Especialista explica que a reconstrução mamária após o câncer deve ser individualizada, pode ser feita pelo SUS, não usa apenas silicone e é fundamental para a saúde física e emocional da paciente.
O diagnóstico de câncer de mama costuma trazer dúvidas que vão além do tratamento da doença. Para muitas pacientes, também surgem preocupações sobre a retirada da mama, o momento adequado para a reconstrução e as técnicas disponíveis.
Durante o Outubro Rosa, o cirurgião plástico Dr. Fernando Amato, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), explica os principais pontos sobre a reconstrução mamária e reforça que cada caso deve ser avaliado de forma individualizada, sempre em conjunto com a equipe responsável pelo tratamento oncológico.
- A reconstrução pode ser feita logo após a cirurgia ou depois de meses, dependendo da saúde da paciente.
- O procedimento é um direito garantido pela Lei nº 12.802/2013 no Sistema Único de Saúde (SUS).
- Não se usa apenas prótese de silicone; podem ser usados retalhos de pele, gordura da própria paciente ou expansores.
- A radioterapia não impede a reconstrução, mas exige um planejamento mais cuidadoso para evitar complicações.
- O objetivo é restaurar o volume e contorno, melhorando a postura, a autoestima e o bem-estar emocional.
Momento da cirurgia: imediata ou tardia
A reconstrução imediata, realizada no mesmo procedimento da mastectomia (retirada da mama), pode ser uma alternativa importante quando as condições clínicas e oncológicas permitem. No entanto, nem sempre ela é a opção mais segura.
Quando a paciente ainda precisa passar por quimioterapia ou radioterapia, ou quando é necessário aguardar informações complementares sobre a doença, pode ser mais adequado realizar a reconstrução em outro momento. A prioridade é garantir o tratamento oncológico mais seguro, explica o Dr. Fernando Amato.
Benefícios que vão além da estética
A reconstrução tardia pode ser feita meses ou até anos após a mastectomia, desde que a paciente apresente condições clínicas adequadas. O planejamento deve considerar o tipo de tumor, os tratamentos realizados, a qualidade da pele e dos tecidos e as expectativas da paciente.
Sim. A reconstrução pode contribuir para a autoestima, a imagem corporal e o bem-estar emocional. Além disso, quando apenas uma das mamas é retirada, a diferença de peso e volume pode provocar assimetrias, desconforto, alterações posturais e dores na coluna.
A reconstrução mamária não deve ser vista apenas como uma questão estética. Ela pode ajudar na recuperação da paciente como um todo, inclusive no equilíbrio corporal e na retomada da sensação de normalidade após o tratamento, afirma o cirurgião.
Direitos garantidos por lei e técnicas disponíveis
O resultado, porém, não deve ser entendido como a recuperação de uma mama original. O objetivo é reconstruir o volume e o contorno mamário de maneira compatível com o corpo da paciente, podendo ser necessários procedimentos complementares.
A Lei nº 12.802/2013 determina que a cirurgia plástica reparadora da mama seja oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às mulheres submetidas à mastectomia em decorrência do tratamento do câncer, preferencialmente no mesmo ato cirúrgico quando houver condições clínicas.
É importante que as pacientes saibam que a reconstrução mamária faz parte do cuidado relacionado ao tratamento do câncer. A indicação do momento e da técnica depende das condições de cada caso, mas o acesso à informação e à avaliação especializada é um direito, destaca o Dr. Fernando Amato.
Materiais e o impacto da radioterapia
Os implantes de silicone são uma das possibilidades, mas não a única. Dependendo da anatomia da paciente, da quantidade e da qualidade dos tecidos disponíveis e dos tratamentos realizados, podem ser utilizados: expansores de tecido; implantes mamários; pele da própria paciente, por meio de retalhos; enxerto de gordura, também chamado de lipoenxertia; e a combinação de diferentes técnicas.
Quando não há pele suficiente para acomodar uma prótese, o expansor pode ser utilizado para promover uma expansão gradual dos tecidos. Já a lipoenxertia pode ajudar a corrigir pequenas irregularidades e melhorar o contorno da mama reconstruída.
Não necessariamente. A radioterapia pode modificar o planejamento da reconstrução e influenciar a escolha da técnica, mas não impede automaticamente que o procedimento seja realizado.
Pacientes que passaram por radioterapia podem ser reconstruídas, mas a avaliação precisa ser ainda mais cuidadosa. Em alguns casos, determinadas técnicas oferecem maior segurança e melhor qualidade de tecido para um bom resultado, explica o Dr. Fernando Amato.
A reconstrução pode exigir mais de uma etapa, especialmente em casos complexos. O tempo total da jornada varia de acordo com o tratamento oncológico, a técnica escolhida e a necessidade de procedimentos complementares.



