Nesta sexta-feira, atrizes caracterizadas como 'assistentes da juíza' atuam no Fórum de Vila Prudente para acolher crianças e reduzir o medo do ambiente judiciário.
Nesta sexta-feira (23), a Magistratura e a palhaçaria se unem no Fórum de Vila Prudente. A ação faz parte do projeto 'A Justiça de Portas Abertas para o Futuro' e conta com a atuação do grupo pioneiro Palhaços sem Juízo. O objetivo principal da iniciativa é humanizar o atendimento a crianças vulneráveis no âmbito do Judiciário.
A porta-voz da Apamagis e a idealizadora do grupo estão disponíveis para entrevistas. A Associação Paulista de Magistrados (Apamagis) realiza nesta sexta-feira (23), às 10h, no Fórum de Vila Prudente, na capital paulista, mais uma ação do projeto. Desta vez, a iniciativa conta com a participação do Palhaços sem Juízo, grupo pioneiro que há sete anos leva a linguagem da palhaçaria aos fóruns paulistas. A ação terá a presença da juíza Ana Carolina Della Latta Belmudes, coordenadora da Apamagis Mulher, e da atriz Soraya Saide, idealizadora do grupo. Ambas ficarão à disposição da imprensa para entrevistas.
- O grupo existe há sete anos trazendo arte para os fóruns de São Paulo.
- As atrizes usam caracterização de 'assistente da juíza' para gerar simpatia.
- O projeto já visitou cerca de 20 fóruns no estado ao longo de outubro.
- A iniciativa começou em 2019 e é voluntária, sem custo aos cofres públicos.
- O foco é acolher crianças vítimas ou testemunhas de situações de violência.
Justiça de portas abertas
Coordenado pela Secretaria Apamagis Mulher, o projeto acontece em cerca de 20 fóruns do Estado de São Paulo, ao longo de outubro e até a primeira semana de novembro. Ele surgiu do encontro de magistradas de todo o país com a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia, em 20 de agosto, em Brasília. Na ocasião, compareceram 25 juízas paulistas. Entre as propostas debatidas estavam ações de aproximação entre o Judiciário e a sociedade.
"Nossa proposta é que os filhos de funcionários conheçam o trabalho dos pais, promovendo também uma aproximação da Justiça com a sociedade", afirma a juíza Ana Carolina Della Latta Belmudes. Cada fórum escolhe, entre as atividades sugeridas pela Apamagis Mulher, as que desenvolverá em um dia, e alguns têm convidado estudantes para participar.
O primeiro a receber a ação foi o Fórum de Capão Bonito, no dia 13. Sessenta alunos da rede pública de Ribeirão Grande e Capão Bonito conheceram o espaço e acompanharam um julgamento simulado do Tribunal do Júri sobre um caso de bullying. A condução foi feita pela juíza Caroline Costa de Camargo. Coube a Arthur, aluno da 5ª série, anunciar a sentença. Ao final, ele contou à juíza que já sabe o que quer ser: "juiz". E como chegar lá "Estudando bastante."
Uma ideia nascida no fórum
Em outra ação no Fórum de São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital, cerca de 40 alunos de uma escola estadual de ensino integral ouviram palestras de juízas, de uma promotora e de um defensor público sobre o funcionamento do sistema de Justiça. Depois, visitaram o cartório, conheceram processos digitais e em papel e percorreram as instalações, sempre em diálogo com servidores e juízes. Os jovens se interessaram especialmente por temas como violência contra mulheres, proteção às crianças, sistema de adoção e formas de acesso à Justiça. "Sempre imaginei o Judiciário como algo muito sério, fechado, mas após esta visita, minha visão mudou. Eu o vejo agora como um lugar de auxílio para as pessoas, onde elas podem confiar na lei", disse o estudante Samuel, que quer ser juiz ou advogado.
O Palhaços sem Juízo começou em julho de 2019, quando a atriz Soraya Saide, com 26 anos de atuação nos Doutores da Alegria, propôs a ideia à então juíza Tatiane Moreira Lima, responsável pelo atendimento a vítimas de violência no Fórum Criminal da Barra Funda. Um mês depois, o trabalho já estava em curso. Realizado pela Cia A Rã Ri, é uma ação inédita no país: interações artísticas dentro de ambientes do Judiciário.
O grupo reúne atrizes-palhaças caracterizadas como "assistentes da juíza": nariz vermelho, roupas sociais estilizadas e acessórios do universo forense, como carimbos e volumes de processos. O objetivo é acolher crianças e adolescentes que chegam aos fóruns como vítimas, testemunhas ou acompanhantes em situações de violência e vulnerabilidade. Os magistrados que acompanham o trabalho relatam que, depois do contato com a trupe, as crianças e os adolescentes ficam mais confiantes e à vontade nos depoimentos especiais.
Ainda em 2019, o projeto foi aprovado por unanimidade pela Coordenadoria da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e passou a contar com apoio institucional da Presidência da Corte. Desde então, o grupo atua de forma voluntária, sem ônus aos cofres públicos, com visitas semanais aos fóruns, sempre à tarde. Em 2020, participou da campanha "Não se Cale! Violência contra a criança é covardia, é crime! Denuncie!", do TJSP, com cinco vídeos de conscientização. A campanha conquistou o 1º lugar no Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça de 2021.

Justiça (IA)


