28 de outubro de 2026

??ºC Tempo São Paulo - SP São Paulo - SP
??ºC Tempo Rio de Janeiro - RJ Rio de Janeiro - RJ
??ºC Tempo Salvador - BA Salvador - BA

Diabetes pode causar cegueira em 1 de cada 3 pessoas no Brasil

Geral Saude 28/10/2026 16:14 Agência Brasil meiahora.com.br

Especialistas alertam que a retinopatia diabética é uma das principais causas de perda da visão evitável. A prevenção exige exames regulares de fundo de olho e controle rigoroso da glicose e da pressão arterial, pois a doença pode evoluir silenciosamente antes de mostrar sintomas.

Uma em cada três pessoas com diabetes no Brasil desenvolverá, em algum momento da vida, a retinopatia diabética. Trata-se de uma das principais causas de perda visual evitável entre adultos em idade produtiva, segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Para conscientizar a população, especialmente quem convive com o diabetes, a entidade organizou uma série de dicas para compreender melhor a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença. As orientações serão compartilhadas ao longo da campanha 24 Dias pelo Diabetes, que começa no próximo domingo (1º) e segue até o fim de novembro.

  • A retinopatia atinge de 24% a 39% dos diabéticos no país.
  • Após 20 anos com a doença, 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 terão algum grau de retinopatia.
  • O diagnóstico precoce pode reduzir o risco de cegueira para menos de 5%.
  • O exame de fundo de olho (fundoscopia) é essencial para a detecção.
  • Manter a glicose e a pressão arterial sob controle ajuda a evitar a progressão.

O que é a retinopatia diabética

A campanha destaca que a retinopatia diabética ocorre quando níveis elevados de açúcar no sangue, ao longo dos anos, danificam pequenos vasos sanguíneos da retina. Essa parte do olho, localizada no fundo, é responsável por captar a luz e enviar as imagens ao cérebro.

A presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão, destacou que as alterações podem evoluir de forma silenciosa, sem provocar sintomas nas fases iniciais. Isso pode atrasar o diagnóstico da doença. Estamos falando de uma doença que cega, mutila e tira muitas pessoas do mercado de trabalho, afirmou.

Todos temos que ter o comprometimento e a responsabilidade social de divulgar informações. É um problema grave de saúde pública e que tem altíssimo impacto no INSS [Instituto Nacional do Seguro Social], nas políticas públicas e nas políticas econômicas, completou.

Quem está em maior risco

Os dados mostram que a retinopatia diabética atinge de 24% a 39% das pessoas com diabetes no país. O risco aumenta conforme o tempo que o paciente vive com a doença. Por exemplo, após 20 anos, 90% dos pacientes com diabetes tipo 1 e 60% dos pacientes com tipo 2 terão algum grau de retinopatia.

Com diagnóstico e tratamento precoces, o risco de cegueira, de acordo com o CBO, pode cair para menos de 5%.

Como prevenir a perda da visão

Para evitar que o problema se agrave, a orientação é que pessoas com diabetes incluam na rotina de cuidado visitas regulares ao médico oftalmologista, mesmo antes do aparecimento de sintomas.

Ausência de sintomas não quer dizer que já não tenhamos alterações instaladas. A única forma de prevenir isso é o acesso ao exame oftalmológico, alertou a presidente do CBO. Ela lembrou que, após 10 ou 20 anos do diabetes instalado, já pode haver comprometimento da visão.

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retinopatia Diabética, publicado pelo Ministério da Saúde, prevê que a fundoscopia, conhecida popularmente como exame de fundo de olho, é um dos principais recursos para identificar a doença.

Quando fazer o exame de fundo de olho

O procedimento permite ao médico oftalmologista observar a retina e os vasos sanguíneos, identificando alterações que possam ter surgido ainda quando o paciente enxerga normalmente. A avaliação pode incluir a dilatação das pupilas para facilitar a visualização das estruturas internas do olho.

O protocolo determina que o exame deve ser feito no momento do diagnóstico para quem tem diabetes tipo 2. No caso de pacientes adultos com diabetes tipo 1, o rastreamento deve começar cinco anos após o diagnóstico.

Em crianças e adolescentes, o primeiro exame deve ser considerado até cinco anos após o início da doença ou no começo da puberdade.

Para quem não tem retinopatia ou apresenta a forma leve, o acompanhamento costuma ser anual. Nos casos moderados ou graves, as revisões precisam ser mais frequentes, reforçou o CBO.

Mulheres com diabetes que estejam grávidas ou que planejem engravidar também precisam passar por avaliação. O exame deve ser feito a cada trimestre da gestação e no primeiro ano após o parto. Mulheres com diabetes gestacional, condição que pode desaparecer após o parto, geralmente não precisam da triagem específica para retinopatia.

Hábitos diários para proteger os olhos

O CBO reforça que boa parte da prevenção da retinopatia diabética ocorre fora do consultório. Atitudes como manter a glicemia e a pressão arterial sob controle reduzem consideravelmente o risco de surgimento da doença e retardam a progressão.

A lista de hábitos saudáveis descrita pela entidade inclui:

  • Consumir mais fibras (aveia, feijão, lentilha, arroz integral), além de verduras e legumes;
  • Reduzir o consumo de açúcar, sal, embutidos e alimentos ultraprocessados;
  • Evitar o fumo e o consumo excessivo de álcool;
  • Manter um peso saudável;
  • Dormir bem;
  • Reservar momentos de lazer e descanso.

Como obter atendimento no Brasil

No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento inicia em uma unidade básica de saúde (UBS) ou por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF). Ambas encaminham o paciente ao profissional por meio da regulação do município ou do estado.

Já no atendimento ofertado por planos de saúde, o paciente agenda a consulta com um médico oftalmologista credenciado, conforme as regras do plano contratado. No rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), há previsão de cobertura para diversos exames e procedimentos oculares.

O que a gente quer é ampliar o acesso e fazer com que os pacientes sejam examinados, para que possamos acompanhá-los por meio do médico, do endocrinologista e também do oftalmologista, concluiu Maria Auxiliadora.