03 de novembro de 2026

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Lipedema: se a perna não diminuiu, o tratamento falhou?

Geral Lipedema 03/11/2026 07:06 Paulo Novais - Tinteiro Assessoria de Imprensa

Especialista explica que menos dor e mais facilidade para caminhar também indicam melhora, mesmo sem redução da circunferência. O objetivo não é apenas mudar o contorno do corpo, mas devolver às mulheres o direito de viver sem limitações.

A roupa continua do mesmo tamanho, mas caminhar já não exige tantas pausas. Subir escadas ficou mais fácil e o toque nas pernas provoca menos desconforto. Para quem trata o lipedema, essas mudanças podem perder importância diante da expectativa de reduzir medidas. Mas a ausência de uma transformação visível não significa, necessariamente, que o tratamento falhou.

O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura, geralmente simétrico, sobretudo nas pernas. Pode causar dor, sensibilidade ao toque e sensação de peso. No tratamento conservador, realizado sem cirurgia, o controle desses sintomas e a melhora da capacidade de realizar atividades cotidianas são objetivos centrais.

Segundo a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, méster em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema, a avaliação precisa considerar o que mudou na vida da paciente, além dos registros de peso e circunferência.

O que observar além das medidas da perna

A comparação entre o início do acompanhamento e as avaliações seguintes deve incluir perguntas sobre a rotina. Por quanto tempo a paciente consegue caminhar Precisa interromper tarefas por causa da dor Deixou de evitar alguma atividade A sensação de peso ainda limita seus movimentos

Essas respostas ajudam a identificar ganhos que nem sempre aparecem em fotografias. Também permitem estabelecer objetivos mais claros, ligados às dificuldades que levaram a mulher a procurar atendimento.

Menos inchaço não significa menos gordura

Outro ponto que exige esclarecimento é a diferença entre reduzir líquido acumulado nos tecidos e remover gordura. Uma alteração na circunferência da perna, por si só, não revela qual desses componentes mudou.

A compressão, quando indicada, pode contribuir para o controle dos sintomas, mas não deve ser apresentada como um método capaz de eliminar a gordura do lipedema. Da mesma forma, a manutenção das medidas não exclui uma melhora da dor ou da mobilidade.

Dor persistente exige reavaliação do plano

Olhar além da aparência também não significa manter um plano que não apresenta resultados. Dor persistente, dificuldades para realizar exercícios e desconforto com as peças de compressão precisam ser discutidos com a equipe de saúde.

O acompanhamento permite verificar a resposta às medidas adotadas, identificar obstáculos e avaliar a necessidade de ajustes ou da investigação de outras causas para os sintomas.

Cirurgia não encerra o acompanhamento

Quando há indicação de avaliação cirúrgica, a decisão deve considerar sintomas, impacto nas atividades diárias, condições de saúde e resposta ao tratamento conservador. Não se trata apenas de observar o tamanho das pernas.

Milazzotto destaca que a lipoaspiração não cura o lipedema e que a necessidade de cuidados após o procedimento deve ser definida de forma individualizada.

Sobre a fisioterapeuta: Mariana Milazzotto tem quase 20 anos de atuação, é méster em Ciências Médicas e especialista no tratamento clínico do lipedema. É criadora da Jornada Desvendando o Lipedema, programa que forma fisioterapeutas e terapeutas corporais no atendimento a mulheres com diagnóstico confirmado ou suspeita da doença.

Contato para a imprensa: Tinteiro Assessoria de Imprensa. Paulo Novais. E-mail: [email protected]: (21) 98194-8257.