Dados do Vigitel 2025 mostram que 20,2% dos brasileiros dormem menos de 6 horas por noite. Especialistas explicam que a falta de sono afeta o coração, o cérebro e o humor, e dão dicas simples para melhorar a qualidade do descanso.
Mais de 30% dos adultos nas capitais brasileiras relatam sintomas de insônia
Dados do Vigitel 2025 apontam que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite; especialistas alertam para os impactos na saúde mental, no metabolismo e no coração.
Minas Gerais - Outubro de 2026. Dormir bem deixou de ser apenas uma questão de disposição para o dia seguinte. O sono é um dos pilares da saúde e está diretamente relacionado ao funcionamento do coração, do cérebro, do sistema imunológico e do metabolismo. No Brasil, porém, uma parcela significativa da população ainda dorme menos do que o necessário. Dados do Vigitel 2025, do Ministério da Saúde, mostram que 20,2% dos adultos residentes nas capitais brasileiras dormem menos de seis horas por noite.
O levantamento também revela que 31,7% dos moradores das capitais apresentam pelo menos um sintoma de insônia. Entre as mulheres o destaque é maior, 21,3% delas afirmaram dormir menos de seis horas por noite, contra 18,9% dos homens e pessoas com 65 anos ou mais, a prevalência chega a 23,1%.
Principais pontos da notícia
- 20,2% dos adultos nas capitais dormem menos de 6 horas por noite.
- Mulheres são mais afetadas pela falta de sono do que homens.
- A privação de sono aumenta o risco de doenças cardíacas e obesidade.
- Especialistas recomendam entre 7 e 9 horas de sono por noite.
- Mais de 30% dos entrevistados relatam algum sintoma de insônia.
O médico e professor de Medicina do Sono na Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr Marcelo Andrade Starling, comenta que esses números mostram que o sono precisa ser tratado como uma prioridade para a saúde individual e pública. Dormir pouco prejudica a atenção, a memória, a tomada de decisões e o equilíbrio emocional, podendo causar irritabilidade, dificuldade de concentração, queda no rendimento e maior risco de acidentes.
Quando a privação de sono se torna frequente, também está associada a maior risco de hipertensão, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, além de ansiedade e depressão. Não há uma fronteira exata entre hábito e risco. Uma única noite mal dormida já pode comprometer a segurança ao dirigir, mas a preocupação aumenta quando dormir menos do que o necessário vira rotina. Para a maioria dos adultos, dormir habitualmente menos de sete horas merece atenção, sobretudo abaixo de seis horas. Além disso, não é preciso esperar o cansaço se intensificar para agir, pois a pessoa pode se acostumar à sensação de sono insuficiente sem recuperar seu desempenho.
Sinais de alerta e recomendações
Os sintomas de insônia seguem tendência semelhante, atingindo 36,2% das mulheres e 26,2% dos homens. O médico destaca que, para a maioria dos adultos, a recomendação é dormir entre sete e nove horas por noite. No entanto, a quantidade de horas não é o único fator a considerar. Acordar frequentemente sem se sentir descansado, apresentar sonolência durante o dia, dificuldade de concentração ou problemas recorrentes para adormecer e manter o sono são sinais de alerta. O ronco alto, as pausas na respiração percebidas por outra pessoa e os despertares acompanhados de engasgos também merecem atenção e devem ser investigados, pois podem indicar apneia do sono.
O sono é um processo neurobiológico essencial para a saúde. Durante esse período, o cérebro consolida memórias e processa informações, enquanto o corpo realiza processos de reparação, regulação hormonal, controle do metabolismo e defesa imunológica. Para melhorar a qualidade do sono, é fundamental manter uma rotina, com horários regulares, exposição à luz natural durante o dia, atividade física e um quarto escuro, silencioso e confortável. À noite, vale reduzir a luz e o uso de telas, reservar um tempo para desacelerar e evitar cafeína antes de dormir, complementa o docente da Afya.
Benefícios para a saúde cardiovascular
Um estudo apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC Congress 2024) analisou 90.903 participantes do UK Biobank e investigou a chamada compensação do sono nos fins de semana. Ao longo de 14 anos de acompanhamento, às pessoas que mais compensavam o sono perdido durante a semana apresentaram risco 20% menor de desenvolver doença cardíaca em comparação com aquelas que não praticavam o método.
O médico cardiologista e professor da Afya Ipatinga, Dr. Norberto de Sá Neto, explica que a privação de sono e os episódios de redução da oxigenação do sangue, chamados de hipoxemia, podem aumentar o risco cardiovascular, favorecendo problemas como hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto.
Entre os fatores associados à apneia do sono, a hipóxia (redução da disponibilidade de oxigênio nos tecidos) é um indicador importante do risco cardiovascular. Sua intensidade, associada à presença de outras doenças cardiovasculares, pode influenciar o risco de desenvolver ou agravar essas condições.
Dr Norberto Neto ressalta que o risco também aumenta conforme se acumulam fatores como obesidade, diabetes, sedentarismo, hipertensão e outras doenças cardiovasculares. Por isso, o cuidado não deve se limitar ao sono, é fundamental adotar uma abordagem cardiovascular global, controlando os fatores de risco, tratando a obesidade e a hipertensão, melhorando a qualidade do sono e reduzindo o peso. Tudo isso está relacionado à qualidade do sono e à redução do risco cardiovascular, conclui.

Créditos: Magnific


