21 de outubro de 2026

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SP cria guia para hotéis e destinos tratarem turistas LGBT+ com respeito

Geral Diversidade 21/10/2026 11:45 Assessoria Setur-SP São Paulo SP

Secretaria de Turismo de São Paulo lança cartilha com orientações para o setor de hotelaria e atração turística receber a comunidade LGBT+ com acolhimento, eliminando constrangimentos e promovendo a diversidade nos destinos paulistas.

O mercado de viagens no Brasil está em constante transformação, e o turismo voltado para a comunidade LGBT+ ganha cada vez mais destaque. Em 2025, as famílias brasileiras gastaram um total de R$ 8,25 trilhões com bens e serviços. Desse valor, R$ 140,2 bilhões foram investidos em viagens de lazer esporádicas, o que representa 1,7% do consumo anual. Para a população LGBTQIA+, os gastos com esse tipo de viagem atingiram cerca de R$ 33,4 bilhões, correspondendo a 3,7% de todo o seu consumo estimado, segundo a Pesquisa de Perfil e Comportamento do Consumo e do Turismo da População LGBTQIA+ do Brasil, do IEMI Inteligência de Mercado.

Com o objetivo de transformar esse potencial em práticas reais de inclusão, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo (Setur-SP) lançou dois documentos fundamentais: o Mapeamento do Desenvolvimento do Turismo LGBT+ no Estado de São Paulo e a Cartilha de Boas Práticas para Bem Receber o Turista LGBT+. As publicações visam orientar as políticas públicas, qualificar o setor de serviços e fortalecer destinos paulistas que desejam ser mais inclusivos.

  • 30 municípios de SP já possuem ações ativas de turismo LGBT+.
  • 92,3% das cidades que ainda não agem querem se capacitar no futuro.
  • A cartilha ensina a respeitar nome social e evitar constrangimentos.
  • A comunidade LGBTQIA+ movimentou R$ 911 bilhões na economia em 2025.
  • Destinos como Santos, Campinas e Praia Grande são exemplos de sucesso.

Números mostram avanço e desejo de inclusão nos destinos

O levantamento realizado pela Setur-SP entrevistou 72 municípios paulistas. O resultado mostrou que 30 cidades (41,7%) já realizam alguma atividade relacionada ao Turismo LGBT+. Outras 16 cidades (22,2%) ainda não têm ações efetivas, mas já estão no planejamento. Somando os dois grupos, 46 municípios (63,9% do total) já estão envolvidos no desenvolvimento do segmento, seja por ações existentes ou por preparação de novas iniciativas.

Entre as práticas identificadas nas cidades, destacam-se: Paradas do Orgulho LGBTI+, semanas e meses da diversidade, apoio do poder público, conselhos e coordenadorias LGBT+, campanhas contra a LGBTfobia, capacitação de profissionais, ações de acolhimento, atividades culturais, mostras de cinema, rodas de conversa e articulação com a sociedade civil e o trade turístico.

Experiências bem-sucedidas em diferentes regiões do estado

Diversos destinos paulistas já se destacam pela acolhida à diversidade. Em Santos, litoral sul, há o Selo Santos da Diversidade, a Semana Municipal da Diversidade Sexual e atividades do Mês do Orgulho. Na vizinha Praia Grande, a cidade oferece a Semana da Diversidade, apoia a Parada e desenvolve ações intersetoriais. Já São Sebastião apoia o evento Orgulhe-se e realiza atividades culturais, formação profissional e conferências municipais.

No interior, Campinas possui guias temáticos, celebra o Mês do Orgulho LGBTI+ e tem uma estrutura institucional forte de políticas para a diversidade sexual. Araraquara destaca-se pela realização da Parada, além de contar com o Centro de Referência e Resistência LGBTQIA+ e a Casa de Acolhimento. Outras cidades investem em capacitação dos profissionais do trade, acolhimento em hotéis, sensibilização de estabelecimentos comerciais e articulação de equipamentos turísticos.

O mapeamento também revelou que 26 municípios (36,1%) ainda não identificam nenhuma atividade no momento. Porém, dentro desse grupo, 24 cidades (92,3%) declararam interesse em desenvolver o Turismo LGBT+ agora ou no futuro. Apenas duas cidades responderam que não têm interesse. Considerando todos os 72 municípios pesquisados, 69 (95,8%) manifestaram vontade de participar de futuras capacitações, encontros ou projetos sobre o tema.

Cartilha orienta o atendimento e elimina constrangimentos

A Cartilha de Boas Práticas foi lançada durante a 10ª Conferência Internacional da Diversidade, em setembro, na capital paulista. O material contém dicas práticas para que destinos e empreendimentos recebam os viajantes com respeito. A cartilha explica o significado de cada letra da sigla LGBTQIA+, sugere ações para os municípios, como envolver os Conselhos Municipais de Turismo (COMTURs) e integrar turismo, direitos humanos, cultura e segurança.

O documento traz orientações claras de atendimento: tratar todos igualmente, respeitar o nome social, usar os pronomes corretos e evitar olhares ou comentários desnecessários que possam constranger. Para os meios de hospedagem, a cartilha oferece exemplos práticos. Por exemplo, se um casal do mesmo sexo reservar um quarto com uma cama de casal, o atendente não deve questionar a acomodação nem oferecer uma cama extra, mas apenas confirmar a reserva com cordialidade.

O material também aborda orientações para bares, restaurantes e atrativos turísticos, explicando que os eventos LGBTI+ vão muito além das paradas e da vida noturna. Pontos de destaque incluem a importância de capacitar os profissionais, manter uma comunicação inclusiva e garantir a segurança dos visitantes. No final, há um checklist para gestores públicos avaliarem suas políticas de diversidade e uma lista com os dez compromissos de um destino acolhedor.

É importante lembrar sempre que o turismo é uma atividade para todos. É um direito do cidadão, além de ser uma atividade que deve ser benéfica, acolhedora, respeitosa e agradável para os viajantes e para os profissionais do setor. Por isso, o mapeamento e a cartilha são materiais que vão nos ajudar a desenvolver, em conjunto com os municípios e os empreendimentos, políticas públicas ainda mais eficazes e um atendimento ainda mais humano e acolhedor para receber os turistas LGBT+. O turismo é plural e São Paulo é para todos, disse Ana Biselli, secretária estadual de Turismo e Viagens de São Paulo. A cartilha está disponível para download no site oficial.

Peso econômico da comunidade LGBTQIA+ na economia

Conforme a pesquisa do IEMI Inteligência de Mercado, em 2025, a estimativa aponta que a comunidade LGBTQIA+ respondeu por cerca de 11% do total de R$ 8,25 trilhões consumidos pelas famílias brasileiras. Isso significa que esse público movimentou aproximadamente R$ 911 bilhões na economia. Esse número dimensiona a enorme relevância desse segmento para diferentes setores do mercado de trabalho e de serviços.