Estudos mostram que parte do peso perdido com canetas emagrecedoras pode ser de massa muscular, o que aumenta o risco de fraqueza e queda do metabolismo. Médica explica a importância da proteína e dos exercícios para manter a saúde.
O uso de canetas emagrecedoras no Brasil cresceu muito, gerando um novo alerta sobre a saúde. Embora esses medicamentos ajudem a perder peso, parte dessa redução pode estar relacionada à perda de músculos, e não apenas de gordura. É necessário atenção para manter a composição corporal saudável.
O que dizem os estudos sobre a perda de peso
Um estudo recente avaliou 160 adultos com sobrepeso ou obesidade durante 72 semanas de tratamento com tirzepatida. O resultado indicou que 75% do peso perdido era gordura, mas 25% vinha da massa magra, que inclui músculos, água e outros tecidos.
A endocrinologista Dra. Mariana de Souza Furtado explica que essa proporção pode variar muito. Em alguns casos, a perda de massa magra pode chegar a 40% do total eliminado, o que é considerado um risco para a saúde.
A perda de massa muscular traz consequências sérias, como a diminuição da taxa metabólica, o que facilita o ganho de peso depois. Além disso, há redução da mobilidade, maior risco de quedas e perda de independência, especialmente em idosos. A situação pode levar à sarcopenia, a perda de força e massa muscular.
- 75% do peso perdido em um estudo foi gordura.
- 25% a 40% pode ser perda de massa magra (músculo).
- A perda de músculo reduz a velocidade do metabolismo.
- Há maior risco de quedas e fraqueza em idosos.
- 33% dos lares brasileiros já usaram essas canetas.
O Brasil lidera o uso desses medicamentos. Dados de 2026 mostram que 33% das famílias têm alguém que usa ou já usou canetas emagrecedoras. Esse número subiu de 26% no final de 2025. O Conselho Federal de Farmácia registrou um aumento de 88% no uso em 2025 na comparação com o ano anterior.
Como preservar a massa muscular durante o tratamento
Para evitar a perda excessiva de músculo, é preciso cuidar da alimentação e do movimento. A especialista orienta que o paciente priorize alimentos ricos em proteínas nas refeições, pois o medicamento pode reduzir o apetite e causar aversão a certos alimentos.
Opções boas incluem ovos, iogurte, carnes e queijos. Se necessário, shakes e barras proteicas podem complementar a ingestão. No entanto, apenas comer proteína não basta. A prática de exercícios resistidos, como musculação, é fundamental para preservar a massa muscular.
A recomendação é realizar de duas a três sessões de exercícios por semana, focando nos principais grupos musculares, e combinar com atividades aeróbicas. Além disso, é importante fazer testes de força e avaliação nutricional antes de iniciar o tratamento para monitorar possíveis perdas.
Sinais de alerta no corpo
Não existe um protocolo único, mas alguns sinais merecem atenção. Entre eles estão a redução da força da mão, dificuldade para realizar tarefas que exigem força e declínio no desempenho físico.
Lentidão para levantar de uma cadeira, velocidade reduzida ao caminhar e cansaço excessivo no dia a dia podem indicar comprometimento muscular. Perdas de peso muito rápidas também exigem cuidado. Métodos como densitometria e bioimpedância podem confirmar as alterações. O acompanhamento profissional é essencial para garantir que a perda de peso não comprometa a saúde muscular.

Créditos: Magnific


