21 de outubro de 2026

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Pais desbravam Google para saber o que crianças podem comer

Geral Nutrição 21/10/2026 08:43 Olá Doutor

Levantamento da plataforma Olá Doutor revela que 6 em cada 10 buscas dos brasileiros sobre alimentação infantil focam em bebidas. O estudo lista as 10 maiores dúvidas, incluindo se crianças podem consumir energético, café, whey e cerveja sem álcool, destacando os riscos para a saúde dos pequenos.

A alimentação infantil continua sendo um dos grandes desafios de saúde no Brasil. De acordo com o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, no último ano, 33% das crianças e adolescentes apresentavam excesso de peso, enquanto 13% eram obesos.

Em um mês marcado pela celebração do público infantil e pelo Dia Mundial da Alimentação, a plataforma Olá Doutor, que conecta pacientes a médicos, mapeou as principais dúvidas dos brasileiros no Google sobre a dieta dos pequenos. As bebidas lideram as buscas com folga: cerca de 6 em cada 10 pesquisas focam nisso, à frente de doces e proteínas.

  • 57,9% das buscas dos pais se referem a bebidas como café e energético.
  • Metade das 10 dúvidas mais frequentes no Google envolvem líquidos.
  • 48.630 pessoas pesquisaram se criança pode tomar energético no período analisado.
  • A legislação brasileira permite até 0,5% de álcool em cervejas 'sem álcool', o que a torna inadequada para crianças.
  • Suplementos como Whey Protein e Creatina não são indicados rotineiramente para crianças sem prescrição médica.

Diante da dúvida sobre o que liberar ou proibir, a internet se tornou o primeiro recurso para muitos pais. A seguir, o Olá Doutor esclarece os pontos mais críticos identificados no estudo.

Ocupação dos grupos alimentares nas buscas

Quando o assunto é nutrição infantil, a maior incerteza dos brasileiros está nas bebidas. Elas representam 57,9% das consultas sobre o que as crianças podem ou não consumir. Essa proporção é muito superior a categorias como doces (16,9%), proteínas (9,7%), frutas (8,3%), sementes (5,0%) e temperos (2,2%).

O domínio das bebidas reflete-se no ranking geral, onde metade das dez perguntas mais frequentes envolvem líquidos. Itens como energético, Gatorade, café, iogurte proteico e cerveja sem álcool dividem espaço com alimentos comuns, como pipoca, mel, chia, ovo e banana.

Os perigos da cafeína: energético e café

O destaque para o energético (1º lugar, com 48.630 pesquisas) e o café (3º lugar, com 20.630) mostra que as dúvidas alcançam produtos populares entre adultos. Ambos contêm cafeína, substância estimulante que pode causar agitação, problemas de sono e batimentos cardíacos acelerados em crianças.

Para a Dra. Manoella Ferreira, gestora médica da Olá Doutor, a sensibilidade do corpo infantil exige cuidado. As crianças reagem a doses muito menores de cafeína do que os adultos. Um gole de energético ou metade de uma xícara de café pode ser prejudicial. Produtos voltados para desempenho e energia não devem fazer parte da rotina dos pequenos.

Isotônicos e bebidas proteicas

A dúvida também envolve bebidas de esporte. O Gatorade (43.130 buscas) e o iogurte proteico (8.740) aparecem frequentemente. Os isotônicos foram criados para repor sais em esportes intensos e longos, mas para brincadeiras infantis comuns, a água já basta. Essas bebidas têm muito açúcar e sódio, o que faz mal se consumido em excesso.

Já para as bebidas proteicas, como o iogurte, não há uma idade mínima definida. É orientado que os pais conversem com um médico ou nutricionista antes de introduzir o produto na alimentação da criança.

Cuidados com alimentos comuns: pipoca, mel e chia

Nem sempre a dúvida é sobre itens raros. A pipoca (14.650 buscas) e o mel (12.980) são muito pesquisados por restrições na primeira infância. O mel não deve ser dado a bebês com menos de 1 ano por risco de contaminação pela bactéria Clostridium botulinum, que causa botulismo.

A pipoca exige atenção ao risco de engasgo, especialmente antes dos 4 anos. Já a chia (11.810), o ovo (10.950) e a banana (9.860) são comuns na introdução alimentar, que começa aos 6 meses.

Sobre a cerveja sem álcool, a questão apareceu 7.350 vezes. Apesar do nome, a bebida pode ter até 0,5% de álcool, conforme a lei brasileira. Por isso, não é indicada para crianças, tanto pelo resíduo de álcool quanto para não criar o hábito.

Suplementos infantis: whey, creatina e melatonina

Além da comida, os suplementos estão no radar das famílias. O Whey (96.800 buscas) e a Creatina (49.890) são usados por adultos para ganhar massa muscular. Para crianças, o uso não é indicado de forma rotineira e só deve ser feito com orientação médica em casos específicos.

A melatonina, em segundo lugar (61.650 buscas), reflete a preocupação com o sono. Seu uso deve ocorrer apenas após avaliação de um pediatra ou neuropediatra, nunca de forma livre. Outras buscas incluem vitamina C, ômega 3, magnésio, vitamina B12 e psyllium. A regra é a mesma: suplementar apenas se um profissional de saúde identificar necessidade.

A Doutora conclui que a popularidade da 'vida fitness' nas redes sociais gerou essas dúvidas. No entanto, a indicação de suplementos na infância não deve vir de tendências, mas de uma avaliação médica individual das necessidades nutricionais da criança.

Metodologia do estudo

Foram consideradas pesquisas no Google Brasil entre setembro de 2025 e agosto de 2026. O levantamento focou em buscas iniciadas pelo termo 'criança pode' e suas variações. As buscas sobre alimentação foram agrupadas em seis categorias para calcular a participação de cada grupo, e os itens mais pesquisados foram organizados em rankings.