Artigo destaca a importância da parceria entre escolas e prisons para garantir formação técnica e reintegração social de condenados no Brasil, citando casos em Minas Gerais.
A educação é uma das ferramentas mais poderosas para mudar a vida das pessoas. No caso de quem está preso, esse papel se torna ainda mais crucial. Cumpri uma pena não deve significar o fim das chances de aprender, desenvolver habilidades e construir um futuro diferente. É nesse cenário que universidades, escolas e instituições de formação profissional assumem uma responsabilidade que vai além das paredes da sala de aula.
Nas Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APACs), a educação é peça central de uma metodologia que aposta na recuperação humana e na volta para a sociedade. No entanto, nenhuma instituição consegue realizar essa missão sozinha. É preciso construir pontes com a sociedade, especialmente com organizações capazes de oferecer conhecimento, formação e novas perspectivas.
Principais pontos da iniciativa
- Parcerias com universidades como PUC-Minas e UFMG ampliam horizontes dentro das prisões.
- A articulação entre secretarias de Educação e Segurança em Minas Gerais garante ensino básico.
- O Programa Pró-APAC, junto ao Sistema S, foca na qualificação profissional.
- Cooperação com o IFSULDEMINAS reforça a importância da formação técnica e humana.
- Investir em educação prisional é visto como fator de segurança e dignidade social.
Parcerias acadêmicas abrem novas fronteiras
As parcerias com instituições como a PUC-Minas, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Faculdade de Pará de Minas (FAPAM) e a Fundação Pitágoras mostram como o ambiente acadêmico pode contribuir para ampliar horizontes dentro das APACs. Mais do que disponibilizar oportunidades de estudo, essa aproximação representa o reconhecimento de que o conhecimento não deve encontrar barreiras na condição de quem deseja aprender.
Também é fundamental assegurar o acesso à educação básica. Em Minas Gerais, a articulação entre as secretarias estaduais de Educação e de Justiça e Segurança Pública permite a oferta de ensino fundamental e médio nas unidades, inclusive por meio das chamadas escolas de segundo endereço. Trata-se de uma iniciativa essencial para garantir a continuidade da escolarização e combater a exclusão educacional.
A necessidade de avançar na profissionalização
Mas precisamos avançar. Não basta oferecer acesso à escola. É necessário assegurar condições para que os recuperandos possam dar continuidade aos estudos, desenvolver competências e enxergar possibilidades concretas de inserção no mercado de trabalho.
Nesse sentido, a profissionalização ocupa lugar estratégico. Iniciativas como o Programa Pró-APAC, desenvolvido pelo Instituto Minas pela Paz em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais e a FBAC, mostram a importância da articulação institucional. A aproximação com entidades do Sistema S, como SENAI, SENAC, SENAR, SEBRAE e SESI, contribui para ampliar as possibilidades de qualificação profissional.
Outras iniciativas, como a cooperação com o IFSULDEMINAS e as atividades desenvolvidas por organizações da sociedade civil, também reforçam que a educação precisa ser compreendida de maneira ampla, envolvendo formação técnica, desenvolvimento humano, autonomia e responsabilidade.
O futuro da sociedade depende dessa escolha
Existe, porém, uma questão que merece reflexão: qual sociedade queremos construir quando uma pessoa conclui sua pena Uma sociedade que lhe fecha as portas ou que oferece condições para que ela retorne com conhecimentos, habilidades e oportunidades reais de recomeçar
A resposta deveria ser evidente. Investir na educação de pessoas privadas de liberdade não significa ignorar a gravidade dos crimes cometidos, mas reconhecer que a reintegração social é parte indispensável de uma política de execução penal comprometida com resultados.
Por isso, universidades e escolas precisam enxergar as APACs como espaços legítimos de atuação educacional e compromisso social. A FBAC trabalha para fortalecer essa articulação, mas ampliar as oportunidades exige o envolvimento permanente de diferentes setores.
Quando uma instituição de ensino abre suas portas ao Método APAC, não está apenas compartilhando conhecimento. Está ajudando a construir possibilidades de futuro. E uma sociedade que oferece caminhos para a transformação humana também investe em sua própria segurança, dignidade e desenvolvimento.

Lorena Núbia de Paula, supervisora de Educação e Profissionalização da FBAC (Ajustada por IA)



