28 de outubro de 2026

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Livros ajudam a cuidar da saúde mental e aliviar a ansiedade

Geral Bem-estar 28/10/2026 06:52 Assessoria Afya Centro Universitário Itaperuna

Especialista explica que ler pode ajudar a entender melhor suas emoções, reduzir sintomas de depressão e criar conexões sociais, sendo uma ferramenta válida para o bem-estar, embora não substitua o tratamento psicológico profissional.

Em meio à rotina acelerada, marcada pelo excesso de informações e pelo uso constante de telas, a leitura pode ser uma aliada da saúde mental. Ela estimula a imaginação, a reflexão sobre as próprias emoções e o contato com diferentes perspectivas de vida. Uma revisão de escopo publicada em 2025 na revista científica Frontiers in Psychology analisou 15 estudos sobre a leitura compartilhada entre adultos.

Em grande parte das pesquisas, foram observadas melhorias na qualidade de vida e no bem-estar psicológico, além da redução de sintomas depressivos. Os estudos qualitativos também apontaram benefícios relacionados à convivência em grupo e ao sentimento de comunidade.

  • Leitura compartilhada melhora a qualidade de vida e reduz sintomas depressivos.
  • Hábitos simples, como ler antes de dormir, já trazem benefícios emocionais.
  • Interpretar uma obra depende da experiência e do momento emocional do leitor.
  • Clubes do livro fortalecem vínculos sociais e trocam experiências.
  • Livros auxiliam no autocuidado, mas não substituem a psicoterapia.

A importância do autoconhecimento através da história

Ao acompanhar histórias, personagens e conflitos, o leitor pode entrar em contato com experiências diferentes das suas. Isso permite refletir sobre sentimentos, relacionamentos e situações do cotidiano. Uma narrativa sobre perdas, por exemplo, pode despertar lembranças e questionamentos, enquanto uma história sobre conflitos familiares pode ajudar a reconhecer dificuldades de comunicação e necessidades afetivas.

Segundo a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, a leitura pode funcionar como um espaço de pausa e reflexão. Isso contribui para a compreensão das próprias emoções e para a construção de novas perspectivas diante dos desafios cotidianos. De acordo com a especialista, esse processo, porém, não acontece da mesma forma para todas as pessoas.

A interpretação de uma obra depende das experiências anteriores, dos conhecimentos, das crenças e do momento emocional de cada leitor. Por isso, embora a literatura possa estimular o autoconhecimento e a empatia, esses efeitos não são automáticos nem garantidos, explica a psicóloga.

Como iniciar a leitura sem pressão

Para quem deseja incorporar a leitura à rotina, começar com poucos minutos pode ser uma alternativa. Reservar um momento antes de dormir, durante uma pausa no trabalho ou em um período tranquilo do dia permite experimentar o hábito sem acrescentar mais uma cobrança à agenda. A escolha do conteúdo também faz diferença. Romances, contos, poesia, crônicas, biografias e livros informativos são algumas das possibilidades para quem deseja descobrir o que desperta mais interesse. O importante é respeitar as preferências individuais e encontrar um ritmo que faça sentido.

A professora de psicologia destaca que a leitura deve ser uma experiência possível e prazerosa, e não uma exigência. Não é necessário estabelecer metas rígidas, terminar determinado número de livros ou acompanhar tendências literárias para aproveitar o hábito. Pequenos momentos dedicados à atividade já podem criar oportunidades de desacelerar e refletir sobre si mesmo, afirma.

Segundo Dra. Mariana, a leitura compartilhada, em clubes do livro ou encontros com amigos, também pode ampliar essa experiência. Conversar sobre uma obra permite conhecer interpretações diferentes, trocar experiências e fortalecer vínculos sociais, explica.

Limites e a relação com o tratamento profissional

Embora seja frequentemente associada ao relaxamento, nem toda leitura provoca sensações agradáveis. Alguns conteúdos podem despertar tristeza, ansiedade, lembranças dolorosas ou desconforto emocional. Isso não significa necessariamente que a experiência seja prejudicial, mas reforça a importância de respeitar os próprios limites e o momento de vida. Além disso, não há um tempo mínimo universalmente estabelecido para que a leitura produza benefícios emocionais. A experiência depende de fatores como o conteúdo escolhido, as condições de leitura e a relação que cada pessoa estabelece com a atividade.

Mais do que a quantidade de páginas, o valor do hábito pode estar na possibilidade de direcionar a atenção para uma história, conhecer outras realidades e refletir sobre os próprios sentimentos, pontua a especialista da Afya.

Livros e psicoterapia: papéis diferentes

A leitura pode integrar a rotina de autocuidado e contribuir para o bem-estar emocional, mas não deve ser vista como um tratamento isolado para transtornos mentais. A psicóloga explica que existe também a biblioterapia, abordagem que utiliza livros e textos de forma orientada como recurso complementar ao cuidado psicológico, conforme os objetivos e as necessidades de cada pessoa.

Quando sentimentos de tristeza, ansiedade ou angústia persistem, interferem nas atividades diárias ou comprometem a qualidade de vida, é importante buscar avaliação profissional. A leitura pode contribuir para o bem-estar, mas não substitui a psicoterapia nem outros tratamentos indicados, conclui a docente.