01 de novembro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Interdição em zona sul de SP paralisa pedestres e sufoca comércios

Geral Obra 01/11/2026 15:40 Folhapress, por Notícia ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br São Paulo SP

O fechamento de uma rua no Chácara Santo Antônio durante obras no túnel da avenida Chucri Zaidan está causando um aumento de até quatro vezes na caminhada de quem trabalha na região e está reduzindo o faturamento dos restaurantes locais pela metade.

"Interdição na zona sul de SP afeta comércios e gera reclamações de moradores e pedestres"

Folhapress

Chácara Santo Antônio entra em colapso

São Paulo, SP (Folhapress) - Comerciantes, moradores e pessoas que trabalham na região da Chácara Santo Antônio, na zona sul de São Paulo, estão se queixando da interdição de uma passagem obrigatória de pedestres. O bloqueio ocorreu na última semana, quando o governo municipal iniciou as obras de prolongamento da avenida Chucri Zaidan.

O cruzamento da rua Verbo Divino com a avenida Cecília Lottenberg foi cercado como medida de segurança. O bloqueio no local chega a aumentar em até quatro vezes a distância que as pessoas precisam percorrer. Isso acontece especialmente na hora do almoço, quando muitos trabalhadores precisam ir até os escritórios da região.

Dos trabalhadores que acessam a região de rua, o trajeto original de apenas 200 metros passou a ter até 1 quilômetro de extensão. Segundo relatos de clientes de estabelecimentos locais, o tempo de deslocamento que antes era de apenas 5 minutos passou a chegar a 20 minutos.

Fim da crise prometido para o final do ano

O prazo estipulado para o fim total da intervenção é fevereiro do próximo ano. Até o momento, os comerciantes e moradores locais pedem que o governo municipal apresente uma nova solução provisória, já que o trânsito de pedestres está completamente comprometido.

Em nota divulgada, a SPObras (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras) afirma que o fechamento total da travessia foi necessário por motivos de segurança. Isso porque as obras executam a construção de um túnel na avenida Cecília Lottenberg.

Além da construção do túnel, há a operação de equipamentos de grande porte no local, como guindastes que movimentam cargas muito pesadas, gerando situações de risco para quem passa a pé.

Esforço de comunicação não resolve o problema

Para tentar minimizar os impactos causados aos moradores e trabalhadores, foram estabelecidas rotas alternativas e instalada uma nova sinalização orientativa. Há placas indicando os acessos para os próprios estabelecimentos comerciais.

Um comunicado distribuído no próprio bairro orienta as pessoas que trabalham ali a utilizar as ruas Paul Valéry, Alexandre Dumas, Antônio de Oliveira e Professor Jamil Anderaos, além da avenida das Nações Unidas, conforme o sentido do deslocamento.

O trecho da Verbo Divino conta com inúmeros restaurantes usados por pessoas que trabalham em uma região formada majoritariamente por prédios corporativos. O levantamento feito pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) identificou 32 bares e restaurantes.

Há também diversos outros comércios e serviços, distribuídos por 29 endereços da própria rua Verbo Divino, num raio de até 500 metros do cruzamento principal. Esses estabelecimentos foram totalmente impactados com o bloqueio.

Vizinhos acusam a prefeitura de não avisar com antecedência

Devido às obras, foi feita uma espécie de passagem improvisada para pedestres, que acabou sendo fechada no dia 17 de outubro. A informação do bloqueio ocorreu apenas quatro dias antes da data oficial, sem que houvesse chance para sugestões de quem usava constantemente o trajeto, dizem comerciantes ouvidos pela Folha.

"Entre os principais riscos, destacam-se aqueles relacionados à movimentação de máquinas e cargas pesadas, ao tráfego de caminhões e betoneiras, à queda e projeção de materiais, à ocorrência de solapamentos, entre outras situações associadas à execução dos serviços", afirma trecho de comunicado da prefeitura enviado a grupo de WhatsApp do bairro.

O problema já vinha ocorrendo há um ano

Os problemas decorrentes da obra chegaram àquela região há cerca de um ano. Na época, Helder Antonio Emerenciano, de 44 anos, dono do Empório P. Doce, disse que ele e outros cinco proprietários foram avisados que teriam de desocupar os imóveis de seus estabelecimentos na avenida Cecília Lottenberg por causa da construção do túnel.

Helder alugou outro prédio na rua Verbo Divino para manter seu negócio. Mas, na sequência, foi surpreendido com a interdição recente que impede o acesso dos clientes.

"Na época perguntei se iriam fechar o cruzamento e negaram, mas não foi o que aconteceu", afirma Emerenciano sobre a promessa feita pela prefeitura. Ele diz que seu faturamento já caiu pela metade desde o bloqueio aos pedestres.

Empresários estão cortando funcionários e dias

Com a falta de movimento nos estabelecimentos, Helder parou de funcionar aos sábados e demitiu duas pessoas. Ele não sabe se consegue resistir mais quatro ou cinco meses, quando a passagem deve ser reaberta, se não houver novos atrasos ou adiamentos.

Já Maria Cecília Paes de Barros, de 57 anos e dona do La Manduca, na rua Ricardo Lunardelli, ali perto, afirma que seus clientes relataram que, pela dificuldade de chegar à região dos restaurantes, têm pedido delivery ou levado almoço de casa.

Outra preocupação, segundo ela, é com o período de fim de ano. É nessa época que empresas costumam fazer confraternizações nos restaurantes e bairros da região.

Na sexta-feira, por volta das 13 horas, enquanto Maria Cecília conversava com a reportagem, havia apenas 20 pessoas no seu estabelecimento. Em média, 200 consumidores almoçam no local em dias de maior movimento.

Associações cobram transparência e reuniões frequentes

Luli Costa, de 53 anos e presidente da Associação de Moradores e Amigos da Chácara Santo Antônio, afirma que não foi apresentado estudo de impacto de vizinhança pela SPObras. Segundo ela, falta comunicação com quem vive ou trabalha ali.

Segundo ela, o bairro travou por causa da obra. Com os trabalhos já iniciados, a associação apresentou 22 propostas de reformulação do que estava sendo feito, das quais apenas cinco foram aceitas.

"Colocaram ônibus articulado para passar em ruas estreitas", afirma Luli. Após pressão da comunidade, foi marcada uma reunião para a próxima quarta-feira com a secretaria. "A promessa era de reuniões mensais, mas a última aconteceu apenas em junho", afirma ela.

Manifesto do comércio contra a interdição

Diante da queda de 50 por cento no faturamento e de comerciantes que fecharam as portas, a associação de restaurantes fez um manifesto por causa do problema na Verbo Divino.

"A Abrasel-SP solicita que os responsáveis pela intervenção avaliem alternativas para garantir a circulação segura e preservar o acesso ao comércio", diz o documento.

Para a entidade, o planejamento da obra precisa considerar também os efeitos sobre os pequenos negócios, que dependem do fluxo de pessoas e da proximidade com os escritórios para manter suas receitas.

Obra paralisa quase duas décadas

A obra de prolongamento da Avenida Chucri Zaidan se arrasta há quase duas décadas, com interrupções e atrasos. Licitada em 2008, previa estender a avenida em cerca de 3,2 quilômetros e construir um túnel sob a atual avenida Cecília Lottenberg.

Uma primeira etapa foi entregue parcialmente em 2018. De acordo com a prefeitura na época, problemas contratuais e falta de recursos impediram a conclusão dos trabalhos, que ficaram paralisados por cerca de um ano e meio.

Voltaram as obras em 2025

Uma nova licitação, aberta em 2022, foi suspensa em fevereiro de 2023 por recomendação do Tribunal de Contas do Município e retomada em junho daquele ano.

Em maio de 2024, a prefeitura anunciou um novo contrato, no valor de 376 milhões de reais, com prazo de 36 meses. A construção do túnel, de aproximadamente 900 metros, começou em julho de 2025.

A previsão é concluir o conjunto de intervenções em maio de 2027. O projeto inclui duas faixas por sentido no túnel, corredor exclusivo de ônibus, calçadas acessíveis, ciclovia e paisagismo.

O que a prefeitura diz que vai acontecer depois

A gestão do prefeito Ricardo Nunes estima que a obra vai melhorar a fluidez do trânsito na região, ampliar a capacidade do transporte público e facilitar a integração com as redes de metrô e trem, além de oferecer mais segurança e acessibilidade para pedestres e ciclistas, beneficiando cerca de 260 mil pessoas.