Pesquisa revela que pais brasileiros buscam massivamente no Google o que dar a comer às crianças, com foco em bebidas, energéticos e suplementos. Médico alerta para os perigos da cafeína e da falta de orientação médica.
A alimentação das crianças continua sendo uma grande fonte de preocupação para os pais no Brasil. Um levantamento do Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), mostra que, no último ano, 33% das crianças e adolescentes estavam acima do peso e 13% tinham obesidade.
É neste cenário que a plataforma Olá Doutor, que conecta pacientes a médicos, mapeou as principais dúvidas dos brasileiros no Google sobre o que os pequenos podem consumir. O resultado é claro: as bebidas lideram as buscas, com 6 em cada 10 pesquisas, deixando para trás alimentos como doces e proteínas. Muitos pais recorrem à internet para decidir o que liberar ou proibir no cardápio dos filhos.
- 57,9% das buscas dos pais envolvem bebidas como energéticos, café e isotônicos.
- O energético é a 1ª dúvida mais pesquisada, com 48.630 buscas no período.
- Mel não deve ser dado a bebês de até 1 ano devido ao risco de botulismo.
- Cerveja "sem álcool" ainda contém resíduo de álcool e não é indicada a crianças.
- Suplementos como whey e creatina só devem ser usados com prescrição médica.
O perigo das bebidas estimulantes
As bebidas representam o maior grupo de dúvidas, com 57,9% das buscas. Isso supera significativamente as categorias de doces (16,9%), proteínas (9,7%), frutas (8,3%), sementes (5,0%) e temperos (2,2%). Metade das dez perguntas mais frequentes no Google envolvem líquidos, como energético, Gatorade, café, iogurte proteico e cerveja sem álcool.
Energético e café: por que evitar
O energético ocupa a 1ª posição no ranking com 48.630 pesquisas, seguido pela melatonina (61.650 buscas, que é sobre sono) e o café (3º lugar, com 20.630). A Dra. Manoella Ferreira, gestora médica do Olá Doutor, alerta que a cafeína presente nesses produtos tem efeitos agudos em crianças.
"As crianças sentem os efeitos da cafeína com doses bem mais baixas do que os adultos: um gole de energético ou meia xícara de café, por exemplo, já pode ser muito para um organismo em desenvolvimento", afirma a médica. "Por isso, produtos com apelo adulto ou voltados a desempenho e energia não devem ser incorporados à rotina dos pequenos".
Agitação, problemas de sono e batimentos cardíacos acelerados são possíveis consequências. Já o Gatorade, com 43.130 buscas, foi criado para esportes intensos e contém muito açúcar e sódio. Para brincadeiras comuns, a água é a melhor opção.
Alimentos do dia a dia: pipoca, ovo e mel
Nem sempre as dúvidas são sobre produtos industrializados. Alimentos comuns também geram incertezas. A pipoca (14.650 buscas) exige cuidado pelo risco de engasgo, especialmente em crianças menores de 4 anos. O mel (12.980 buscas) é proibido para bebês com menos de 1 ano e deve ser evitado até os 2 anos, pois a bactéria Clostridium botulinum pode causar uma doença grave chamada botulismo.
Já a chia (11.810 buscas), o ovo (10.950) e a banana (9.860) são parte da introdução alimentar, que começa aos 6 meses, e são seguras quando introduzidas corretamente.
Cerveja sem álcool e suplementos
Apesar do nome, a cerveja "sem álcool" (7.350 buscas) pode conter até 0,5% de álcool, o que não é seguro para crianças. Além disso, normalizar o consumo de álcool na infância é inadequado.
O universo dos suplementos também está no topo das buscas. O Whey protein (96.800 buscas) e a creatina (49.890) são populares entre adultos para ganho de massa muscular, mas não são indicados para uso rotineiro por crianças sem orientação médica.
Melatonina e vitaminas
A melatonina, em 2º lugar geral, reflete a preocupação com o sono infantil, mas sua uso exige prescrição de um pediatra ou neuropediatra. Outros nutrientes como vitamina C (13.240), ômega 3 (8.040) e magnésio (5.350) só devem ser suplementados quando há necessidade identificada por um profissional de saúde.
A Dra. Manoella conclui: "No entanto, a indicação de suplementos na infância não deve partir da tendência ou da exposição nas redes sociais, mas de uma avaliação médica individual das necessidades nutricionais da criança".
Como a pesquisa foi feita
O levantamento considerou buscas realizadas no Google Brasil entre setembro de 2025 e agosto de 2026, focando no termo "criança pode". Os itens foram agrupados em categorias para entender melhor os interesses dos pais, com os suplementos analisados à parte.

Dúvidas sobre alimentação infantil dominam buscas no Google


