Especialista explica as regras do Conselho Federal de Medicina para uso de redes sociais, alertando contra promessas de cura e marketing indevido, e define o que os médicos podem e devem publicar para manter a credibilidade.
A medicina deixou o consultório tradicional e migrou para as redes sociais. Essa nova proximidade com o público amplia o alcance do trabalho do especialista, mas também cria armadilhas. Isso porque o paciente fica exposto a conteúdos que, muitas vezes, não são verdadeiros nem comprovados pela ciência.
Dr. Antonio Carlos Bilo abordou esse tema durante a aula 'Do consultório às redes sociais: como divulgar o trabalho médico sem ultrapassar os limites éticos', realizada no 53º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia, que acontece de 12 a 14 de novembro em Foz do Iguaçu, no Paraná.
- O uso de redes sociais por médicos é permitido, mas deve seguir o tripé da ética: técnica, verdade e sobriedade.
- Prometer resultados milagrosos ou usar termos como 'melhor' e 'único' fere o código de ética médico.
- Divulgar horários, valores e conteúdos educativos é permitido e recomendado.
- A responsabilidade pelo conteúdo é sempre do médico, mesmo quando ele apenas repostar mensagens de terceiros.
- Antes de publicar, o profissional deve se perguntar: é verdadeiro é educativo é necessário
Regras do Conselho Federal de Medicina
Dr. Bilo destaca que as resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre publicidade médica se baseiam em três pilares: técnica, verdade e sobriedade. Na interpretação dele, a norma separa com clareza a informação que orienta o paciente do anúncio que visa apenas vender.
Entre os erros mais graves estão a publicidade de insumos e a promessa de resultados. 'O volume de curtidas não mede a confiança de um paciente. Cada publicação é um ato público profissional. Por isso, uma postagem impensada pode atingir não apenas a reputação individual do médico, mas também a imagem de toda a categoria', comenta Dr. Antonio Carlos Bilo, que também ocupa a diretoria de Ética e Defesa Profissional da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).
Permissões e Proibições nas Redes
Dr. Bilo aponta o que o especialista pode fazer nas redes sociais e o que não é recomendado. 'Divulgar horários de atendimento, valores e formas de pagamento e realizar ações educativas, como conteúdos informativos e campanhas de orientação, fazem parte do papel do médico nas redes sociais.', explica.
Por outro lado, o especialista alerta: 'Mas prometer resultados, usar termos como "melhor", "único" ou "garantido" e participar de campanhas sensacionalistas ou até mesmo paga pela indústria farmacêutica fere o código de ética médico', conclui Dr. Bilo. Outras infrações comuns são as promessas de cura, a repostagem de elogios de pacientes, a divulgação de técnicas não reconhecidas ou de produtos comerciais. Dr. Bilo ressalta que a responsabilidade é sempre do médico, inclusive quando o conteúdo é repostado por terceiros.
Três Perguntas Antes de Postar
Para evitar erros, o especialista oferece uma guia prática. 'Antes de postar ou respostar qualquer coisa, faça três perguntas a si mesmo: É verdadeiro É educativo É necessário para a sociedade O médico deve informar com ciência, cuidar com ética e comunicar com prudência. A credibilidade é o capital moral da medicina e o maior patrimônio do médico. Ganhar seguidores é fácil; manter a confiança é ciência e ética', resume o palestrante do 53º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia.
Informações do Congresso
O 53º Congresso Brasileiro de Alergia e Imunologia será realizado de 12 a 14 de novembro, no Centro de Convenções Bourbon Cataratas, em Foz do Iguaçu.

Ética (IA)


