Um estudo com mais de 2.500 homens mostra que aqueles que ingerem mais proteína animal tendem a ter níveis ligeiramente menores de testosterona, enquanto quem consome mais proteína vegetal tem níveis um pouco mais altos. Cuidado: isso não significa que comer carne causa queda no hormônio.
Um estudo recente mostrou que homens que obtêm mais de sua proteína a partir de produtos de origem animal têm níveis de testosterona mais baixos do que aqueles que comem menos desse tipo de alimento. A pesquisa, que envolveu mais de 2.546 homens, encontrou o resultado oposto para quem consome mais proteína de origem vegetal: eles passaram a ter níveis de testosterona ligeiramente mais altos.
- Homens com maior ingestão de proteína animal tiveram 1,2 nanomoles por litro a menos de testosterona.
- Homens com maior ingestão de proteína vegetal tiveram 1,1 nanomoles por litro a mais de testosterona.
- O estudo não prova que carne causa queda na testosterona, apenas mostra uma relação entre os dados.
- Mesmo com diferença estatística, as variações foram pequenas, o que gera dúvidas sobre impacto na saúde real.
- A proteína da laticínia também teve relação negativa, enquanto a das plantas, positiva, mas a carne, sozinha, não afetou a testosterona total.
Como a proteína animal se relaciona com a testosterona
A equipe usou registros alimentares de quatro dias coletados entre 1984 e 1989, além de amostras de sangue que mediram a testosterona e uma proteína chamada globulina ligadora de hormônios sexuais. Essa proteína ajuda a transportar hormônios sexuais pelo sangue.
Os participantes foram divididos em grupos com base na ingestão de proteínas.
Os pesquisadores também levaram em conta idade, peso corporal e outros hábitos, além da saúde geral.
Qual a diferença entre carne, leite e vegetais
Análises mais detalhadas mostraram que a proteína de laticínios foi associada à queda de testosterona e à redução da proteína transportadora. Já a proteína de hortaliças e outras plantas, sem incluir cereais, apareceu ligada a níveis mais altos de testosterona.
Porém, a carne isolada estava ligada à queda da proteína transportadora, mas não à queda total da testosterona. O achado de proteína animal mais baixa deve ser lido com atenção e não significa que comer carne sozinha reduz o hormônio.
Comer mais plantas pode aumentar a testosterona
O estudo não prova que mudar o prato vai alterar o hormônio. Ele analisou o que as pessoas já comiam e comparou com os exames, sem mudar a dieta na prática.
O contexto da alimentação no geral pode ajudar a explicar os resultados. Isso não mostra se a origem da proteína aumenta a produção ou o funcionamento da testosterona.
A testosterona é importante para a função sexual, músculos e ossos. Ela é influenciada por idade, peso e estilo de vida. A alimentação é apenas uma das possibilidades.
O que dizem os autores do estudo
Miika Wynne-Ellis, pesquisadora da Universidade da Finlândia Oriental, afirmou que, embora a diferença de testosterona tenha sido estatisticamente relevante, ela foi pequena. A partir desse estudo, não se pode concluir se essas variações alteram a saúde dos homens.
Os achados fazem parte do estudo contínuo de Kuopio. As notas de comida são dos anos 1980, e as análise compararam o que as pessoas disseram ter comido com os exames de hormônio.
O resultado mostra uma associação, não uma causa e efeito. Precisamos de mais pesquisas para saber se mudar o equilíbrio entre proteína de origem animal e vegetal tem impacto real na saúde dos homens.
Os pesquisadores observaram o que os homens já comiam, sem pedir uma mudança planejada de alimentação.
Cuidado ao concluir que comer carne tira a testosterona ou que comer vegetais aumenta o hormônio por si só. Isso é apenas um passo de uma investigação longa e cuidadosa, que precisa ser confirmada por mais estudos.

Homem comendo carne (imagem ilustrativa)


