O mercado clandestino de canetas emagrecedoras movimenta bilhões no Brasil, impulsionado pela pressão estética e dificuldade de acesso. Especialistas alertam que a compra informal traz graves riscos à saúde, como o uso de medicamentos falsificados e efeitos colaterais sem acompanhamento médico.
O Brasil vive uma contradição preocupante. Nunca tivemos tantas opções de tratamento para a obesidade, mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil transformar um medicamento em um símbolo de aceitação social. As canetas emagrecedoras, que usam substâncias como semaglutida e tirzepatida, são um grande avanço da medicina. No entanto, a popularidade delas mostra que muitos brasileiros têm uma relação imediatista com o próprio corpo. Em uma sociedade que busca resultados rápidos, a promessa de perder peso em poucas semanas levou muita gente a tomar decisões que colocam a saúde em risco.
O problema saiu dos consultórios médicos. De acordo com estimativas do Itaú BBA, o mercado de remédios para emagrecer vendidos fora das farmácias deve movimentar quase R$ 19 bilhões no Brasil em 2026. Deste valor, cerca de R$ 6,5 bilhões vêm de produtos trazidos ilegalmente do Paraguai. Esse comércio cresce por dois motivos: a dificuldade de acesso aos tratamentos oficiais e a disposição dos consumidores de usar canais clandestinos para atingir o corpo desejado.
- O mercado ilegal de canetas emagrecedoras deve faturar R$ 19 bilhões em 2026.
- Cerca de R$ 6,5 bilhões vêm de remédios trazidos ilegalmente do Paraguai.
- 6% dos brasileiros já usam esses medicamentos e um terço quer usar se ficar mais barato.
- Medicamentos falsificados são uma ameaça global, alertou a revista The Lancet.
- Especialistas defendem suporte psicológico junto com o tratamento farmacológico.
Alerta internacional e os riscos do mercado paralelo
O alerta não é apenas brasileiro. Em março de 2026, a revista científica The Lancet publicou a reportagem

Brunna Boaventura


