Consumidores estão optando por produtos sem lactose e glúten não apenas por saúde, mas por preferência, ampliando a oferta de opções variadas e práticas nos supermercados.
As restrições alimentares estão mudando a forma como os consumidores se relacionam com a comida e, consequentemente, influenciando o mercado. Produtos que antes ficavam confinados em nichos específicos das prateleiras, como aqueles sem lactose e sem glúten, agora aparecem em diversas categorias. Eles são procurados tanto por pessoas com diagnósticos médicos ou sensibilidades quanto por consumidores que desejam simplesmente ajustar sua alimentação.
Especialistas apontam que a demanda crescente é movida por uma busca por novas opções que permitam adaptar a rotina sem sacrificar a variedade e a praticidade. O mercado reage a essa demanda com uma oferta cada vez mais diversificada, atendendo a diferentes perfis de consumidores.
- A intolerância à lactose é causada pela falta da enzima lactase, que digest o açúcar do leite.
- A doença celíaca é uma condição autoimune, diferente da simples sensibilidade ao glúten.
- A Anvisa exige regras de rotulagem para que o consumidor identifique alergênicos.
- O mercado oferece mais de 3 mil opções de produtos vegetarianos e sem lactose/glúten.
- Ler rótulos tornou-se parte da rotina de cuidado para quem tem restrições alimentares.
Entendendo a intolerância à lactose
Uma das situações mais conhecidas é a intolerância à lactose, que ocorre quando o organismo não consegue digerir bem o açúcar presente no leite. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, se o corpo produz pouco da enzima lactase, a lactose não é digerida corretamente. Isso pode causar gases, inchaço, dor, náuseas, vômitos e diarreia. Esses sintomas costumam aparecer entre 30 minutos e duas horas após o consumo de leite ou seus derivados.
A nutricionista Alessandra Luglio, diretora do Departamento de Saúde e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), explica que a falta dessa enzima é o principal fator. Sem a lactase em quantidade suficiente, a lactose não é digerida adequadamente, fermentando no intestino e causando os desconfortos característicos da intolerância, explica Alessandra.
Cuidados com o glúten e a leitura de rótulos
No caso do glúten, a situação é diferente e exige cuidado com os termos. A doença celíaca é uma condição autoimune que surge quando pessoas geneticamente predispostas ingerem glúten. Existem também pessoas com sensibilidade ao glúten ou que optam por removê-lo da dieta por outros motivos. Portanto, retirar o glúten da alimentação não significa automaticamente que a pessoa é celíaca.
Essa necessidade de atenção se reflete nas compras. A Anvisa estabelece regras para a declaração de alergênicos nos rótulos, permitindo que os consumidores identifiquem ingredientes que devem ser evitados. Para quem tem restrições, ler a embalagem deixa de ser apenas uma etapa da compra e passa a fazer parte da rotina de cuidados com a alimentação.
A informação é fundamental para que o consumidor consiga fazer escolhas adequadas às suas necessidades. Mais do que encontrar um produto sem determinado ingrediente, é importante entender a composição, a qualidade nutricional e se aquele alimento realmente atende ao que a pessoa precisa, afirma Alessandra.
Ampliação da oferta e novos comportamentos
A mudança de comportamento vem acompanhada pela ampliação da oferta. O mercado passou a apresentar uma variedade maior de produtos desenvolvidos para atender diferentes necessidades, desde bebidas e sobremesas até pães, massas e queijos, que antes eram associados exclusivamente ao leite ou ao trigo.
Esse movimento é acompanhado pela empreendedora Priscila Cardoso, que criou a marca VegSim após transformar sua própria alimentação. O negócio reúne mais de 3 mil produtos e atende consumidores com diferentes perfis.
Quando uma pessoa precisa retirar algum ingrediente da alimentação, a primeira preocupação costuma ser entender o que ela poderá continuar consumindo. Hoje existe uma variedade muito maior de produtos e isso ajuda o consumidor a fazer mudanças sem sentir que precisa abrir mão de sabor, praticidade e variedade, afirma Priscila.
Mais do que uma questão médica, a expansão dessa categoria revela uma mudança na relação dos consumidores com a alimentação. Restrições que antes significavam uma lista limitada de produtos agora encontram um mercado mais diversificado, com opções para diferentes ocasiões e estilos de vida.
A tendência mostra que as restrições alimentares não dizem respeito apenas ao que o consumidor deixa de comer, mas também às novas possibilidades que surgem quando a indústria, o varejo e os próprios consumidores buscam alternativas.




