Greenpeace alerta que o aumento atípico de queimadas no Pará e Amazonas sugere ação criminosa coordenada com motivação eleitoral, semelhante ao 'Dia do Fogo' de 2019.
A Greenpeace Brasil divulgou um alerta indicando que a Amazônia pode estar sofrendo com um "Mês do Fogo". A conclusão baseia-se na análise de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e de satélites do LASA/UFRJ. Os números mostram um crescimento anormal e repentino de focos de calor e áreas queimadas na região após o primeiro turno das eleições.
- O Pará registrou 912.534 hectares queimados em 20 dias de outubro, um aumento de 503%.
- O Amazonas teve 258.678 hectares queimados, aumento de 1.305% no mesmo período.
- A ação sugere ser coordenada por criminosos ambientais com interesses eleitorais.
- O padrão é semelhante ao "Dia do Fogo" de 2019, no Pará.
- Os dados indicam que a imagem do governo federal está sendo usada para beneficiar candidatos de oposição.
Cristiane Mazzetti, coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, afirma: "Existe uma semelhança entre o que assistimos agora, em outubro, com os incêndios no Amazonas e no Pará, e o que vimos em 2019. Os dados sobre incêndios florestais na Amazônia a partir do dia 4 de outubro indicam um novo 'Dia do Fogo', agora repaginado para 'Mês do Fogo', que pode ter sido orquestrado por criminosos ambientais com motivações eleitorais, para queimar a imagem do governo federal com a intenção de aumentar o apoio a Flávio Bolsonaro".
Dados mostram aumento drástico de queimadas
Os dados técnicos revelam a gravidade da situação. No Pará, a área queimada entre os dias 1 e 20 de outubro somou 912.534 hectares. Isso representa um aumento de 503% em relação ao mesmo período de 2025. Somente em 20 dias de outubro, o estado queimou 48,2% do total registrado desde janeiro.
No Amazonas, a situação é ainda mais crítica em termos percentuais. O estado registrou 258.678 hectares queimados entre os dias 1 e 20 de outubro, um salto de 1.305% em relação ao ano anterior. Essa quantidade já representa mais de 37% do total de áreas queimadas no estado desde o início do ano.
Uso político do fogo e investigação
Mazzetti destaca que a fumaça intensa vista em Manaus foi usada de forma distorcida pela extrema direita para atacar o governo federal. Ela lembra que as ações governamentais recentes têm tido resultados positivos: "No ano passado, por exemplo, a Amazônia registrou 43.131 focos de calor, o menor número desde 1988. Esperamos que as investigações sigam com celeridade e rigor para apurar quem está queimando florestas neste momento eleitoral e sob quais motivações".
A porta-voz acrescenta que usar o tema ambiental para obter votos é uma manipulação do eleitor. "Usar a questão das queimadas e a questão ambiental para conseguir votos para candidatos ligados ao PL (Partido Liberal) é uma contradição e uma manipulação do eleitor, já que o partido tem um histórico antiambiental e o candidato à presidência já declarou que vai seguir o legado do pai e acabar com os 'entraves ambientais' ideológicos. É urgente que as investigações sejam concluídas com rigor e que os culpados sejam devidamente responsabilizados".
Candidatos infratores ambientais são eleitos
Um levantamento do Greenpeace sobre as eleições de 2026 mostrou que 38 candidatos com multas ambientais foram eleitos. Destaca-se o caso do Pará, onde o governador eleito e a vice-governadora, Ellayne Cristina Gurgel de Almeida (PL), são infratores ambientais multados pelo Ibama. A multa recebida pelo futuro governador, em junho de 2024, alcança a marca de R$ 1,4 milhão.
Além disso, em Novo Progresso (PA), cidade que liderou os incêndios criminosos de 2019, 84% dos votos foram para o candidato Flávio Bolsonaro (PL).

Mapa da área queimada no Pará







