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Exame de sangue para detectar Alzheimer começa a ser usado no Brasil

Geral Alzheimer 22/10/2026 11:45 Assessoria Supera | Metodosuper.com.br Porto Alegre RS

Um novo teste de sangue disponível no Brasil analisa proteínas ligadas ao Alzheimer. Especialistas alertam que o resultado não confirma a doença sozinho e reforçam a importância de hábitos saudáveis e estimulação cerebral para prevenir a demência.

Um exame de sangue que ajuda a investigar a doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil em outubro de 2026. O teste analisa biomarcadores, ou seja, substâncias no sangue associadas à doença, e pode contribuir para a avaliação médica. No entanto, os resultados precisam ser interpretados junto com outras informações clínicas do paciente.

Segundo a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), o Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), começou a oferecer o exame em 15 de outubro. A instituição foi destacada como a primeira do país a disponibilizar o teste com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta categoria.

  • O exame é oferecido pela primeira vez no Brasil, com registro na Anvisa, no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
  • O teste analisa a proteína p-tau217, ligada a alterações biológicas do Alzheimer, mas não confirma a doença sozinha.
  • Especialistas alertam que o resultado só tem valor clínico se houver sintomas reais de perda de memória ou autonomia.
  • O envelhecimento normal já traz proteínas no sangue, por isso a interpretação deve ser feita por um médico.
  • Estimulação cognitiva, exercícios e sono de qualidade são fundamentais para fortalecer a saúde cerebral.

O teste avalia substâncias no sangue, como a proteína p-tau217, que está associada a mudanças biológicas relacionadas ao Alzheimer. Pesquisas recentes investigam o potencial desses biomarcadores para ajudar a identificar essas alterações e apoiar a investigação da doença.

Importância da avaliação clínica combinada ao exame

Um estudo publicado em março de 2025 na revista científica Alzheimer's & Dementia analisou o desempenho de biomarcadores no sangue. O trabalho, intitulado "Precisão diagnóstica da relação p-tau217/A42 plasmática para a doença de Alzheimer em coortes clínicas e comunitárias", destacou que a interpretação dos resultados deve considerar as características de cada pessoa e, se necessário, ser complementada por outros exames.

Para a Profa. Dra. Thaís Bento, gerontóloga da USP e parceira científica do Supera - Estimulação Cognitiva, o exame é um recurso complementar. Ele é indicado especialmente quando há sinais de alterações cognitivas ou comportamentais.

"O exame de sangue é indicado para casos em que clinicamente, as pessoas apresentam alterações cognitivas, como prejuízos na memória, raciocínio e ou funções executivas, mudanças comportamentais e ou alterações na realização das atividades cotidianas de modo a impactar na sua autonomia. Trata-se de mais um recurso para ser comparado a um conjunto de dados e informações levantadas para um processo de fechamento de diagnóstico. Isoladamente ele não terá valor clínico, se a presença de proteínas forem detectadas, mas não acontecerem alterações clínicas no indivíduo", avalia a especialista.

A especialista explica que o envelhecimento normal, principalmente após os 60 anos, já traz a presença de certas proteínas no sangue. Isso não significa que a pessoa tenha uma doença neurodegenerativa, mas pode indicar que ela é portadora de uma mutação. "E deve ter cuidados com seu estilo de vida, incluindo boa qualidade do sono, prática de atividades físicas, acompanhamento médico anual, socialização, boa nutrição, prática regular de estimulação cognitiva e de atividades físicas e cuidados preventivos com a audição e visão", orienta Thaís Bento.

Hábitos saudáveis fortalecem a reserva cognitiva

A presença de biomarcadores no sangue, por si só, não significa que a pessoa tenha Alzheimer. A avaliação médica deve levar em conta possíveis mudanças na memória, no raciocínio, no comportamento e na realização das atividades cotidianas, além de outros dados clínicos.

Além do acompanhamento médico, hábitos como atividade física, sono adequado, alimentação equilibrada e convivência social são essenciais. A estimulação cognitiva também pode fazer parte dos cuidados com a saúde cerebral ao longo da vida. Atividades que desafiam a memória, a atenção e o raciocínio ajudam a manter o cérebro ativo e fortalecem a reserva cognitiva, conceito ligado à capacidade de usar recursos mentais diante de mudanças do envelhecimento.

Uma pesquisa publicada em 2026 na revista International Psychogeriatrics, conduzida por pesquisadores do Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP) em colaboração com a EACH-USP, investigou os efeitos de um programa de estimulação cognitiva em pessoas idosas sem comprometimento mental.

O estudo avaliou 207 participantes e encontrou benefícios importantes. Houve uma melhora de aproximadamente 45% no desempenho de memória ao longo de um ano. Além disso, houve redução de cerca de 60% nas queixas cognitivas e de 29% nos sintomas depressivos, com resultados favoráveis também em funções executivas e cognição global.

Esses achados ajudam a entender o papel da estimulação cognitiva na promoção da saúde cerebral. No entanto, a pesquisa não demonstrou que o método previne o Alzheimer nem que os participantes ficaram livres de desenvolver demência. A investigação da doença e os cuidados com a saúde cerebral são abordagens complementares: exames ajudam a detectar alterações, enquanto hábitos saudáveis fazem parte de uma estratégia de cuidado contínua. Nenhuma prática, sozinha, garante a prevenção da doença.