouca atenção no país: o que acontece com o estudante depois da formatura Esta é uma pauta que precisa ser priorizada tanto pelas universidades quanto pelos gestores das políticas públicas educacionais.

O término da graduação marca o começo de uma nova fase na vida dos alunos, o que exige políticas públicas específicas. Saber quantos formados estão empregados, em quais áreas trabalham, quanto ganham e como suas carreiras evoluem ajuda a entender a relação entre o ensino oferecido e as oportunidades de emprego. Para as universidades, acompanhar esses caminhos é uma forma de avaliar suas decisões acadêmicas e identificar dificuldades que os índices de matrícula e formatura, vistos isoladamente, não mostram.

Por que precisamos acompanhar os egressos

Uma política séria de acompanhamento deve começar com perguntas diretas. Qual porcentagem dos formados trabalha na área do curso Quanto tempo leva para conseguir esse emprego Houve mudança de função ou aumento de salário durante a faculdade Quem trabalha em outra área escolheu isso ou encontrou obstáculos para ingressar na profissão escolhida As respostas ajudam a distinguir percursos diferentes e a direcionar a orientação de carreira, a formação continuada e a aproximação com os empregadores.

  • 85,2% dos formados estão trabalhando cerca de 15 meses após a graduação.
  • 67,2% atuam na mesma área em que estudaram.
  • 9,4% trabalham em um segmento diferente por escolha própria.
  • O salário médio cresceu 81,9% entre quem já trabalhava antes de começar a faculdade.
  • Dados separados por curso e região ajudam a identificar desigualdades.

O que dizem os dados do Indicador ABMES/Symplicity

O Indicador ABMES/Symplicity de Empregabilidade (IASE) 2026 oferece um exemplo do que esse acompanhamento pode produzir. Entre os 10.317 egressos de 99 instituições participantes, 85,2% estavam trabalhando cerca de 15 meses após a formatura e 67,2% atuavam na área de formação. Outros 9,4% trabalhavam em um segmento diferente por escolha própria. A remuneração acrescenta outra dimensão à análise. Entre os participantes que trabalhavam quando ingressaram na graduação, o valor declarado passou de R$ 3.129 para R$ 5.693, um crescimento nominal de 81,9%.

Para quem escolhe um curso, informações desse tipo permitem avaliar as possibilidades com maior clareza. Para a instituição, oferecem subsídios para revisar currículos, fortalecer experiências práticas e identificar demandas de atualização. Para os gestores públicos, ajudam a orientar políticas de acesso, permanência e inserção profissional, avaliar os resultados dos investimentos em educação superior e identificar desigualdades que exigem ações específicas. A utilidade aumenta quando os dados são separados por curso, região, perfil dos estudantes e tempo de conclusão.

Avaliação e melhoria das instituições de ensino

Nesse sentido, a revisão dos instrumentos de avaliação de cursos e instituições conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) abre espaço para fortalecer o acompanhamento dos egressos. A proposta submetida à consulta pública prevê critérios mais detalhados para verificar tanto o monitoramento da trajetória dos formados quanto o uso dessas informações no aprimoramento da formação oferecida.

Entre os critérios previstos estão a manutenção de um programa institucional com banco de dados, integração com bases públicas e pesquisas periódicas sobre inserção profissional, satisfação com o curso e retorno dos investimentos formativos. A proposta também contempla ações de educação continuada e mentoria, além da participação dos egressos na governança institucional.

A revisão dos instrumentos prevê ainda que os Núcleos Docentes Estruturantes incorporem o acompanhamento da inserção profissional à revisão dos projetos pedagógicos, aproximando a coleta de informações das decisões sobre o ensino. Uma dificuldade recorrente relatada pelos formados pode motivar mudanças nas atividades práticas, novas parcerias ou ações de desenvolvimento profissional.

Futuro da educação superior no Brasil

Trata-se, portanto, de uma agenda que exige continuidade e rigor metodológico. Em seminário promovido pelo Inep em outubro, pesquisadores discutiram a integração entre o Censo da Educação Superior e a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), além de experiências institucionais de acompanhamento. Articular registros administrativos e escuta dos egressos pode ampliar o conhecimento sobre emprego, empreendedorismo e renda, preservadas as características e limitações de cada fonte.

A entrega do diploma encerra a etapa acadêmica, mas deixa perguntas que instituições e gestores públicos precisam continuar fazendo. Onde os formados encontram oportunidades Quais barreiras enfrentam para exercer a profissão Como suas condições de trabalho evoluem Manter essas perguntas na agenda exige acompanhamento contínuo e disposição para agir sobre os problemas identificados. É nesse compromisso com o percurso de quem se formou que a educação superior pode encontrar caminhos para ampliar o alcance dos seus resultados.